A aula 7 está no Blog! E caminhamos para o gran-finale…

A aula de Giovana Xavier foi impactante, trazendo o tempo presente e o protagonismo intelectual da mulher negra como questão para (re)pensar a história do Brasil. Para quem não viu, para quem quiser ver de novo, a aula está arquivada aqui Blog com a bibliografia disponível no final do post.

Aula de Giovana Xavier (UFRJ)

E caminhamos para o gran-finale com a aula de Mônica Lima (UFRJ), com o título Direitos, reparação e a história africana e afro-brasileira no campo da história pública.

Aqui uma degustação do que virá, nas palavras da professora:

“Como vimos nas aulas anteriores do nosso curso, a luta por direitos está na pauta da população negra no Brasil desde os tempos da legalidade da escravidão. No pós-abolição, essa luta assume novos aspectos e traz para arena política demandas referenciadas na ideia de que a pesada herança da opressão escravista se traduziu em prejuízos para os descendentes, que portanto fazem jus a medidas de caráter reparatório para poder enfrentar a situação em que foram colocados por essa injustiça histórica. O movimento negro brasileiro, em suas diferentes expressões ao longo do século vinte, passa a reivindicar o reconhecimento da responsabilidade da sociedade e do Estado brasileiro com relação à desigualdade racial, ao mesmo tempo em que as lutas sociais no campo e na cidade pressionam no mesmo sentido. Os debates prévios e a Constituição de 1988 constituem momentos chave e inserem na principal referência legal do país os direitos quilombolas e o reconhecimento do crime de racismo como inafiançável e imprescritível. A participação brasileira na Conferência de Durban em 2001 se traduz em pressão internacional e compromissos com a condenação ao tráfico escravista e à escravidão, bem como reconhecimento da importância da participação africana e negra na construção do país. E, a partir de 2003, a lei 10639, resultante de uma longa história de reinvindicação do movimento negro, passa a servir como instrumento de importantes transformações no campo da educação e da produção intelectual sobre a história e a cultura afro-brasileira e africana. As ações afirmativas traduzidas na política de cotas constituem marcos contemporâneos de políticas compensatórias no país, e o reconhecimento de sua constitucionalidade um sinal de que os determinantes, a presença e os efeitos do racismo podem ser percebidos por integrantes da esfera jurídico-institucional – mesmo que esta seja historicamente vinculada a interesses das excludentes elites brasileiras. No plano internacional, com fortes repercussões locais, se apresenta e se reconhece o primeiro patrimônio mundial brasileiro com sua justificativa centrada na história da escravidão: o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. No entanto, este longo histórico de lutas e as conquistas dele derivadas ocorre num cenário nada tranquilo, com o crescimento da desigualdade racial no plano econômico, na opressão e silêncio sobre a violência sobre mulheres negras, no progressivo encarceramento e extermínio da população negra, em especial jovem e masculina. As demandas por reparação ganham, por essas razões, muito mais força. Considerando esse passado tão presente, o que a história pública, o ensino e pesquisa de história e cultura afro-brasileira hoje tem a dizer sobre isso? Em que o reconhecimento de uma injustiça histórica e da necessidade de políticas de reparação se relacionam com os temas e questões trazidos por nossas aulas e por nossa atuação como historiadoras comprometidas com a luta antirracista?”

Aula 7

Intelectuais Negras: histórias do pós-abolição no tempo presente

Profa. Dra. Giovana Xavier (UFRJ)

Data: 16/09/2020

Referências bibliográficas

Alcino do Amaral. Desvendando o “mundo manicongo”: na esteira da diáspora, o afrorap de Rincon Sapiência. Monografia (Bacharelado em História), Instituto de História, 2020 (trabalho em andamento).

Angela Davis. “Black Women and The Academy”. In: Jacqueline Bobo; Cynthia Hudley; Claudine Michel. The Black Studies Reader.  New York: Routledge, 2004. pp. 91-99.

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Claudete Silva. Virou regra. São Paulo: Scortecci Editora: 2010.

_____. _____. A solidão da mulher negra: sua subjetividade e seu preterimento pelo homem negro na cidade de São Paulo. PUC-SP , Tese (Doutorado em Ciências Sociais), 2008. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/3915 Acesso: 20 set. 2020.

Conceição Evaristo. “Da grafia desenho de minha mãe um dos lugares do nascimento da minha escrita”. In: Marcos Antônio Alexandre (Org.). Representações Performáticas Brasileiras: teorias, práticas e suas interfaces. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007, pp. 16-21.

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Denise Marinho. “Marcha de Mulheres Negras: narrativas fotográficas, representatividade e ressignificação do espaço urbana na praia de Copacabana, Cidade do Rio de Janeiro”. XII Reunião de Antropologia do Mercosul, 2019.

Djamila Ribeiro. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, Justificando, 2017.

Evelyn Beatriz Lucena Machado. Mulheres negras e o ensino de História da escravidão. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da UFRJ, Rio de Janeiro, 2018.

Giovana Xavier. Você pode substituir Mulheres Negras como objeto de estudo por Mulheres Negras contando sua própria história. Rio de Janeiro: Malê, 2019.

_____. _____. Intelectuais Negras: Visíveis. Rio de Janeiro: Malê, 2017. Disponível em: www.intelectuaisnegras.com Acesso: 20 set. 2020.

_____. _____. Maria de Lourdes Vale do Nascimento: uma intelectual negra do pós-abolição. Niterói: EDUFF (no prelo 2020).

_____. _____. “Ciência de mulheres negras: liderança acadêmica e pesquisa ativista no Brasil”. Plano de Desenvolvimento Individual apoiado pelo Programa de Aceleração e Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras Marielle Franco do Baobá – Fundo para Equidade Racial, 2020.

_____. _____. “Carolina Maria de Jesus: intérprete do Brasil”. O Globo, Projeto Celina, 11/05/2020. Disponível em: https://oglobo.globo.com/celina/carolina-maria-de-jesus-interprete-do-brasil-24424834 Acesso: 01 set. 2020.

Joselina da Silva. “Doutoras professoras negras: o que nos dizem os indicadores sociais”. Perspectiva, Florianópolis, v. 28, n. 1, p. 19-36, jan./jun. 2010. Disponível em: https://doi.org/10.5007/2175-795X.2010v28n1p19  Acesso em: 14 jun. 2020.

Jurema Werneck. “Nossos passos vêm de longe! Movimentos de mulheres negras e estratégias políticas contra o sexismo e o racismo”. In: Vents d’Est, vents d’Ouest: Mouvements de femmes et féminismes anticoloniaux [en línea]. Genève: Graduate Institute Publications, 2009. Disponível em: <http://books.openedition.org/iheid/6316&gt;. ISBN: 9782940503827. DOI: 10.4000/books.iheid.6316 Acesso em: 14 jun. 2020.

Kimberlé Crenshaw. “Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence Against Women of Color”, Stanford Law Review, v. 43, n. 6, pp.1241-1299.

Lélia de Almeida Gonzaléz. “A categoria político cultural de amefricanidade”. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/93 ( jan/jun), 1988, pp.69-82. Disponível em: https:// negrasoulblog.files.wordpress.com/2016/04/a-categoria-polc3adtico-cultural-de- amefricanidade-lelia-gonzales1.pdf Acesso: 02/04/2019.

Lúcia Xavier. “O corona vírus não tem nada de democrático. Ele tem “preferências” e os negros são um dos grupos preferidos dele”. Entrevista ao Portal Gênero e Número, 16 de abril de 2020. Disponível em: http://www.generonumero.media/entrevista-o-coronavirus-nao-tem-nada-de-democratico-ele-tem-preferencias-e-os-negros-sao-um-dos-grupos-preferidos-dele/ Acesso 25 jul. 2020.

_____. _____. Entrevista para a Revista Saúde em Foco. Rio de Janeiro, n. 5, v. 1, jan.jun. 2020, pp. 07-17. Disponível em: https://smsrio.org/revista/index.php/revsf/article/view/708/619 Acesso: 20 set. 2020.

Maria Beatriz Nascimento. “Por um território (Novo) existencial e físico”. In: Beatriz Nascimento: quilombola e intelectual. Diáspora Africana: Filhos da África, 2018. , pp. 413-432.

Maria Clara Araújo.“A educação como fator transformador”. TED, 2015. Disponível em: https://amara.org/en/videos/q0AQ159BlnqU/pt-br/1251337/. Acesso: 02/04/2019.

Martha Campos Abreu, Hebe Mattos. Passados presentes. Rio de Janeiro: Laboratório de História Oral e Imagem, Universidade Federal Fluminense (LABHOI/UFF), 2005-2011. Coletânea de quatro DVDs.

Miriam Alves. Maréia. Rio de Janeiro: Malê, 2019.

Mônica Cunha. “Desconstruindo a expressão mãe de bandido”. Rio de Janeiro, Jornal O Globo, Projeto Celina, 09 de maio de 2020. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/celina/monica-cunha/ Acesso 09 mai. 2020.

Pâmela Cristina Nunes de Carvalho. ‘Pisa na matamba’: epistemologia jongueira e reeducação das relações raciais. 2020. f. Dissertação (Mestrado em Educação) -Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ, Rio de Janeiro, 2020.

Nayara Cristina dos Santos: Clementina de Jesus: samba de terreiro e associativismo negro (1960-1985). Monografia (Bacharelado em História), Instituto de História, 2020 (trabalho em andamento).

Patricia Hill Collins. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento.. São Paulo: Boitempo, 2019.

Ryane Leão. Tudo nela brilha e queima. São Paulo: Planeta, 2017.

Sueli Carneiro. Escritos de uma vida. Belo Horizonte: Letramento, 2018.

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