Seminário Ventres Livres? Mulheres Negras e Maternidades 28/09, 30/09, 01/10 no Museu da Maré

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20 de novembro: Consciência Negra. 13 de maio: Abolição da Escravatura. 25 de julho: Mulher Negra Afro-Latina Caribenha. Mais do que feriados ou simples celebrações, estas datas têm sido apropriadas pelos movimentos sociais negros como dias para visibilizar demandas e pautas relacionadas às lutas contra o racismo no Brasil.

A construção de calendários de mobilização é marcada pela participação de diferentes organizações e sujeitos, com intepretações também diversas acerca da história e do legado da escravidão e do pós-abolição. Um dos principais exemplos de valorização do protagonismo negro está na tessitura do 20 de novembro como contraponto ao 13 de maio e à princesa Isabel como “Redentora”. E por que não pensar o 25 de julho, sancionado pela então Presidenta Dilma Roussef Dia Nacional Tereza de Benguela, como contraponto ao 8 de março, quando é celebrado, dentro de uma perspectiva universalista, o Dia Internacional da Mulher?

Nesse contexto de disputas em torno de datas e símbolos negros, qual seria o lugar da Lei Rio Branco? Popularmente conhecida como “Ventre Livre”, a lei de 28 de setembro de 1871 determinava em seu primeiro artigo que “os filhos de mulher escrava que nascerem no Império desde a data desta lei, serão considerados de condição livre”. Parte da violenta história da escravidão, tal legislação relaciona-se diretamente aos limites e possibilidades impostos para o exercício da maternidade de mulheres negras escravizadas e libertas.

Se por um lado os direitos senhoriais de tutelar filhas e filhos de escravas com menos de oito anos, de utilizar os serviços do “menor até os 21 annos de idade” e de “criar e tratar” as crianças representaram políticas senhoriais de precarização da liberdade e manutenção do poder patriarcal, por outro, a existência de famílias negras durante todo o período escravista e o empenho de mães em proteger e permanecer ao lado das crianças e jovens gerados em seus ventres evidenciam a resistência de mulheres negras. Dentro de situações limítrofes, elas criaram sentidos específicos de maternidade, informados por suas identidades desiguais de gênero e raça.

Em um esforço de articulação passado presente e identificadas com os feminismos negros interseccionais, apostamos em uma ideia de “Ventre Livre” que transcenda a temporalidade da escravidão, conferindo espaço para a problematização do termo, propositalmente grafado no plural e na forma interrogativa – Ventres Livres? 

O Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras convida-nos a pensar quais são os Territórios dos Ventres Livres diante:
– Das experiências de cuidado e maternidade entre mulheres negras de classes e territórios diversos.
– Da patologização das identidades de gênero de pessoas trans.
– Da perpetuação do trabalho doméstico.
– Do extermínio das juventudes negras.
– Do alarmante crescimento do sistema carcerário.

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Ancoradas na principal marca do grupo – a valorização das “Escritas de Si”, durante três dias, 50 Intelectuais Negrxs de diferentes territórios do Rio de Janeiro pautarão questões organizadas em três eixos: Educação Infantil, Masculinidades e Sexualidades. A programação conta também com a Companhia de Teatro Paralelas, que encenará a Peça Umdoum e com o Espaço Erê – Rede de Cuidados Infantis Cooperativos, que oferecerá brincadeiras, contações de histórias e jogos inspirados nas culturas iorubás para acolher as crianças enquanto os adultos participam das rodas e demais atividades.

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Encerramos ressaltando que este Seminário, idealizado em conjunto com  Janete Santos Ribeiro, inaugura a parceria com o Museu da Maré, coordenado Profa. Claudia Rose. Isso porque enquanto Historiadoras Negras entendermos que a favela é o nosso grande quilombo, um espaço de construção de identidades, produção de saberes,empreendedorismos e resistências que dizem respeito às histórias das populações negras, como tão bem nos ensinou a historiadora Beatriz Nascimento, que não por acaso teve sua produção silenciada em nossa historiografia.

“Você pode substituir Mulheres Negras como objetos de estudo por Mulheres Negras contando a sua própria História”. #ficaadica #intelectuaisnegrasufrj

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Programação completa disponível em: https://www.facebook.com/intelectuaisnegrasufrj/posts/1778917429052830

Inscreva-se: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeJL4FS6wp3TYPMoO2mc3iBJMeJsv95D_loBIgdb_RrU3oQcA/viewform?c=0&w=1

INFORMAÇÕES: intelectuaisnegras@gmail.com

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