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Dançando na corda bamba…

Estive no encontro de artistas e intelectuais com Lula, em um hotel do Rio de Janeiro, no último sábado. Admiro muitíssimo o ex-Presidente Lula e tudo que simboliza, mas nunca pensei que defenderia sua candidatura a um terceiro mandato. É o que faço sem sombra de dúvidas e com entusiasmo neste momento. Lula com sua capacidade de diálogo democrático me parece hoje a mais forte esperança para que o estado de exceção colocado em marcha desde a sua condução coercitiva em março de 2016 possa ser revertido, restabelecendo o estado democrático de direito no país.

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Na mesa do evento, o ex-chanceler Celso Amorim, que espero ver candidato a governador do Rio de Janeiro, lembrou um velho dito popular que bem sintetiza o estado policial em que estamos vivendo desde 2016: sabemos que estamos numa ditadura quando tocam a campanhia de casa às 6 horas da manhã e temos medo de que não seja o leiteiro. O abuso das conduções coercitivas de pessoas sobre as quais não pesa acusação alguma, com endereço conhecido, que não foram previamente intimadas a depor, é prova de que o uso do aparato policial e jurídico para pura e simples intimidação política infelizmente virou rotina. O caso da verdadeira invasão policial da UFMG é só o mais recente exemplo disso. Mas é também um pouco mais.

Colocar em suspeita sem provas contundentes uma proposta da envergadura moral do Memorial da Anistia, sob direção acadêmica de uma das mais respeitadas historiadoras brasileiras, Heloisa Starling, é simplesmente inadmissível. Batizar uma operação policial de combate à suposta malversação de verbas públicas com um dos mais pungentes versos da música de João Bosco e Aldir Blanc, que se tornou símbolo do movimento pela anistia, é um ataque direto à memória das lutas democráticas no Brasil.

Diante do medo, do susto e do desencanto só resta voltar aos versos de “O Bêbado e a Equilibrista”.  Mais de trinta anos depois, a esperança continua a dançar na corda bamba de sombrinha, sabendo que em cada passo dessa linha pode se machucar.

Azar! A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar!

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