A aula 6 está no Blog! Chegou a hora e a vez de pensar o tempo presente e a emergência das intelectuais negras

A aula de Martha Abreu foi um show de emoção e conhecimento. Quem não viu, confira aqui no Blog. Quem assistiu, vale a pena ver de novo e conferir a bibliografia completa ao final do post.

Aula de Martha Abreu (UFF/UNIRIO)

Na sequência da aula, Martha deu também uma super entrevista ao Podcast do IMAM (Laboratório de Imagem, Memória, Arte e Metrópole da UFRJ) e do BR-PHCP (Pesquisadores em História Cultural e Politica da UFF) comandado por Andréa Casanova e Karla Carloni.

Discussão sobre o campo de estudos do Pós-abolição no Brasil, desafios e perspectivas para a historiografia contemporânea.

Na próxima quarta, é a hora e a vez de Giovana Xavier, professora da UFRJ,

Giovana Xavier – UFRJ

Ela vai nos falar sobre o tema “Intelectuais Negras: história do pós-abolição no tempo presente“. Em suas palavras:

“Meu objetivo é fazer uma aula de história do Brasil fundamentada na história intelectual de mulheres negras. Uma abordagem historiográfica originária da articulação entre História Social e Pensamento Feminista Negro. Alternativa ao eurocentrismo, tal abordagem caracteriza-se pelo compromisso com o diálogo e a produção teórica extra-muros universitários e pelo investimento em ensinar e pesquisar trajetos e experiências das classes trabalhadoras com aportes teórico-metodológicos exclusivos de autoras negras – brasileirxs, afro-americanxs e latinxs. Inspirada pelo conceito de “linha de continuidade histórica”, da historiadora Maria Beatriz Nascimento (1942-1995), apresentarei exemplos de trabalho nessa nova perspectiva e também uma genealogia de intelectuais negras brasileiras entre os séculos XIX e XXI. Integrada por mulheres como Maria Firmina dos Reis (1822-1917), Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e nossas contemporâneas Conceição Evaristo, Deise Benedito, Lúcia Xavier, Maria Clara Araújo, Miriam Alves, Sueli Carneiro, esta genealogia contribui para expandir os sentidos de intelectual e criar novos marcos temporais para estudo da história do Brasil. Alinhada à premissa feminista negra de articulação entre pensar e fazer e em sintonia com as transformações nas universidades públicas e no mercado editorial, o programa da aula também abrange temas como: demandas de novas gerações acadêmicas, desafios à validação de conhecimentos científicos de intelectuais negras e a sala de aula como espaço de autoria, pesquisa e produção de novos sentidos de academia.”

Aula 6: O pós abolição e a luta antirracista no campo cultural

Martha Abreu (UFF/UNIRIO)

Bibliografia:

ABREU, M., DANTAS, C. V., MATTOS, H., LONER, B. e MONSMA, K.(Orgs.) Histórias do pós-abolição no mundo Atlântico. Niterói, Eduff, vol. 1, 2 e 3, 2013 (disponível on line).

ABREU, M.. XAVIER, G., BRASIL, E., MONTEIRO, L. (orgs). Cultura Negra, Novos Desafios para os Historiadores (vol. 2 – Trajetórias e Lutas de Intelectuais Negros). Niterói: Eduff, 2018, p. 266-196 (disponível on line).

ABREU, Martha. Da Senzala ao Palco. Canções Escravas e Racismo nas Américas,  1870-1930. Coleção Historia Ilustrada, Editora da Unicamp [e-pub3 e e-pub2], 2017.

ALBUQUERQUE, Wlamyra. O Jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo, companhia das Letras, 2009.

ARANTES, Erika Bastos. A estiva se diverte: organizações recreativas dos trabalhadores do porto carioca nas primeiras décadas do século XX. Revista Tempo. Vol. 31, no. 27.

BARBOSA, Alessandra T. de S. Pessanha. “A Escola de Samba tira negro do local da informalidade”: Agências e associativismos negros a partir da trajetória de Mano Eloy (1930-1940), Tese de Doutorado. PPGH/UFRRJ, 2018.

CASTILLO, Lisa Earl. “Bamboxê Obitikô e a expansão do culto aos orixás (século XIX): uma rede religiosa afroatlântica”. Revista Tempo  Vol. 22 n. 39. 2016.

CHALHOUB, Sidney e PINTO, Ana Flávia Magalhães. Pensadores Negros, Pensadoras Negras (Brasil séculos XIX e XX). Cruz das Almas, EDUFRB, Belo Horizonte, Fino Trato, 2016.

CUNHA, Maria Clementina Pereira. “Não tá sopa”: sambas e sambistas no Rio de Janeiro, de 1890 a 1930. Coleção Historia Ilustrada, Editora da Unicamp [e-pub3 e e-pub2], 2015.

DANTAS, Carolina Viana e Abreu, Martha. Monteiro Lopes e Eduardo das Neves: histórias não contadas de Primeira República. Coleção Biografias do Pós-abolição. Niteroi, (no prelo)

DOMINGUES, Petrônio. Protagonismo negro em São Paulo. História e Historiografia. São Paulo, SESC, 2019.

DOMINGUES, Petrônio. Cidadania por um fio: o associativismo negro no Rio de Janeiro (1888-1930). Revista Brasileira de História. São Paul, v. 34, no. 67, 2014.

GOLDMACHER, M., BADARÓ, M., TERRA, P. C. Faces do trabalho: escravizados e livres. Niteroi, Eduff, 2010.

GOMES, Angela C. e Abreu, M. A nova “Velha” República: um pouco de história e historiografia Revista Tempo Nº 26 Vol. 13 – Jan. 2009

GOMES, Flavio. Negros e Política (1888-1937). Rio de Janeiro, Zahar, 2005.

GOMES, Flávio S e CUNHA, Olivia. Quase cidadão: histórias e antropologias da pós- -emancipação no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2007.

GOMES, Flavio e Domingues, Petrônio (orgs). Experiências da Emancipação. Biografias, instituições e movimentos sociais no pós-abolição (1890-1980). São Paulo, Selo Negro, 2011.

LONER, Beatriz. Construção de Classe: Operários de Pelotas e Rio Grande. Pelotas, Ed. UFPEL. 2016

LOPES, Nei. Partido-Alto, Samba de Bamba. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.

MATTOS, Hebe. “A Vida Política (Além do Voto: Cidadania e Participação Política na Primeira República Brasileira)”. In: Lilia Moritz Schwarcz. (Org.). História do Brasil Nação: 1808-2010, Vol.3. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

MATTOS, Hebe & ABREU, Martha. “Jongo, registros de uma história”. In: LARA, Silvia & PACHECO, Gustavo (org.). Memória do jongo, as gravações históricas de Stanley J. Stein, Vassouras, 1949.  Rio de Janeiro, Folha Seca, Campinas, Cecult, 2007.

MATTOS, Hebe & RIOS, Ana Lugão. Memórias do cativeiro. Família, trabalho e cidadania no pós-Abolição, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005.

MENDONÇA, Joseli Maria Nunes de. Evaristo de Moraes: tribuno da República. Campinas, Ed. da UNICAMP, 2007.

MONSMA, Karl. A reprodução do racismo. Fazendeiros, negros e imigrantes no oeste paulista, 1880-1914. São Carlos, EDUFSCAR, 2016.

MORAES, Renata Figueiredo. As festas da Abolição: O 13 de Maio e seus significados no Rio de Janeiro (1888-1908). PPGH PUC/RJ, Tese de Doutorado, 2012.

NASCIMENTO, ALVARO P. Cidadania, Cor e Disciplina na Revolta dos Marinheiros de 1910. Rio de Janeiro, Mauad/Faperj, 2008.

NEPOMUCENO, Eric Brasil. Carnavais Atlânticos: cidadania e cultura negra no pós-abolição. Rio de Janeiro e Port-of-Spain, Trinidad (1838-1920). Tese de Doutorado, PPGH/UFF, 2017.

OLIVEIRA, Fernanda. As lutas políticas nos clubes negros: culturas negras, cidadania e racialização na fronteira Brasil-Uruguai no pós-abolição (1870-1960). Tese de Doutorado. Porto Alegre, UFRGS.

PARÉS, Luis Nicolau. A Formação do Candomblé. História e Ritual da nação jeje na Bahia. Campinas, Ed. Unicamp, ebook, 2018.

POSSIDONIO, Eduardo. Entre Ngangas e Manipansos. A religiosidade centro-afriana nas freguesias urbanas do Rio de Janeiro de fins do oitocentos (1870-1900). Salvador, Sagga, 2018.

PEREIRA, Amilcar. O mundo negro: relações raciais e a constituição do movimento negro contemporâneo no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2013.

PEREIRA, Leonardo, A. M. Os Anjos da Meia-Noite: trabalhadores, lazer e direitos no Rio de Janeiro da Primeira República. Revista Tempo, 2013, vol.19, n.35.

PEREIRA, Leonardo, A. M As barricadas da saúde. Vacina e protesto popular no Rio de Janeiro da primeira república. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2002.

PINTO, Ana Flávia Magalhães. Escritos de Liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2018.

SANTOS, Aderaldo Pereira. A Arma da Educação: Cultura política, cidadania, antirracismo nas experiências do professor Hemetério José dos Santos (1870 – 1930). Tese de Doutorado. Faculdade de Educação, UFRJ, 2018.

SCHUELER, Alessandra de. Felismina e Libertina vão à escola:  Notas sobre a escolarização nas freguesias de Santa Rita e Santana (Rio de Janeiro, 1888-1906). Revista História da Educação. Vol. 19, no. 46. Santa Maria, 2015.

SILVA, Alessandra L. Pela Liberdade e Contra o Preconceito de Cor: a trajetória de Israel Soares. Revista Eletrônica Documento e Monumento, 21, julho, 2017.

SILVA, Sormani. Mano Eloi e o samba na dinâmica da cultura brasileira. Um semeador de escolas de samba. Textos escolhidos de cultura e arte populares. Rio de Janeiro, vol. 12, no. 2, 2015.

XAVIER, Giovana. Histórias da escravidão e do pós-abolição para as escolas. Salvador, Ed. UFRB/Fino Trato, 2016.

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Por uma outra história do Brasil… a aula 5 está no Blog!

Ainda sob impacto da vibrante discussão sobre cidadania negra e republicanismo proposta por Wlamyra Albuquerque …

Aula de Wlamyra Albuquerque em 2 de setembro de 2020

… nesta semana, em que se celebra o nascimento do primeiro estado nacional brasileiro, monárquico e escravista, o nosso curso vai continuar a falar de república e pós-abolição, com o tema ‘O pós-abolição e a luta antirracista no campo cultural”, com a professora Martha Abreu.

Martha Abreu – UFF/UNIRIO

Em suas palavras:

“O fortalecimento do campo de estudos sobre o pós-abolição – que se destaca por problematizar uma  história não contada do racismo e das lutas antirracistas –   tem permitido a criação de outras narrativas sobre a história republicana, muito além da versão, ainda muito difundida,  sobre um único destino para os libertos:  “Da Senzala à Favela” a partir da experiência da marginalização. 

Este tipo de narrativa não só silencia sobre a continuidade do protagonismo dos descendentes de escravizados, como desconsidera a atuação, em termos políticos e culturais, dos descendentes de uma majoritária população negra nascida livre desde o período colonial, como temos visto neste curso.

De acordo com uma “velha” interpretação sobre a Primeira República,  o “povo” e a população negra,  sem dúvida recorrentemente excluídos das instâncias de poder e estigmatizados pelas construções racializadas sobre seus corpos e comportamentos,  teria se afastado das lutas pela cidadania, assumindo e aceitando a marginalização e as imagens inferiorizadas que lhes foram impostas. 

Nesta aula, pretendo  apresentar uma série de indicadores  de que as lutas pela cidadania não foram abandonadas –  muito menos  esquecidas no pós-abolição.  Pelo contrário, através de estudos biográficos sobre intelectuais de diversas áreas, inclusive músicos populares negros, sobre a fundação de  associações civis, políticas e culturais, sobre a organização de jornais,  mobilizações eleitorais e sindicais,  batuques e carnavais negros, uma pujante nova produção historiográfica tem reconstruído a história republicana a partir de ações e movimentos negros antirracistas e por direitos, desde o voto até a festa negra.”     

A seguir, a bibliografia da aula 5:

Racialização e Cidadania Negra

Profa. Wlamyra Albuquerque

Bibliografia

Anderson, Benedict. Comunidades Imaginadas. São Paulo, Companhia das Letras, 2008.

Albuquerque, Wlamyra. O Jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo, companhia das Letras, 2009.

Albuquerque, Wlamyra; Castilho, Lisa e Sampaio, Gabriela dos Reis (org). Barganhas e querelas da escravidão. Salvador, EDUFBa, 2014.

Azevedo, Elciene e Reis, João José (org). Escravidão e suas sombras. Salvador, EDUFBa, 2012.

Balaban, Marcelo; Lima, Ivana Stolze e Sampaio, Grabriela (org). Marcadores de Diferença: raça e racismo na história do Brasil. Salvador, EDUFBa, 2019.

Chalhoub, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

Cooper, Frederick; Holt, Thomas e Scott, Rebecca. Além da escravidão – investigações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós-emancipações. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005.

Cunha, Maria Clementina Pereira Cunha. Ecos da Folia: uma História social do carnaval carioca entre 1880 e 1920. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

Daibert Jr., Robert. Isabel: a “Redentora” dos escravos. Bauru, EDUSC, 2004.

Fraga Filho, Walter. Encruzilhadas da liberdade. Campinas, Editora da UNICAMP, 2006.

Gomes, Flávio e Domingues, Petrônio (org). Experiências da emancipação: biografias, instituições e movimentos sociais no pós-abolição (1890- 1980). São Paulo, Selo Negro, 2011.

Gomes, Flávio e Cunha, Olívia Maria Gomes da (org.). Quase-cidadão: histórias e antropologias do pós-emancipação no Brasil. Rio de Janeiro, FGV, 2007.

Gomes, Flávio e Schwarcz (org). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo, Companhia das Letras, 2018.

Grinberg, Keila. O fiador dos brasileiros. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2002.

Hébrard, Jean e Scott, Rebecca. Provas de Liberdade: uma odisseia atlântica na era da emancipação. São Paulo, Editora da UNICAMP, 2014.

Mac Cord, Marcelo; Araújo, Carlos Eduardo Moreira e Gomes, Flávio dos Santos (org). Rascunhos cativos: educação, escolas e ensino no Brasil escravista.  Rio de Janeiro, Sete Letras, 2017.

Machado, Maria Helena. O plano e o pânico: os movimentos sociais na década da abolição. São Paulo, EDUSP, 1994.

Machado, Maria Helena P. T. e Schwarcz, Lilia (org). Emancipação, inclusão e exclusão: desafios do passado e do presente. São Paulo, EDUSP, 2018. 

Machado,  Maria Helena P.T. e Castilho, Celso ( org). Tornando-se livre: agentes históricos e lutas sociais no processo da abolição. São Paulo, EDUSP, 2015.

Mattos, Hebe Maria. Das Cores do silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1998.

Medonça. Joseli Maria Nunes. Entre a mão e os anéis. Campinas, Editora da UNICAMP, 1999.

Querino, Manuel. Costumes Africanos no Brasil. Recife, Editora Massangana, 1988.

Rosa, Marcus Vinicius de Freitas. Além da invisibilidade – história social do racismo em Porto Alegre durante o pós-abolição. Porto Alegre, EST, 2019.

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A aula 4 está no blog! Vulnerabilidade e Cidadania são os temas da semana

Foi emocionante a aula de Ana Flávia Magalhães Pinto sobre liberdade negra e abolicionismos. Trouxe-nos personagens e encontros inesquecíveis que podem ser visitados também aqui no Blog. O link para a íntegra da aula e a bibliografia sugerida estão no final desta postagem.

A próxima aula, “Racialização e cidadania negra”, dá continuidade ao enredo, sob a batuta de Wlamyra Albuquerque. Nas palavras da professora da UFBA:

“A abolição da escravidão foi um dos episódios mais importantes da história do Brasil. Em 1888, vinha abaixo a instituição que sustentava o Brasil, desde os tempos coloniais.  O 13 de maio de 1888 foi o resultado de uma série de circunstâncias dadas por cenários internacionais e, principalmente, por longos embates nacionais que envolveram políticos dos várias matizes ideológicas, abolicionistas, escravizados, libertos e negros nascidos livres e, sobretudo, o Estado imperial. Na década de 1880, enquanto a escravidão desmoronava ganhava espaço a disputa entre projetos nacionais, nos quais, os limites e possibilidades de liberdade e cidadania para a população negra estavam no centro da pauta política. Neste ambiente tão acirrado e decisivo para os rumos do país, pertencimentos raciais passaram a ser demarcados como fundamentais para limitar direitos destinados à população negra que, desde a década de 1870, já era majoritariamente livre ou liberta.  À medida que a abolição se mostrava irremediável, apesar dos esforços de escravistas mais convictos para mantê-la, se fazia evidente a forte racialização que buscava subalternizar e/ou desqualificar aqueles que passaram a ser denominados como “raça emancipada”. Analisar o quanto esse processo de racialização está vinculado às tentativas de limitação de direitos à população negra e de reiteração de hierarquias raciais na sociedade brasileira no tempo da abolição será o principal objetivo da aula.”

Wlamyra Albuquerque, UFBA

Por fim, não percam, daqui a pouco e logo depois com o vídeo acessível também aqui no blog, a quarentena com a Escola de História da UNRIO desta segunda, com Mariana Muaze revisitando a histórica vulnerabilidade social do trabalho doméstico no Brasil.

A AULA 4 ESTÁ NO BLOG

ANA FLÁVIA MAGALHÃES PINTO

FONTES

Hemeroteca Digital Brasileira – Biblioteca Nacional: https://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/

O Mulato ou O Homem de Cor. Rio de Janeiro, 1833

O Homem: Realidade Constitucional ou Dissolução Social. Recife, 1876

O Exemplo. Porto Alegre, 1893, 1894

A Pátria. São Paulo, 1889 e 1890.

Gazeta da Tarde. Rio de Janeiro, 1880…

Cidade do Rio. Rio de Janeiro, 1880…

Negritos

http://negritos.com.br/.

Jornegro, n. 2, 1978.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, Elciene. Orfeu de carapinha: a trajetória de Luiz Gama na imperial cidade de São Paulo. Campinas: Editora da UNICAMP, 1999.

CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese de doutorado em Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2005.

CHALHOUB, Sidney.  A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis: historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

CHALHOUB, Sidney. Visões da liberdade: Uma história das últimas décadas da escravidão na corte. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

CRUZ, Itan.

EISEMBERG, Peter L. Homens esquecidos: escravos e trabalhadores livres no Brasil – século XVIII e XIX. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1989.

FARIA, Juliana et alii. Cidades Negras: Africanos, crioulos e espaços urbanos no Brasil escravista, século XIX. Rio de Janeiro: Editora Alameda, 2006.

FRANCO, Maria Sylvia de Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata. 4.ed. São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1997.

GOMES, Flávio e CUNHA, Olívia. Quase-cidadão: histórias e antropologias da pos-emancipação no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2007.

GOMES, Flávio. Negros e Política: (1888-1937). Rio de Janeiro: Zarah, 2005.

GRINBERG, Keila. O fiador dos brasileiros: cidadania, escravidão e direito civil no tempo de Antonio Preira Rebouças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

LIMA, Ana Paula Oliveira. Imprensa abolicionista e resistência negra em Goiás no século XIX. Monografia de Graduação. Goiânia: IFG, 2019.

MATTOS, Hebe Maria. Escravidão e cidadania no Brasil monárquico. Rio de Janeiro: Zarah, 2000.

NASCIMENTO, Beatriz. Beatriz Nascimento: intelectual e quilombola – Possibilidade nos dias de destruição. São Paulo: União dos Coletivos Pan-Africanistas (UCPA), 2018.

PINTO, Ana Flávia Magalhães. Escritos de Liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista. Campinas: Editora da Unicamp, 2018.

PINTO, Ana Flávia Magalhães. Imprensa negra no Brasil do século XIX. São Paulo: Selo Negro, 2010.

PINTO, Ana Flávia Magalhães. Vicente de Souza:intersecções e confluências na trajetória de um abolicionista, republicano e socialista negro brasileiro. Estudos Históricos, v. 32, n. 66, jan.-abr., 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s2178-149420190001000013.

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A aula 3 está no Blog! E a liberdade negra é o tema da vez

Domingo é dia de Blog. Como de praxe, registramos, também por aqui, a maravilhosa aula de Ynaê Lopes dos Santos, com sua bibliografia!!!!!! E convidamos a todos para a aula da próxima quarta feira.

Liberdade, liberdade… um tema sempre lembrado, mas menos visitado quando se pensa a experiência negra no mundo Atlântico sob a égide da escravidão. Não, quando a historiadora é Ana Flávia Magalhães Pinto. É dela a palavra sobre a aula 4 do nosso curso.

“Última nação das Américas a abolir o escravismo, após ter absorvido o maior contingente de mulheres e homens africanos escravizados via tráfico transatlântico, o Brasil assistiu aos esforços de representantes da elite nacional, marcadamente branca, para instituir narrativas históricas que alegavam a vigência de uma “escravidão branda” e de uma sociedade remida do “ódio entre as raças”. Essa matriz explicativa, por certo, afetou a forma como pensamos as experiências de liberdade entre pessoas negras e o próprio fim da escravidão, celebrado na chamada Lei Áurea, de 13 de maio de 1888. Nesta aula, a partir de dados empíricos sobre trajetórias individuais e coletivas de homens e mulheres negras livres e libertas vividas antes de 1888, faremos um exercício de reflexão sobre os abolicionismos no plural, considerando diferentes perspectivas e expectativas em torno da universalização da cidadania brasileira entre todos que assumissem essa nacionalidade. Os dados nos convidam a um confrontamento das políticas de memórias estruturalmente organizadas por valores racistas e, portanto, excludentes.”

AULA 3: Ynaê Lopes dos Santos

CIDADES ESCRAVISTAS E DIÁSPORA NEGRA NO ATLÂNTICO

Ynaê Lopes dos Santos (UFF)

Documentação citada:

Biblioteca Nacional do Brasil (doravante BN). Ofício do Marquês de Aguiar ao Conde dos Arcos, 1814. Documento II-33,24,27

Bibliografia:

ALENCASTRO. L.F. A Vida Privada e a Ordem Privada no Império. In: ALENCASTRO, L.F. (org). Historia da Vida Privada no Brasil. Império: a corte e a modernidade nacional. Vol. 2. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.

ALGRANTI, Leila Mezan. O Feitor Ausente. Estudo sobre a escravidão urbana no Rio de Janeiro 1808-1821. Petrópolis, Editora Vozes, 1988.

BERBEL, M. MARQUESE, R. PARRON, T. Escravidão e Política. Brasil e Cuba, 1790-1850. São Paulo, HUCITEC, 2010

CHALHOUB, S. Visões de Liberdade. Uma história das últimas décadas da escravidão na corte. São Paulo, Cia. das Letras, 1990.

CHILD, Matt. The 1812 Aponte Rebelion in Cuba and the struggle against Atlantic Slavery. North Carolina, The Univeristy of North Carolina Press/ Chapel Hill, 2006.

COWLING, Camillia. Concebendo a liberdade. Mulheres de cor, gênero e a abolição da escravidão nas cidades de Havana e Rio de Janeiro. Campinas, Editora UNICAMP, 2018.

FARIAS, J.B. SOARES, C.E.L. GOMES, F. No Labirinto das Nações. Africanos e Identidades no Rio de Janeiro, século XIX. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 2005

FARIAS, Juliana Barreto. Mercados Minas. Africanos ocidentais na Praça do Mercado do Rio de Janeiro (1830-1890). Rio de Janeiro, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 2015.

FERRER, Ada. Freedoms Mirror. Cuba and Haiti in the Age of Revolution. New York, Cambridge University Press, 2014.

GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas – mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro – século XIX. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 1995.

KARASCH, A vida dos Escravos no Rio de Janeiro (1808 – 1850). São Paulo: Cia. das Letras, 2000

MOREIRA, Carlos E.A. O Duplo Cativeiro: escravidão urbana e o sistema prisional no Rio de Janeiro, 1790 – 1821. Dissertação de Mestrado defendida na UFRJ, Rio de Janeiro, 2004.

REIS, João José. Rebelião Escrava no Brasil – A história do levante dos Malês em 1835. Edição Revista e Ampliada. São Paulo, Cia. das Letras, 2003.

SANTOS, Ynaê Lopes dos. Além da Senzala. Arranjos escravos de moradia no Rio de Janeiro (1808-1850). São Paulo, HUCITEC, 2010.

_________________. Irmãs do Atlântico. Escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e Havana (1763-1844). Tese de Doutorado defendida na FFLCH-USP, 2012.

___________________. Global porque escravista: uma análise das dinâmicas urbanas do Rio de Janeiro entre 1790 e 1815. In. Revista Almanack, no. 24, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/alm/n24/pt_2236-4633-alm-24-ed00519.pdf

SCHULTZ, Kirsten. Versalhes Tropical. Império, Monarquia e a Corte Real

portuguesa no Rio de Janeiro, 1808-1821. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2008.

SILVA, Marilene R. N. Negro na Rua. A nova Face da Escravidão. São Paulo, Editora HUCITEC, 1988.

SOARES, Carlos Eugênio Líbano. Zungú: rumor de muitas vozes. Rio de Janeiro, Arquivo Público do Rio de Janeiro, 1998.

SOARES, Luis Carlos. O “povo de Cam” na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro do século XIX. Rio de Janeiro, 7 LETRAS/FAPERJ, 2007.

Indicações de livros sobre a Revolução do Haitiana

BLACKBURN, Robin. A queda do escravismo colonial 1776-1848. Rio de Janeiro, Record, 2002.

DUBOIS, L. Avengers of the New World. The story of the Haitian Revolution. London, Harvard University Press, 2004.

FICK, Carolyn. The making oh Haiti: Saint Domingue Revolution from below. Univ Tennessee Press, 1990.

GASPAR, David. GEGGUS, David. (Edit.) A Turbulent Time. The French Revolution and the Greater Caribbean. Bloomington and Indianapolis, Indiana University Press, 1997.

JAMES, C.L.R. Os Jacobinos Negros. Toussaint L’Ouveture e a revolução de São Domingo. São Paulo, Ed. Boitempo, 2000.

Indicações de sites sobre cidades e memória da escravidão

Passados Presentes: memória da escravidão no Brasil: http://passadospresentes.com.br/

Afro Curitiba: https://afrocuritiba.afrosul.com.br/

Salvador Escravista: salvadorescravista.com

Santa Afro Catarina: http://santaafrocatarina.ufsc.br/santaafrocatarina/

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Identidades Atlânticas e Subjetividades Negras

Edição extraordinária do Blog para divulgar a próxima mesa do “Ciclo de Debates Juiz de Fora: Cidade Negra. Reflexões sobre silêncio, racismo e história”, organizadas pelo LABHOI/UFJF. As mesas já realizadas, ao vivo, estão acessíveis no canal e fazem parte agora do arquivo do Centro de Referência Virtual de mesmo título.

Em cada uma das sessões, conhecemos um pouco mais a história da diáspora negra no principal centro urbano com origem nas antigas áreas cafeicultoras e escravistas do Brasil no século XIX, registrando, ao mesmo tempo, novos depoimentos de pesquisadores e de ativistas do movimento negro e da luta anti-racista na cidade. Os debates realizados têm produzido reflexões iluminadoras sobre os sentidos globais em que os processos discutidos estão inseridos.

A começar pela abertura, em 30 de junho, com a emocionante conferência da historiadora Rita de Cassia Felix…

e a luxuosa participação de Wlamyra Albuquerque (UFBA) e Ynaê Lopes dos Santos (UFF) no debate.

PRIMEIRA MESA: CIDADES NEGRAS NO MUNDO ATLÂNTICO

Vale conferir a mesa completa, com o filme de lançamento do Centro de Referência Digital, coordenado em parceria com Giovana Castro, em paralelo ao Ciclo de Debates que contará com sessões mensais até dezembro de 2020:

Em 28 de julho, o debate sobre o tema transversal Saúde e Racismo contou com onze pessoas ao vivo, incluindo a companheira de blog, Keila Grinberg, que tratou do tema da perspectiva da história atlântica, entre palestrantes, debatedores e intérpretes de libras.

Apesar de alguns problemas técnicos, rendeu depoimentos e discussões iluminadoras sobre interdisciplinaridade, interseccionalidade, ativismo, memória e história, com tradução simultânea em libras. Está arquivado com uma linda edição corrigindo os sobressaltos do ao vivo no canal LABHOI UFJF no youtube.

Por fim, convidamos a todos para a próxima mesa, na terça feira, 25 de agosto, 17:30. Memória e história dos movimentos negros na cidade e suas interfaces nacionais e transnacionais estarão no centro do debate. Não percam. A divulgacão da UFJF tem dado excelente cobertura à iniciativa. Os amigos do BLOG podem saber mais sobre o evento da próxima terça na reportagem disponível neste link.

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Aula 2 está no Blog! Na próxima semana: Cultura e Diáspora Negras na Escola de História da UNIRIO

Querides todes que seguem o blog,

O post da semana é louvação da nossa incrível parceria com o canal da Escola de História da UNIRIO durante este tempo de infinita quarentena.

Nesta segunda, o Quarentena com a Escola de História – Unirio contou com a presença de Martha Abreu, fundadora do Blog e professora visitante naquele programa de pós-graduação nos últimos dois anos. A palestra está gravada no canal da Escola de História. Quem perdeu, não deixe de conferir Martha falando sobre seu último livro, “Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930” (Unicamp). O Quarentena com a Escola de História acontece toda segunda feira às 17h no YouTube da Escola de História da UNIRIO. — em UNIRIO.

Na quarta, 19/08, também às 17 horas, a terceira aula do nosso curso Emancipações e Pós abolição: por uma outra história do Brasil, coma Profa. Ynaê Lopes dos Santos (UFF) e o tema Cidades escravistas e diáspora negra no Atlântico.

Segundo Ynaê Lopes dos Santos, professora de história da América da Universidade Federal Fluminense,

Ynaê Lopes dos Santos

“as cidades escravistas são espaços privilegiados para analisar as dinâmicas e complexidades da escravidão negra nas Américas. Nessa aula pretendo examinar como as grandes cidades escravistas das Américas, com foco nas duas maiores (Rio de Janeiro e Havana) foram espaços nos quais era possível observar a força e a escolha pela escravidão, mas também espaços de luta e resistência cotidianas, nas quais os sentidos da escravidão e da liberdade eram ressignificados pelos diferentes sujeitos históricos.”

Por fim, deixamos aqui registrada a segunda aula, de Keila Grinberg, com sua bibliografia, acompanhada por mais de 1300 pessoas ao vivo.

Aula de Keila Grinberg – UNIRIO

Cada uma de nós adorou a aula, tristemente atual em um dia em que uma autoridade do judiciário brasileiro havia condenado alguém fazendo considerações sobre “sua raça”. Foi um excelente debate, saímos todas com a sensação de missão cumprida:

A proibição do tráfico atlântico de africanos escravizados e o pacto pela escravidão

Profa: Keila Grinberg

Referencias:

Banco de dados: Voyages: The Trans-Atlantic Slave Trade Database, https://www.slavevoyages.org/. (banco de dados sobre o tráfico de africanos escravizados; disponível também em português).

Bibliografia:

– Alencastro, Luiz Felipe. “Cotas: parecer de Luiz Felipe Alencastro ao Supremo Tribunal Federal, em 04 de março de 2010”. Disponível em https://fpabramo.org.br/2010/03/24/co…

– Alencastro, Luiz Felipe, “O pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira”, Novos Estudos Cebrap, no 87, São Paulo, Julho 2010. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002…. Disponível em https://www.scielo.br/scielo.php?scri….

– Berbel, Marcia; Marquese, Rafael e Parron, Tamis. Escravidão e Política. Brasil e Cuba, 1790-1850. São Paulo: FAPESP/HUCITEC, 2010.  

– Bethell, Leslie. A abolição do comércio brasileiro de escravos. Brasília, Senado Federal, 2002. Disponível em https://www2.senado.leg.br/bdsf/handl…

– Chalhoub, Sidney. A Força da Escravidão: ilegalidade e costume no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. – Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824). Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/…

– Dantas, Monica Duarte (org.). Revoltas, Motins, Revoluções: homens livres e libertos no Brasil do século XIX. São Paulo. Alameda, 2011.

– Ferreira, Frederico Antonio, “O tráfico brasileiro de cativos na foz do rio Congo 1780 a 1930: entre velhos e novos paradigmas”, Revista Territórios e Fronteiras, vol. 10, no 1 (jan-ju 2017), 25-46.

– Fischer, B; Grinberg, K. ; Mattos, H. Direito, Silêncio e Racialização das Desigualdades nas História Afro-Brasileira. In: Alejandro de la Fuente; George Reid Andrews. (Org.). Estudos Afro-Latino-Americanos: Uma Introdução. Buenos Aires, CLACSO: 2018. http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacs…

– Grinberg, Keila. O Fiador dos Brasileiros: cidadania, escravidão e direito civil no tempo de Antonio Pereira Rebouças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. – Grinberg, Keila. Liberata, a lei da ambiguidade: as ações de liberdade da Corte de Apelação no Rio de Janeiro no século XIX. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1994. Disponível online em http://www.bvce.org.br/DownloadArquiv….

– Grinberg, Keila. “Slavery and International Relations in 19th century Brazil”. Oxford Research Encyclopedia of Latin American History, Julho 2020. DOI: 10.1093/acrefore/9780199366439.013.814 . Disponível em https://oxfordre.com/latinamericanhis…

– Grinberg, Keila. “The Two Enslavements of Rufina: Slavery and International Relations on the Southern Border of Nineteenth-Century Brazil.” The Hispanic American Historical Review, 96, vol. 2 (2016): p. 259-290. https://doi.org/10.1215/00182168-3484173

– Lima, Ivana Stolze. Cores, marcas e falas. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003. – Mamigonian, Beatriz G. Africanos Livres: a abolição do tráfico de escravos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

– Mattos, Hebe. Escravidão e Cidadania no Brasil Monárquico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

– Mattos, Hebe. Das Cores do Silêncio. Campinas: Editora da UNICAMP, 2013.

– Mattos, Hebe. “Identidade camponesa, racialização e cidadania no Brasil monárquico”. Revista Almanack USP 3, 2006, doi: https://doi.org/10.11606/issn.1808-81…. Disponível em http://www.revistas.usp.br/alb/articl…

– Mattos, Ilmar Rohloff de. O Tempo Saquarema: a Formação do Estado Imperial. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 2004.

– Nabuco, Joaquim, O Abolicionismo (1883). Petrópolis, Vozes, Petrópolis, 1977.

– Oliveira, Maria Luiza Ferreira de. “O Ronco da Abelha: resistência popular e conflito na consolidação do Estado nacional, 1851-1852”, Almanack USP 1, 2005, foi https://doi.org/10.11606/issn.1808-81… . Disponível em http://www.revistas.usp.br/alb/articl….

– Parron, Tamis. A política da escravidão no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

– Rodrigues, Jaime. O infame comércio: propostas e experiências no final do tráfico de africanos para o Brasil (1800-1850). Campinas: Editora da Unicamp / CECULT, 2000.

– Rodrigues, Jaime, “O tráfico de escravos e a experiência diplomática afro-luso-brasileira: transformações ante a presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro”, Anos 90, v. 15, n. 27 (2008), 107-23.

– Salles, Ricardo. Nostalgia imperial. Escravidão e formação da identidade nacional no Brasil do Segundo Reinado. Rio de Janeiro: Ponteio, 2013.

– Souza, Adriana Barreto de Souza e alii. “Pacificar” o Brasil: das guerras justas às UPPs. São Paulo, Alameda, 2017.

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A aula 1 está no Blog! Na próxima: o contrabando de gente na origem do país

Quase 2000 pessoas assistiram ao vivo e mais de 10 mil já acompanharam no canal da Escola de História da UNIRIO, a primeira aula do nosso curso de extensão Escravidão, racismo e os sentidos da cidadania no processo de independência , com a professora Hebe Mattos.

Aula de Hebe Mattos (LABHOI/UFF/UFJF)

A aula fica registrada também aqui no Blog, com sua bibliografia.

Não percam a aula de Keila Grinberg, na próxima quarta feira, 12/8, no mesmo horário (17 às 19) com o tema: A proibição do tráfico atlântico de africanos escravizados e o pacto pela escravidão. Com ela, vamos conversar sobre como e por que o contrabando de gente esteve na origem do Brasil. A mediação será de Wlamyra Albuquerque.

Escravidão, racismo e os sentidos da cidadania no processo de independência

Hebe Mattos

Textos e Documentos de referência para a construção da aula:

Mattos, Hebe. “Slavery, Race and the Construction of the Imperial Order.” In Oxford Research Encyclopedia of Latin American History. Oxford University Press. Forthcoming. doi: 10.1093/acrefore/9780199366439.013.ORE_LAH-00861.

Barth, Fredrik. “Etnicidade e o Conceito de Cultura”. Antropolítica (n. 1). Niterói: EDUFF, 1995.

Bloch, Marc. Apologia da História ou O Ofício do Historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001. 

Varnhagen, Francisco Adolfo. Francisco Adolfo de Varnhagen, “Discurso preliminar. Os índios perante a nacionalidade brasileira”. In: Francisco Adolfo de Varnhagen. Historia Geral do Brazil isto é do descobrimento, colonisação, legislação e desenvolvimento deste Estado, hoje Império independente, escripta em presença de muitos documentos autênticos recolhidos nos archivos do Brazil, de Portugal, da Hespanha e da Hollanda. Tomo Segundo. Rio de Janeiro: Laemmert,, 1857, p. XIV-XXVIII.

Mott, Luís. “Um documento inédito para a história da independência”. In Carlos Guilherme Motta (org). 1822: Dimensões. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972, p. 482.

Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824)

Filme:

Hebe Mattos e Martha Abreu. Passados Presentes. Memória Negra no Sul Fluminense. LABHOI/UFF, 2011.

Bibliografia:

Albuquerque, Wlamyra. O Jogo da Dissimulação. São Paulo: Civilização Brasileira, 2009.

Belton, Lloyd. “Emiliano F.B. Mundrucu: Inter-American revolutionary and abolitionist (1791–1863)”, Atlantic Studies, 15:1, 62- 82, 2018.  DOI: 10.1080/14788810.2017.1336609

Berbel, Marcia; Marquese, Rafael e Parron, Tamis. Escravidão e Política. Brasil e Cuba, 1790-1850. São Paulo: FAPESP/HUCITEC, 2010 

Fabian, Johanes. O Tempo e o Outro: como a antropologia estabelece seu objeto. Trad. Denise Jardim Duarte. Petrópolis, Vozes, 2013.

Fischer, B. ; Grinberg, K. ; Mattos, H. Direito, Silêncio e Racialização das Desigualdades na História Afro-Brasileira.  In: Alejandro de la Fuente; George Reid Andrews. (Org.). Estudos Afro-Latino-Americanos: Uma Introdução. Buenos Aires, CLACSO: 2018.

Grinberg, Keila. O Fiador dos Brasileiros. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

Jancsó, István. Na Bahia, contra o império: história do ensaio de sedição de 1798. São Paulo e Salvador: Hucitec, 1996.

Lara, Silvia H. Fragmentos Setecentistas. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

Mattos, Hebe. Escravidão e Cidadania no Brasil Monárquico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

___________. “Prefácio” IN: Frederick Cooper; Thomas Holt; Rebecca Scott. Além da escravidão: explorações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós-emancipação. Trad. Maria Beatriz de Medina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004

____________. Ao Sul da História. Rio de Janeiro. FGV Ed., 2009.

____________. Das Cores do Silêncio. Campinas: Editora da UNICAMP, 2013.

____________. Colonização e Escravidão. In: Fragoso, Joao e Gouvea, Maria de Fatima. (Org.). O Brasil Colonial Volume I (1443-1580). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014

Mendes, Antonio de Almeida. “Escravidão e raça em Portugal: uma experiência de longa duração In: Hebe Mattos e Myriam Cottias (org). Escravidão e subjetividades: no Atlântico luso-brasileiro e francês (Séculos xvii-xx) [online].

Motta, Carlos Guilherme (org). 1822: Dimensões. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972.

Ribeiro, Gladys S. A liberdade em construção: identidade nacional e conflitos antilusitanos no Primeiro Reinado. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002.

Trouillot, Michel-Rolph. Silenciando o Passado: Poder e a Produção da História. Trad.  Sebastião Nascimento. Curitiba: Huya, 2016.

Silva, José Bonifácio de Andrada e. Representação à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a Escravatura, Paris, 1825.

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Por uma outra história do Brasil (1808-2020)

Em 2019, a Mangueira conquistou o primeiro lugar do carnaval carioca com o enredo “Histórias para ninar gente grande” e um samba memorável — “A Mangueira chegou/ Com versos que o livro apagou/Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento/Tem sangue retinto pisado/Atrás do herói emoldurado/Mulheres, tamoios, mulatos/Eu quero um país que não está no retrato” — que homenageava personagens anônimos, os verdadeiros heróis da história do Brasil: mulheres, indígenas, escravizados, trabalhadores.

O enredo contrariava frontalmente a glorificação do período imperial e a minimização dos conflitos sociais que caracterizam a versão conservadora da história brasileira, revivida hoje por adeptos do bolsonarismo, como bem assinalaram os historiadores Thiago Krause e Paulo Pachá em artigo recente na Folha de São Paulo.

O interessante é que “a história que a história [oficial] não conta” dialoga justamente com a vigorosa produção acadêmica que, desde pelo menos os anos 1980, dedica-se a estudar indivíduos historicamente silenciados, principalmente os africanos e seus descendentes, em suas lutas centenárias pela liberdade e por direitos de cidadania, contra a escravização e o racismo, e com as mudanças nas universidades brasileiras e currículos acadêmicos, fruto das conquistas dos movimentos sociais negros nos anos 2000.

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Foi a partir desta perspectiva que o Conversa de Historiadoras planejou o curso de extensão “Emancipações e Pós-Abolição: por uma outra história do Brasil (1808-2020)”. Em oito encontros, que abordam do período da independência aos dias de hoje, discutiremos temas como escravidão, racismo, cidadania, luta por direitos, feminismo e reparação. As aulas serão ministradas pelas seis integrantes do blog e por nossas duas queridas convidadas: Ynaê Lopes dos Santos e Wlamyra Albuquerque. 

O curso começa na próxima quarta, 5 de agosto, de 17h às 19h, e será transmitido no canal do YouTube da Escola de História da UNIRIO. Os ouvintes que assistirem a 75% das aulas terão direito a certificado de participação conferido pela UNIRIO. Para isso, basta preencher o formulário disponibilizado durante as aulas. Para dúvidas, utilize o email cursoextensaohistoria@gmail.com.

Programa:    

05/08: Hebe Mattos (UFJF): Escravidão, racismo e os sentidos da cidadania no processo de independência

12/08: Keila Grinberg (UNIRIO): A proibição do tráfico atlântico de africanos escravizados e o pacto pela escravidão

19/08: Ynaê Lopes dos Santos (UFF): Cidades escravistas e diáspora negra no Atlântico

26/08: Ana Flavia Magalhães Pinto (UnB) – Liberdade negra e abolicionismos

02/09: Wlamyra Albuquerque (UFBA) – Racialização e cidadania negra

09/09: Martha Abreu (UFF) –  O pós abolição e a luta antirracista no campo cultural

16/09: Giovana Xavier (UFRJ) – Intelectuais Negras e história do pós-abolição no tempo presente

23/09: Mônica Lima (UFRJ) – Direitos, reparação e a história africana e afro-brasileira no campo da história pública

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Histórias que a nossa História já conta

Vibração e movimento

                                                                                                           Monica Lima

“Sou a flor dos campos renascida bela depois da tortura

Sou a mesma mulher serena, mas agora em festa

Neste mundo novo onde vivo não há trabalho escravo

Sou apenas brisa fresca, vibração e movimento (…)”

             Escrava Anastácia, poema de Paulina Chiziane[i]

No dia 25 de julho se celebra o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, data comemorativa nascida em 1992 no1º Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana, e mais tarde, mas ainda no mesmo ano, incorporada pela ONU. No Brasil a data recebeu lugar oficial pela Lei nº 12.987/2014, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, e nomeada como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A personagem evocada pela data é reconhecida como uma importante liderança do Quilombo do Piolho, em Mato Grosso, no século XVIII.

A produção sobre a história das mulheres negras no Brasil tem crescido muito nas últimas décadas e isso se deve em grande parte a força da presença dessas mulheres no presente, tanto no espaço da vida social como nos espaços acadêmicos. São tantos os estudos que não conseguiria citar aqui sem cometer sérias injustiças, e acredito não ter como conhecer uma produção tão rica em sua totalidade. Nesse sentido, e para que possam ter uma ideia aproximada do estado da arte atual, recomendo vivamente que assistam as lives da Rede de Historiadorxs Negrxs cujos links se encontram no texto de Ana Flávia Magalhães Pinto, aqui mesmo no post. Sabem as histórias que dizem que a história não conta? Pois estão sendo contadas. Aliás, vem sendo pesquisadas e contadas há algum tempo. É hora de pararmos para ouvir, ler, aprender mais.

Vale lembrar que nas universidades, em cursos de Graduação e de Pós-graduação, se vê cada vez mais estudantes negras, e se pode perceber a importância dos estudos em suas vidas, bem como a reverberação das questões que apresentam para esses próprios espaços de formação. A universidade vem se transformando com a presença delas – a duras penas, pois a academia tem um corpo com problemas de flexibilidade – e vem sendo desafiada a se repensar. No espaço universitário essa mudança se vive e observa tanto visualmente como na interação com elas nas salas de aula, reuniões e espaços de troca intelectual. E se pode observar como a vida acadêmica, aliás, mais que isso, a convivência com outros colegas e o lugar que passam a assumir, as transformam. Cabelos se soltam (belos blacks se formam), autoras e autores passam a integrar seus vocabulários e o fazem não deixando de inseri-los em suas circunstâncias. Essas pessoas estão reivindicando cursos com bibliografias mais plurais: mais autorxs negrxs, mais autoras, mais textos produzidos não apenas no domínio das academias europeias e estadunidenses. E a incorporação de outros saberes como referência. Vamos prestar atenção no que dizem.

Tudo isso é para que possamos refletir, sem deixar de celebrar. O dia de hoje, domingo, 26 de julho, vem também ser o dia dedicado aos avós e, no candomblé e umbanda, a Nanã Buruku (ou Buruquê), orixá identificado a com a presença feminina na criação do mundo. Portanto, trata-se de um dia para pensarmos na ancestralidade e na longa história das mulheres negras na diáspora, no seu sofrimento e sua dor, mas, sobretudo, nas possibilidades de criação que temos. Somos “brisa fresca, vibração e movimento” para o mundo.


[i] CHIZIANE, Paulina. O Canto dos Escravos. Maputo: Matiko, 2017,1ªedição, p.89

Sobre silêncios que se quebram e outros que persistem

Hebe Mattos

Em 2018, fui convidada por uma importante instituição de cultura para ministrar um curso de extensão. Quando o curso estava para se realizar, me pediram para enfatizar, entre outros temas, a questão da mulher negra na história abordando, se possível, o recente protagonismo político que o feminismo negro estava tomando no Brasil e no mundo. Por que eu, indaguei, com tantas historiadoras negras, ativistas, e diretamente engajadas com o tema? Ainda dá tempo para indicar outra pessoa? Não dava, a grade estava fechada, o tema teria surgido depois, a partir da demanda dos alunos.  

Pensei em recusar, mas resolvi fazer uma aula sobre algumas experiências recentes na minha vida acadêmica com a questão. Acabara de estar na banca de doutorado da Mariléa Almeida (sobre lideranças femininas quilombolas) e seu texto tinha me inspirado a revisitar os textos da historiadora Beatriz Nascimento para pensar a história do conceito de quilombo na Constituição de 1988 e a procurar conhecer mais sobre a história do feminismo negro no Brasil. Eu constatara, encantada, que Lelia Gonzales e Sueli Carneiro haviam se antecipado a qualquer influência estadunidense ao introduzirem, na prática, a questão da inteseccionalidade aos movimentos negro e feminista brasileiros na década de 1980. Naquele mesmo período, Giovana Xavier, a partir de um texto neste blog, havia movimentado a FLIP daquele ano com a presença de intelectuais negras. Minha aula comentava essas experiências e o que eu aprendera com elas, registrando, delicadamente, o racismo estrutural do convite e da minha tardia aproximação com contribuições tão importantes à historiografia.

A emergência dos intelectuais negros no campo historiográfico brasileiro explodiu como fenômeno nas duas primeiras décadas do século XXI. A nova historiografia sobre história da África, escravidão, pós-abolição e racismo é hoje uma das mais importantes do mundo e tem sido feita, prioritariamente, por historiadoras e historiadores negros. O ponto de vista a partir do qual fazemos nossas perguntas impacta os resultados de pesquisa. Felizmente, a importância dessa historiografia é, hoje, simplesmente incontornável.

Histórias que a nossa História já conta

Ana Flávia Magalhães Pinto

“Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”!

Na semana da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e sob a inspiração deste hino que nasceu como samba-enredo da Mangueira em 2019, a Rede de Historiadorxs Negrxs (Historiadoras Negras e Historiadores Negros) promoveu a Jornada de História das Mulheres Negras para contar das algumas histórias que a nossa História já conta!

A frase é feita de repetições de palavras que marcam o ofício e os sujeitos do ofício, mas isso é necessário em tempos que cobram a demonstração de que “Vidas Negras Importam”, não apenas como tema ou objeto.

E, de fato, no fim das tardes de 21 a 24 de julho, uma maioria de historiadoras negras e também alguns historiadores negros de todas as regiões do Brasil compartilharam projetos, resultados parciais e trabalhos de pesquisa já concluídos, abarcando uma temporalidade que remete em especial aos séculos XIX e XX.

Essa foi mais uma ação em defesa do direito à história da gente negra que busca fortalecer o diálogo com um público crescente e diverso, interessado na produção de conhecimento antirracista e antissexista.

Todas as comunicações estão arquivadas no perfil do Instagram da Rede de Historiadorxs Negrxs e podem ser acessadas por meio dos links disponíveis na lista a seguir.

Na quinta-feira (30) e na sexta-feira (31), às 20h, teremos ainda a honra de receber, respectivamente, Sueli Carneiro (Coordenadora Executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra e filósofa) e Valdecir Nascimento (Coordenadora Executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra e historiadora) para refletir sobre outros protagonismos de mulheres negra no Brasil e em demais pontos do território amefricano, na definição de Lélia Gonzales.

Dia 1 – 21 de julho

1 – Mulheres africanas: corpos e marcas na era do tráfico ilegal em cidades oitocentistas – Iamara Viana e Flávio Gomes;

2 – As Mulheres Negras das Ruas de São Luís do Maranhão sob a ótica do Jornal Publicador Maranhense (1821-1850) – Iraneide Soares;

3 – “Se Tem Tornado Insubordinada, a Ponto de Não Querer Obedece-lo”: a luta por emancipação da africana livre Benedita, Maceió (1850-1861) – Danilo Luiz Marques;

4 – A política das mulheres de elite: o caso da “morena” Amanda Paranaguá, dama de companhia na Corte do Brasil (1854-1889) – Itan Cruz;

5 – As Mães dos ingênuos por força da Lei de 1871 – Lucimar Felisberto dos Santos;

6 – Sabina da Cruz: a história da mulher que denunciou o levante dos Malês – Luciana Brito;

7 – Para serem donas de si: mulheres negras lutando em família (Feira de Santana, Bahia, 1871-1888) – Karine Teixeira Damasceno.

Dia 2 – 22 de julho

1 – Da educação primária ao ensino superior: O Desafio das mulheres de cor trabalhadoras para alcançar a educação escolar entre o final do século XIX e o início do século XX – Mayara Santos e Jucimar Cerqueira;

2 – Professora Coema e o “início” da manhã da família Hemetério dos Santos (1888-1920) – Luara Santos;

3 – Sarah Maldoror: cinema, redes femininas e luta anticolonial em Angola – Leandro Bulhões;

4 – O TEN das mulheres: Teatro, política, gênero e raça na década de 1940 – Cyda Moreno e Flávio Gomes;

5 – Trabalhadoras Negras em Maceió: experiência e cotidiano no pós-abolição – Sandra Sena

6 – Gênero, raça e classe: feminismos no Brasil entre as décadas de 1940 e 1960 – Iracélli da Cruz Alves.

Dia 3 – 23 de julho

1 – Benzedeiras Quilombolas: cuidados com o corpo e com a lavoura no litoral do Rio Grande do Sul – Claudia Daiane Garcia Molet

2 – Entre o tecer de redes e o arrastar de lamas: experiências de mulheres marisqueiras na comunidade Quilombola de Santiago do Iguape – Ana Paula Cruz;

3 – Mulheres Quilombolas na luta contra ao racismo ambiental – Silvane Silva;

4 – Mulheres negras e a defesa do direito à terra em Belo Horizonte-MG – Josemeire Alves;

5 – O direito à maternidade: Relatório da CPMI de 1992, esterilização em massa de mulheres negras e eugenia (Parte 1 e Parte 2) – Sabrina Cristina Queiroz Silva.

Dia 4 – 24 de julho

1 – “Expelho de Oxum”: memórias e representações de corpos subalternizados em escrevivências de mulheres da Diáspora Africana – Edinelia Maria Oliveira Souza;

2 – A “mulata trágica”: repensando a categoria mulata no Brasil – Angélica Ferrarez de Almeida;

3 – As rainhas do maxixe: gênero e raça no teatro de revista carioca (1889-1920) – Juliana Pereira;

4 – Beatriz do Nascimento – Quilombo como um território existencial e físico – Mariléa de Almeida;

5 – Luiza Bairros – uma bem lembrada entre nós – Ana Flávia Magalhães Pinto.

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Do local ao transnacional: Juiz de Fora, cidade negra

Ouvindo a “live” do Milton Nascimento, que canta de sua casa em Juiz de Fora, compartilho com vocês a bela reportagem do jornal da mesma cidade, “Tribuna de Minas”,  assinada pelo jornalista Mauro Morais, sobre o projeto “Juiz de Fora: cidade negra”, que tenho orgulho de coordenar juntamente com Giovana Castro no LABHOI/Afrikas UFJF.

Pesquisadoras investigam memórias da Juiz de Fora negra no passado e no presente

‘Existe memória negra na liberdade’: Às vésperas do lançamento do arquivo digital sobre raízes e memória negras de Juiz de Fora criado por laboratório da UFJF, pesquisadoras confrontam narrativa oficial e reivindicam a expressiva presença negra na escrita da história da cidade

Por Mauro Morais

O footing dos negros e negras era na Rua Marechal Deodoro: Em gesto de resistência, Ercília Cunha e Carminha Almeida caminham, durante os anos 1960, na rua paralela à Halfeld, onde a narrativa oficial eternizou o “footing” que exlcuía os negros, conforme relata pesquisa de Giane Elisa. (Foto: Acervo de Giane Elisa)

Sabe o que é não reconhecer-se onde pisa? Nos livros didáticos que lê? Nos nomes das ruas e bairros ao redor? Vanessa Lopes sabe. Estudante do último período da licenciatura em história da UFJF, a jovem de 22 anos conta nunca ter conseguido enxergar a memória negra em sua Três Rio natal e na Juiz de Fora que em tantas e tantas vezes visitava. Cresceu procurando um legado que, agora, ajuda a organizar e alimentar. Para seu trabalho de conclusão do curso, Vanessa investiga a atuação do Unibairros, movimento comunitário dos anos 1980 e 1990, que denunciava o descaso do Poder Público com a periferia e suas demandas. “A periferia historicamente foi e é formada de maneira racializada pelos negros. A questão de raça e classe era diretamente trabalhada pelo Unibairros”, explica sobre o estudo que, após sua apresentação, será integrado ao arquivo on-line Juiz de Fora, Cidade Negra – Centro de Referência sobre a Memória Negra em Juiz de Fora, que o Laboratório de História Oral e Imagem (Labhoi/Afrikas) da UFJF lança no próximo dia 30, às 17h, com o início do ciclo de debates “Juiz de Fora: Cidade Negra – reflexões sobre silêncio, racismo e história”, transmitido via YouTube (LABHOI UFJF), às 17h.

Autoras de alguns dos textos disponibilizados pelo Juiz de Fora, Cidade Negra, seis pesquisadoras do assunto confrontam, em entrevista à Tribuna, a narrativa oficial e reivindicam o devido lugar do negro na história e na memória de Juiz de Fora. Elione Guimarães, Giane Elisa, Gilmara Mariosa, Giovana Castro, Patrícia de Almeida e Rita de Cássia Félix retratam suas investigações, traçam paralelos com o presente e ajudam na escrita mais justa dos dias que chegam.

Leia entrevistas com algumas das pesquisadoras que se dedicaram e se dedicam a investigar a memória negra de Juiz de Fora

O silêncio sobre as memórias negras

“Como se formam as cidades negras?”, questiona, a professora Hebe Mattos, do departamento de história da UFJF, pontuando a urgência no desenvolvimento de reflexões acerca das antigas regiões escravistas, onde, segundo ela, cabe investigar se há formas mais pesadas de racismo. “Quais experiências estão invisibilizadas no presente pelo silenciamento da memória negra?”, indaga a pesquisadora, autora de livros fundamentais para o debate, como “Escravidão e cidadania no Brasil monárquico” (Zahar, 2000), “Das cores do silêncio” (Unicamp, 2013), “Diáspora negra e lugares de memória” (Eduff, 2013) e “História oral e comunidade: Reparações e culturas negras” (Letra e Voz, 2016).

“Quais experiências estão invisibilizadas no presente pelo silenciamento da memória negra?”
Hebe Mattos, professora e pesquisadora do departamento de história da UFJF

“O silêncio sobre as memórias negras é uma marca do racismo à brasileira. Está nas famílias, que trabalham pouco com suas ascendências, e está na maioria das cidades. Há cidades mais negras que outras, onde é mais fortemente, como é o caso de Juiz de Fora, a presença de negros por ser uma região aonde chegou a última geração de africanos que vieram escravizados para o Brasil, isso em quantidades muito grandes. Eram mais de 50% da população no século XIX, pessoas que vieram ilegalmente escravizadas. Foi essa geração que viveu o 13 de maio”, explica Hebe, chamando atenção para uma narrativa a ser estudada, aprofundada e registrada no período que precede a abolição. “Existe memória negra na liberdade!”, exclama.“Tem um apagamento em geral sobre a escravidão e um apagamento da experiência negra na liberdade na maioria das cidades, não só após a abolição, mas durante o século XIX, quando a maioria da população livre era afrodescendente. Muita gente ficou invisibilizada. Só se fala da experiência negra para falar da dor, e se fala no genérico. Aquelas pessoas que viveram mais perto no tempo essa experiência da dor foram muito importantes em termos de criação de cultura, formas de sociabilidade e afeto. Não é possível pensar as regiões que receberam essas pessoas falando apenas da experiência da dor, porque é uma experiência de superação também.”

Casal Francelina e Sebastião Honorato com a filha Maria Inês, caminham pela Marechal em 1955. (Acervo Giane Elisa)

Vanessa Lopes, bolsista de iniciação científica no projeto coordenado por Hebe e pela doutoranda em história Giovana Castro para a formatação do arquivo digital, recorda-se dos livros didáticos que desconsideravam a contribuição negra em diferentes áreas, retratando-os apenas nos capítulos referentes à escravidão. “O movimento negro unificado nos anos 1980 travou essa batalha com as narrativas oficiais. É o caso da questão das datas comemorativas, como a valorização do 20 de novembro pela resistência do Zumbi dos Palmares em contraponto ao 13 de maio da assinatura da Lei Aurea, que deu a abolição formal da escravatura muito no plano simbólico, uma vez que a população negra continuou sendo marginalizada com diversas leis proibindo acesso a questões básicas de sobrevivência”, pontua a estudante, entusiasmada com a criação de um centro virtual que, de acordo com ela, será essencial no “rompimento desse silenciamento histórico da contribuição e história do negro na cidade”.

O que houve a partir de 14 de maio de 1888?

Silenciamento que a comunidade acadêmica e intelectual, conforme observa Hebe Mattos, há 20 anos tenta exaustivamente romper, com pesquisas sobre o pós-abolição e sobre os processos de racialização. “Quando eu comecei a pesquisar, há mais de 30 anos, uma das minhas questões é que parecia que os últimos cativos, os últimos libertos haviam desaparecido depois do 13 de maio. Não é verdade que todos os afrodescendentes estavam escravizados no 13 de maio de 1888. Tem uma luta pela liberdade muito anterior a isso. Essa era uma última geração. O Brasil trouxe ilegalmente essas pessoas. E no 14 de maio eles sumiram da história. Eu queria pensar essa trajetória do pós-abolição. Há 20 anos houve uma explosão de pesquisas e um aumento de pesquisadores pretos e pardos muito importante. Houve muito investimento, inclusive em Juiz de Fora, onde vimos o trabalho feito pela Funalfa. Entre as pesquisas chegarem a um público maior, serem socializados, e virar memória há muito a ser feito”, reconhece a estudiosa, que, natural de Muriaé, há muito tempo identifica a importância de organização e reunião dos trabalhos já desenvolvidos para que novos aprofundamentos e olhares sejam desenvolvidos.

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Para a íntegra da reportagem clique aqui.

 

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Não perca a mesa de abertura, com o tema Cidades Negras no Atlântico, com as convidadas Rita de Cassia Felix,  Wlamyra Albuquerque e Ynaê Lopes dos Santos, no canal LABHOI/Afrikas no youtube !!!

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Arquivado em história e memória, Pos-abolição