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Sobre Papo Coletivo

Além da parceria Hebe e Martha, muitos outros textos coletivos podem surgir das nossas conversas, escritos a 4, 6, 8, 10 ou 12 mãos. A caneca sobre os livros simbolizará este papo coletivo. As autoras assinarão o post.

Não dialogamos com Governo golpista, patriarcal e ilegítimo

Confira o Tumblr Historiadores Pela Democracia para ter acesso às resoluções do encontro Historiadores Pela Democracia, realizado na UNB no dia 7 de junho, e ao registro audiovisual do encontro de historiadores com a Presidenta Dilma Rousseff, no mesmo dia, no Palácio da Alvorada.

No Alvorada, encontraram-se com a Presidenta alguns dos principais historiadores brasileiros. Entre eles, especialistas em todas as áreas da disciplina, com ênfase na história do Brasil e da América Latina, na história do tempo presente e, não por acaso, na história da escravidão no Brasil e das heranças e traumas que nos foram legados por este passado. São muitos os historiadores que vão buscar a raiz da crise atual na nossa formação colonial e escravocrata, que fez da lógica do privilégio base da cultura política brasileira. Tânia Bessone, da UERJ, representou a diretoria da Associação Nacional de História e James Green, da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, também estava entre os presentes.

Dilma Rousseff abriu o encontro com uma fala em defesa da democracia de cerca de meia hora realmente memorável. O encontro no Alvorada foi ao ar ao vivo e foi registrado também pela Mídia Ninja. Durante as falas dos historiadores, foi entregue a Presidenta a serigrafia em tela “#Democracia” . Depois da cerimônia, Dilma confraternizou com todo o grupo e conversou longamente com James Green sobre o livro que ele lançará em breve, uma biografia de Herbert Daniel, pioneiro da luta LGBT no Brasil, que foi amigo pessoal da Presidenta.

Como desdobramento do encontro, convidamos todos para o Debate sobre o movimento “Escola sem Partido” e o direito à diversidade cultural,  que vai se realizar no dia 17 de Junho de 2016, às 15:30, no Auditório da Fundação Casa de Rui Barbosa, como  atividade da mobilização nacional do grupo Historiadores Pela Democracia: por um Brasil com direitos, prevista para os dias 16 e 17 de junho.

Publicamos, a seguir, a Carta de Renúncia ao Conselho Nacional de Direitos da Mulher apresentada por importantes organizações de mulheres e Conselheiras de notório saber. Elas nos representam.

Não dialogamos com Governo golpista, patriarcal e ilegítimo

Nós, representantes da Articulação de Mulheres Brasileiras/AMB, Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras/AMNB, da Marcha Mundial das Mulheres/MMM, da Rede Mulher e Mídia/RMM; da Rede Economia e Feminismo/REF e as Conselheiras de Notório Conhecimento das questões de Gênero, Maria Betânia de Melo Ávila, Matilde Ribeiro, integrantes do CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher vimos anunciar nossa RENÚNCIA ao mandato de Conselheira, pelos motivos abaixo expressados.

Não reconhecemos o governo provisório por considera-lo ilegítimo, resultado de uma coalizão de forças políticas que chega ao poder por meio de um golpe parlamentar-jurídico-midiático, levando ao afastamento temporário da Presidenta Dilma, eleita pelo voto popular, configurando um ataque à institucionalidade democrática;

Desde que assumiu o poder, este governo interino e ilegítimo vem cumprindo um programa ultraliberal, que requenta boa parte do programa eleitoral da coalizão derrotada nas últimas eleições presidenciais, e promove, de maneira ilegítima, mudanças ministeriais que representam uma brutal desestruturação de políticas públicas voltadas para a garantia de direitos, sinalizando o aprofundamento de retrocessos nas políticas de educação, seguridade social, de promoção da igualdade racial e nas políticas públicas para as mulheres, começando pelo desmonte da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres;

O governo interino e ilegítimo colocou no primeiro escalão do poder executivo, somente ministros homens e brancos, de partidos da coalizão golpista, muitos dos quais envolvidos em esquemas de corrupção e com posições marcadamente contrárias ao avanço dos direitos humanos e do desenvolvimento do País, assim como, a ameaça ao Estado Democrático de Direito. E para completar, não só acabou com o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, como transferiu para o Ministério da Justiça as atribuições da Secretaria de Políticas para as Mulheres e nomeou para a pasta uma pessoa com postura contrária aos direitos sexuais e reprodutivos, agenda historicamente defendida pelas feministas.

Soma-se a tantos descalabros deste governo golpista, a tentativa de criminalização dos movimentos sociais e a utilização do aparato repressivo do estado, para reprimir qualquer manifestação organizada, quando o intuito é o de resistir e desmascarar a farsa do impeachment sem crime de responsabilidade, praticando repressão violenta contra as manifestações populares rememorando os tempos da ditadura militar.

Não reconhecemos este Governo e, portanto, com ele não dialogaremos. Acreditamos que a participação nos conselhos de controle social tem como objetivo primordial democratizar o Estado e avançar na garantia de direitos. Em um governo instituído pelo desrespeito à Constituição e ao voto popular e, portanto, à institucionalidade democrática, não existe possibilidade de diálogo.

Não renunciaremos à luta em defesa da Democracia. Permaneceremos nas ruas contra o golpe do impeachment, defendendo a continuidade do mandato da Presidenta Dilma Roussef e com ela retornaremos após derrotarmos o golpismo, comprometidas com um programa de avanço na implementação dos direitos das mulheres.

Estaremos nas ruas, contra a direita, pelos direitos. Golpistas, não passarão! Fora Temer!

Brasília, 06 de junho de 2016.

Conselheiras:
Schuma Schumaher – Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Josanira Rosa Santos da Luz – Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB
Lourdes Andrade Simões -*Marcha Mundial das Mulheres – MMM*
Maria Betânia de Melo Ávila – Notório Conhecimento das questões de Gênero
Matilde Ribeiro – Notório Conhecimento das questões de Gênero
Rachel Moreno – Rede Mulher e Mídia – RMM
Sarah Luiza de Souza Moreira – Rede Economia e Feminismo -REF

Também nos dias 16 e 17 de junho, o Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras (GIN-UFRJ), coordenado por Giovana Xavier, historiadora do blog, promove o I Seminário Intelectuais Negras e escritas de si, um espaço ativista acadêmico que objetiva conferir visibilidade ao protagonismo de mulheres negras na história do Brasil. A programação, comprometida com o enfrentamento ao racismo, ao machismo e à transfobia, é composta por uma mesa solene, uma para apresentação do trabalho do grupo e três rodas de saberes, estruturadas a partir de três eixos: racialização do cuidado, movimentos sociais e protagonismo acadêmico. Para maiores informações visitem a página do evento no Facebook:

Seminário Intelectuais Negras - flyer com logo  11.06.16

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Debate sobre o movimento “Escola sem Partido” e o direito à diversidade cultural
17 de Junho de 2016. 15:30 – Auditório
Fundação Casa de Rui Barbosa
Rua São Clemente, 134, Botafogo

O encontro é promovido pelo grupo Historiadores pela democracia, pela Anpuh Brasil, por professores e pesquisadores das seguintes instituições: Fundação Casa de Rui Barbosa, Casa de Oswaldo Cruz, UFRJ, UFRRJ, UFF, Unirio, PUC-Rio, UERJ, CPDOC, Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC), MAST, SBPC.

Ivana Stolze Lima (FCRB) (mediação)
Hebe Mattos (UFF)
Henrique Estrada (PUC-Rio)
Fernando Penna (UFF)
Monica Lima (UFRJ)
Ildeu de Castro Moreira (UFRJ e SBPC)
Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ)
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Com a Presidenta, pela democracia!

Dezenas de vídeos gravados por historiadores de todo o Brasil, com mensagens à Presidenta Dilma Rousseff e em defesa da democracia, estão disponíveis no grupo do facebook Historiadores pela Democracia. Alguns dos mais experientes profissionais do nosso ofício, professores universitários e jovens profissionais do ensino reunidos em uma verdadeira aula de história. Nós disponibilizamos os vídeos também aqui no blog. Os depoimentos são emocionantes e esclarecedores.

Aproveitamos também para divulgar o Encontro de Historiadores Pela Democracia com a Presidenta Dilma Rousseff que ocorrerá no próximo dia 7 de junho no Palácio da Alvorada, agendado para às 15 horas, organizado por iniciativa do BLOG, sob a coordenação de Hebe Mattos, Ana Flávia Magalhães Pinto, Beatriz Mamigonian (UFSC) e Tiago Gil (UNB). Cerca de 50 historiadores de todo o país,  entre eles a Vice-Presidente da Associação Nacional de História, Lucília de Almeida Neves, e James Green, brasilianista da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, se encontrarão com a Presidenta e lhe entregarão um vídeo/síntese do conjunto de depoimentos.

Pela manhã, no mesmo dia, convidamos a todos que estiverem em Brasília, para um debate sobre história e democracia com os participantes do encontro, a partir das 10 horas, no auditório da Biblioteca Central da UNB (Universidade de Brasília). Divulgaremos em breve, aqui no blog, a programação detalhada do evento, com a lista completa dos participantes.

Historiadores pela Democracia (clique no nome para ver o vídeo)

MANIFESTAÇÃO DA ANPUH NACIONAL CONTRA VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Leitura da moção da LASA repudiando o processo anti-democrático em curso no Brasil, LASA,  Latin American Studies Association, Nova York, 2016

James Green/  Brown University   e Leitura da moção da LASA repudiando o processo anti-democrático em curso no Brasil, LASA,  Latin American Studies Association, Nova York, 2016.

Laura de Mello e Souza/ Cátedra de História do Brasil/ Université Sorbonne_Paris IV

Sidney Chalhoub/ (por e-mail)/ Querida Presidenta Dilma, O Brasil não inventou o golpe “legal”, mas em nosso país a farsa é mais profunda e descarada. Um legislativo venal e um judiciário partidarizado insistem em cassar 54 milhões de votos. O golpe representa a força do passado na sociedade brasileira. As suas bandeiras são o privilégio de classe, a misoginia, o racismo e a corrupção. Resistir é afirmar os valores da democracia e da justiça social. Por isso seguiremos o seu exemplo: enquanto houver golpe, haverá resistência. Sidney Chalhoub, Professor de História do Brasil, Harvard University.

Claudia Viscardi/ Professora Titular do Departamento de História da UFJF

Durval Muniz de Albuquerque Jr/ Professor Titular da UFRGN

Gizlene Neder/ Professora Titular da UFF

Hebe Mattos/ Professora Titular de História do Brasil da UFF/ Blog Conversa de Historiadoras

Heloísa Starling/ Professora Titular da UFMG

Isabel Lustosa/ Casa de Rui Barbosa

Joana Maria Pedro/ Professora Titular da UFSC

João Fragoso/ Professor Titular da UFRJ

João Reis/ Professor Titular da UFBA // (por e-mail) // Bom dia Sra Presidenta! Me chamo João Reis, sou professor da UFBA, e me encontro no momento em Berlim a pesquisar, escrever, a acompanhar em estado de tensão (mas não desanimado) os acontecimentos recentes no Brasil. Brasil que, visto por grande parte da imprensa internacional relevante, sofreu um golpe de Estado. Presidenta, um dos métodos de trabalho mais usados pelo historiador se assemelha ao de uma investigação policial: começamos com hipóteses (ou “suspeitas”) e vamos aos documentos em busca de provas para confirmá-las ou não. A hipótese que muitos de nós – não apenas nós, é claro! – vínhamos sugerindo há alguns meses era a de que um golpe estava sendo gerado e que culminou com a abertura do processo de seu impedimento naquela lamentável sessão ca Câmara dos Deputados, e chefiado por quem!. Ora, com as gravações desse Sérgio Machado, temos o que chamamos de fonte segura a comprovar a hipótese do golpe, está tudo lá explicadinho. Espera-se a Justiça, cujos métodos de trabalho se assemelham ao dos historiadores, começará, pelo menos, a considerar a hipótese do golpe, avançando na coleta de provas e decidindo de acordo com elas. Um abraço, Sra. Presidenta!

Jurandir Malerba/ Professor no PPGH (Programa de Pós-Graduação em História) da UFRGS

Lilia Schwarcz/ Professora TItular de Antropologia da USP

Luiz Carlos Soares/ Professor Titular de História Moderna e Contemporânea da UFF

Marcus Carvalho/ Professor Titular da UFPE

Martha Abreu/ Professora Titular da UFF/Blog Conversa de Historiadoras

Regina Horta Duarte/ Professora Titular de História do Brasil da UFMG

Tom Gil/ Professor Titular de História da América Latina da UFES

Adriana Facina/Historiadora e Antropóloga do Museu Nacional/UFRJ

Alexandre Moraes/ Departamento de História da UFF

Alexsander Gebara / Professor Associado de História da África da UFF

Américo Freire/ CPDOC/FGV/Rio de Janeiro

Ana Flávia Magalhães Pinto / Doutora em História pela UNICAMP/ Blog Conversa de Historiadoras

Ana Flavia Ramos/ Departamento de História da Universidade Federal de Urbelância

André Honor/ Professor de História da UNB

Andrea Casa Nova Maia/ Professora do Instituto de História da UFRJ

Andréa Lisly/ Departamento de História da UFOP

Anita Almeida/ Departamento de História da UNIRIO

Anita Lucchesi/ Doutoranda Universidade de Luxemburgo

Anna Gicelle Garcia Alaniz/ Doutora em História pela USP

Artur Costa/ Mestrando em História – Universidade Federal de Urbelândia

Beatriz Mamigonian/ Departamento de História da UFSC

Benito Schmidt/ Departamento de História da UFRGS e ex-presidente da ANPUH

Carla Rodeghero/Departamento de História da UFRGS

Carlos Mizael/Professor de História

Caroline Silveira Bauer/ Departamento de História da UFRGS

Cecilia Azevedo/ PPGH da Universidade Federal Fluminense

Célia Tavares/ Faculdade de Formação de Professores da UERJ

Claudio Batalha/Departamento de História da UNICAMP

Cristina Scheibe Wolff/ Departamento de História da UFSC

Denilson Botelho/ Departamento de História da UNIFESP

Du Meinberg Maranhão/ Presidente da Associação Brasileira de História das Religiões

Dulce Pandolfi/CPDOC/FGV/Rio de Janeiro

Fabiane Popinigis/ Departamento de História da UFRRJ

Fernando Nicolazzi/ Departamento de História da UFRGS

Fernando Teixeira da Silva/ Departamento de História da UNICAMP

Flávio Limoncic/ Departamento de História da UNIRIO

Francisco Carlos Palomanes Martinho/ Professor Associado do Departamento de História da USP

George Cabral/ Departamento de História da UFPE

Giovana Xavier/Professora de História (Prática de Ensino) da Faculdade de Educação UFRJ/ Blog Preta Dotara na Primeira Pessoa/ Blog Conversa de Historiadoras

Isabel Guillen/ Departamento de História da UFPE

Iris Kantor/ Departamento de História da USP

Jaime Rodrigues/ Departamento de História UNIFESP

Juarez Silva Jr./ Ativista do Movimento Negro e Mestrando em História Social pela Universidade Federal do Amazonas (nessa ordem)

Juliana Gesuelli Meirelles/ Historiadora e Professora da PUC Campinas

Julio Claudio da Silva/ Departamento de História da UEA

Kátia Gerab Baggio/ Departamento de História na UFMG

Keila Grinberg/ Departamento de História da UNIRIO/Blog Conversa de Historiadoras

Laura Oliveira/ Departamento de História da UFBA

Leandro N. de Souza/ Doutorando em história social pela UFF

Leila Bianchi Aguiar/Departamento de História da UNIRIO

Lise Sedrez/ Professora no Instituto de História da UFRJ

Luís Eduardo de Oliveira/ Professor de História/ IFES Juiz de Fora

Luiz Alberto Grijó/ Departamento de História da UFRGS

Luiz Carlos Villalta/ Departamento de História da UFMG

Manoela Pedroza/ Professora no Instituto de História da UFRJ

Márcia Chuva/ Departamento de História da UNIRIO

Maria Regina Celestino de Almeida/ Departamento de História da UFF

Mariana Muaze/ Departamento de História da UNIRIO

Monica Lima/ Professora de História da África do Instituto de História da UFRJ/ Blog Conversa de Historiadoras

Nancy Assis/ Professora de História da Universidade Estadual da Bahia (UEB)

Paula Vermeersch/ Professora na Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquista Filho (UNESP)

Paulo Cavalcante/ Departamento de História da UNIRIO

Paulo Pinheiro Machado/ Departamento de História da UFSC

Plínio Ferreira Guimarães/ Professor do Instituto Federal do Espírito Santo

Priscila Faulhaber/ Museu da Astronomia e Ciências Afins

Rafael Ioris/ Professor de História Latino-Americana na Universidade de Denver

Renan Siqueira/ Aluno do Programa de Pós-Graduação em História do Rio de Janeiro

Ricardo Salles/ Departamento de História da UNIRIO

Rodrigo Camargo de Godoi/ Estágio de Pós-Doutoramento em História da UNICAMP

Rodrigo De Azevedo Weimer/ Historiador na Fundação de Economia e Estatística do RGS.

Silvia Petersen/ Professora do PPG da UFRGS (por email) / Prezada Hebe/ Quem escreve é Silvia Regina Ferraz Petersen, professora do Departamento de História da UFRGS e ficaria muito agradecida se pudesses incluir meu nome em todas as manifestações de apoio que estás organizando para a Presidenta Dilma, com tantos   colegas historiadores. Esta mulher forte e honesta tem que conhecer o quanto a estimamos e reconhecemos seu trabalho dedicado para a democratização da sociedade brasileira. Este golpe é uma vergonha! Fica Dilma! / Atenciosamente, Silvia Petersen

Tania Bessone/ Departamento de História da UERJ

Tiago Gil/ Departamento de História da UNB

Wagner Teixeira/ Departamento de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro  e Presidente da ANPUH/MG.

Wilton Silva/ Departamento de História/ UNESP/ Campus Assis.

Yuri Soares/ Professor de História da Secretaria de Educação do Distrito Federal

Wlamyra Albuquerque/ Departamento de História da UFBA

Ivana Lima (Casa de Rui Barbosa), com Alvaro Nascimento (UFRRJ), Gabriela Sampaio (UFBA), Lucilene Reginaldo (UNICAMP); Marcelo Balaban (UNB), Maria Clementina Cunha (UNICAMP), Martha Abreu (UFF), Silvia Lara (UNICAMP)// Fora Temer

“A LASA denuncia o atual processo de impeachment em curso no Brasil como antidemocrática e encoraja os seus membros a chamar a atenção do mundo para os precedentes perigosos que este processo estabelece para toda a região. Esta moção foi aprovada pelo comitê executivo da Associação de Estudos Latino Americanos e agora será votado por seus membros em um plebiscito.” Vídeo Midia Ninja com James Green – Universidade de Brown e acadêmicos presentes na LASA, 2016 (Nova York).

Carta de André de Castro de entrega da serigrafia em tela  #Democracia (imagem abaixo) à Presidenta, durante a visita do grupo historiadores pela democracia ao Palácio da Alvorada, em 7 de junho de 2016.

(esta lista será atualizada com as novas ocorrências)

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HistoriadorXs Pela Democracia

O blog Conversa de Historiadoras e o grupo Historiadores pela Democracia estão organizando um ato em defesa do estado democrático de direito, a começar às 10 horas, do dia 7 de junho, no auditório da Biblioteca Central da UnB. À tarde, estamos preparando um encontro com a Presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros e ilegalmente afastada do poder, com a presença de um representante da diretoria da ANPUH Nacional. Convidamos todos os colegas de profissão que estão mobilizados na defesa da democracia brasileira a depositarem um depoimento em vídeo, de até um minuto, no grupo do Facebook Historiadores pela Democracia, até a próxima quarta-feira. No encontro, previsto para acontecer no Palácio da Alvorada, está programada a exibição de um vídeo/clip com a edição dos vídeos reunidos. Neste post, divulgamos os depoimentos das historiadoras do Blog. Clique nas fotos para ver os vídeos.

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Hebe Mattos

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Martha Abreu

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Ana Flávia Magalhães Pinto

Screen Shot 2016-05-23 at 2.06.10 PM

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Keila Grinberg

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Fogo no Canavial! Dossiê 13 de Maio

Uma Data Para Refletir e Celebrar/ por Hebe Mattos

O blog conversa de historiadoras não poderia deixar o 13 de maio passar em branco. Desde que combinamos a atual sequência de artigos, programamos, para este domingo, um dossiê com pequenos textos de todas nós refletindo sobre a data. No contexto político atual, porém, refletir sobre este 13 de maio em que se comemora 128 anos da abolição legal da escravidão no Brasil ganhou um significado ainda mais especial.

O título do dossiê vem de um post da historiadora Wlamyra Albuquerque em sua página no facebook, que eu peço licença para citar:

7 homens brancos perfilados no poder. É 13 de maio. Uma multidão rodeava José do Patrocínio. Era 13 de maio de 1888. No ar, o cheiro de canaviais queimados no Recôncavo baiano por ex-escravos apontava o alvo, os senhores brancos poderosos. Ontem, eram só 80 mil com o brilho nos olhos e sangue rebelde nas ruas. A juventude nos lidera. Em 1888, uma multidão gritava que a abolição foi conquista negra. Patrocínio alertava: a bandeira da liberdade está sempre em risco. Hoje é o treze de maio de luta. A bandeira da liberdade segue carregada pela juventude negra, pobre, feminina, LGBT e guerreira. Se a luta é antiga, a batalha é pra hoje: treze de maio de 2016. Fogo nos canaviais!

O post de Wlamyra está compartilhado no grupo Historiadores Pela Democracia. Criado por iniciativa do blog como forma de resistência ao atentado à democracia que estamos vivendo, já conta com mais de mil participantes. Também eu registrei a importância da desobediência civil dos libertos para que o 13 de maio de 1888 acontecesse e me emocionei com uma imagem compartilhada nas redes sociais.

Desobediência civil

Arte: Moisés Patrício

Mas 13 de maio de 2016 não foi apenas um dia de resistência democrática. Foi um dia de tristeza para todos os brasileiros e, em especial, para os descendentes dos últimos libertos do Brasil, a geração dos 13 de maio. Alguns de seus netos ainda vivos, como Manoel Seabra do Quilombo São José, viram o novo governo interino e ilegítimo interromper com uma canetada a política de titulação de terras quilombolas pelo INCRA. Impossível não evocar uma outra simbologia também fortemente ligada à data da abolição, sua incompletude.

“O 13 de maio marca o fim formal da escravidão no Brasil. Processo cujo desfecho é similar ao que vivemos hoje: rebote conservador depois de maré reformista”, escreveu Ângela Alonso, em outro post.

O 13 de Maio terá sempre múltiplos significados, por isso é uma data tão rica para pensarmos o presente. Dia da maior reforma social e política do Brasil, a aprovação da chamada Lei Áurea tornou ilegal uma instituição infame que estruturou por três séculos a história da colonização portuguesa na América e a construção do primeiro estado nacional brasileiro. O dia 13 de Maio deixou de ser feriado no Brasil, mas se tornou o Dia dos Pretos Velhos nas tradições religiosas afro-brasileiras. Dia de festa, dia de luta contra o racismo, dia de reflexão, dia de celebração.

Treze de Maio também é dia de negro! / por Ana Flávia Magalhães Pinto

A Gazeta de Notícias, em 14 de maio de 1888, informava a seus leitores:

“Reuniram-se anteontem, a convite da Sociedade Cooperativa da Raça Negra, os delegados de diversas corporações de descendentes da mesma raça, a fim de deliberarem sobre os meios de agradecer àqueles que trabalharam para o acontecimento glorioso que, para honra de nossa pátria, completou-se sem a menor perturbação na ordem pública, e resolveram nomear uma comissão executiva dos festejos, que apresentará o programa destes, sendo um deles um Te-Deum na igreja da venerável irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito”.

Efetivamente, para além do que aconteceu no interior do Paço Imperial, não foram poucas as pessoas que se encheram de expectativa sobre o futuro nos dias que antecederam e sucederam o 13 de maio de 1888. Mais do que isso, na contramão de várias versões construídas ao longo do tempo, não foram poucas as mulheres e homens negros que estavam nas ruas ou que foram nelas lembrados como responsáveis pela chegada ao momento da assinatura da lei que extinguia formalmente a escravidão no Brasil. Entre lembrados e esquecidos atualmente, sobressaíam-se Luiz Gama, Ferreira de Menezes e José do Patrocínio, por exemplo.

Abolicionistas

Arte: Vitor Epifãnio, 2015.

Aspecto central da minha pesquisa de doutorado, o interesse por essa presença negra nas lutas abolicionistas, entretanto, me foi despertado por uma espécie de afirmação da ausência sugerida em falas de pessoas um pouco mais velhas como forte justificativa para a defesa do 20 de Novembro, visto como uma data mais legítima para simbolizar as lutas contra o racismo e a discriminação racial no país. A denúncia da “falsa abolição” – bastante documentada pelo Acervo Cultne − levava muita gente do final do século XX a dissociar aquele ato do governo imperial da ação política negra. Entre os vários registros em que esse discurso aparece, a contar do fim dos anos 1970, destacaria ainda as músicas produzidas por compositores e grupos afros. Martha Rosa Queiroz, na tese em que problematiza a dicotomia entre cultura e política no fazer das organizações negras pernambucanas entre 1979 e 1995, cita uma série de exemplos, entre os quais “Dia de Negro”, música de Zumbi Bahia, para o Bloco Quilombo Axé:

“Irmãos e irmãs assumam sua raça assumam sua cor/ Essa beleza negra Olorum quem criou/ Vem pro Quilombo Axé dançar em nagô/ Todos unidos num só pensamento/ Levando à origem desse carnaval/ Desse bloco colossal/ Pra denunciar o racismo/ Contra o apartheid brasileiro/ 13 de Maio não é dia de negro/ 13 de Maio não é dia de negro/ Quilombo axé, colofé, colofé, colofé, Olorum”.

Em face desse aparente choque de temporalidades, penso que fazer o papel de juiz/a das razões e estratégias adotadas por ativistas negros/as − que naquele momento intentavam promover o desmonte do mito da democracia racial e, ao mesmo tempo, reposicionar o lugar de africanos e seus descendentes na história nacional − não figura como a melhor opção para quem está interessado/a na compreensão das experiências negras numa perspectiva histórica. Sobretudo neste momento em que julgamentos ilegítimos de natureza comum conduzem o país mais uma vez a cenários trágicos.

Afinal, pelo menos ainda é consenso entre historiadores/as que a abolição, seguida de uma série de manobras que inviabilizaram um debate sério sobre a formulação de políticas de apoio ao trabalhador nacional, mantém-se como um tema que desperta interesse justamente por estar repleta de conflitos. Por outro lado, como sabiamente me disse Luiza Bairros, referência do movimento negro e de mulheres negras, numa dessas conversas que impulsionam uma vida inteira: Nós não tínhamos elementos para fazer uma outra leitura do 13 de Maio. A recuperação dessa outra história está nas mãos de vocês que estão chegando às universidades em maior quantidade e num outro cenário – tal como me recordo.

Por isso, neste 13 de Maio de 2016, marcado pela entrega da demarcação das terras dos remanescentes das comunidades quilombolas nas mãos do deputado José Mendonça Bezerra Filho (DEM-PE), agora ministro da Educação e Cultura; e pelo início do Encontro Nacional de Estudantes e Coletivos Universitários Negros (EECUN), na UFRJ, eu preferi alimentar minha aposta de que, em se tratando de história do Brasil, não dá para abrir mão de toda e qualquer experiência de resistência empreendida pelos vários segmentos populacionais subalternizados no Brasil. Sendo assim, não dá para deixar o dia passar em branco, sem dizer que “Treze de Maio também é dia de negro”! E para embalar essa celebração da memória de luta, nada melhor do que os versos de Seu Wilson Moreira e Nei Lopes, em seu “Jongueiro Cumba“: “O dia tanto treze quanto vinte / Avia que o negócio é o seguinte: / Um é feriado novo / O outro é de todo esse povo / Vamos os dois festejar”.

É uma questão política, como insiste o orador/ Por keila Grinberg

“A questão não é de sentimentalidade, é uma questão política, insiste o orador. Com finanças já arruinadas, com uma dívida publica que vai crescendo a passos agigantados, com as fontes de produção ameaçadas, é preciso que os representantes da Nação sejam mais cautelosos. Abra-se o relatório do Ministério da Fazenda, vejam-se os balanços do Tesouro, coteje-se a renda arrecadada nas alfândegas, visto que os nossos tributos consistem quase que exclusivamente em direitos de exportação e direitos de importação. Encontram-se aí lições eloqüentes.”

 O orador em questão é o deputado Andrade Figueira. O discurso foi proferido em 9 de maio de 1888. A cautela que ele recomendava? A iminente e imediata abolição da escravidão, grande problema para os lavradores de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Melhor ter cautela, argumentava ele, já que dois terços das rendas públicas destas províncias, as mais produtivas do país, eram baseadas no trabalho escravo. “Quer-se agora extinguir tudo isso: já pensou no resultado que este acontecimento acarretará para as rendas públicas?” Andrade Figueira votou contra a aprovação da lei que extinguia a escravidão. Defendia a indenização aos proprietários de escravos. E queria ainda que o governo os ajudasse, criando uma linha de crédito para se adaptarem aos novos tempos do pagamento de salários, não fazendo sofrer, assim, “a produção nacional e as rendas públicas em sua marcha ascendente. Mas querer destruir sem edificar é expor a pátria a um grande perigo!”, alertava Figueira. “É expor o crédito público, que está comprometido por somas importantes nas praças estrangeiras e por contratos solenes com companhias estrangeiras, a azares perigosos.”

Qualquer semelhança entre o nobre deputado e aqueles que hoje defendem retrocessos nas conquistas sociais em nome do equilíbrio nas contas públicas e da defesa dos interesses privados não é mera coincidência. Mas veio o 13 de Maio e a História reservou lugar de honra a Figueira: o esquecimento. Que o destino reservado a seus tataranetos políticos seja o mesmo. Afinal, dentre os membros da Câmara dos Deputados daquele célebre maio de 1888, de quem você já ouviu falar? Andrade Figueira ou Joaquim Nabuco?

Sexta-feira 13 (DE MAIO)/ por Giovana Xavier

São conhecidas as disputas pela memória oficial da abolição da escravatura no tempo presente, disputas estas simbolizadas pela contraposição entre o 13 de Maio, data de assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, e o 20 de Novembro de 1695, dia em que Zumbi, líder do quilombo dos Palmares foi morto lutando pela liberdade sua e dos palmarinos. Tal guerra de narrativas entre o 20 e o 13 iniciou-se em debates travados no âmbito do recém criado Movimento Negro Unificado no fim dos anos 1970, conforme pontuou Ana Flavia Magalhães Pinto em seu post. Particularmente, acho que o 13 de Maio é um dia que também deve ser reconhecido como parte das nossas lutas, afinal de contas a abolição foi feita à base de muita “raça” e ativismo de pessoas negras que recusaram até o fim a condição de escravizadas. Além disso, a despeito de todos os limites e imprecisões que a ideia de liberdade carrega em seu bojo, o 13 representa um marco. Daquela data em diante, as categorias senhor e escravo deixaram de existir do ponto de vista jurídico, embora na prática ainda hoje sejam reatualizadas através de processos de racialziação que naturalizam hierarquias socialmente construídas entre negros e brancos não somente no Brasil, mas em todas as sociedades pós-escravistas. Em meio a esta guerra de narrativas, foi muito significativo ter participado da mesa solene “Fortalecer para Permanecer: Uma permanência estudantil para muito além de moradia e alimentação” do I Encontro de Estudantes e Coletivos Negros Universitários, sediado na UFRJ, justamente no dia 13 de Maio de 2016. Falar com mais de 1.500 jovens negros, com tonalidades de pele, texturas de cabelos, sexualidades, gêneros e classes plurais, leva-nos a pensar que estas juventudes negras têm nos ensinado – na prática – a lutar por sentidos de liberdade que deem conta das nossas experiências como pretxs.

EECUN- geral

Fonte: Página do EECUN no Facebook

Autônomo e organizado sob os princípios da auto-gestão, o EECUN possui uma estrutura que abarca dezenas de coletivos universitários negros espalhados por todo o Brasil, dentre eles, o respeitado Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus (UFRJ), conhecido por suas articulações entre academia e movimentos sociais como o Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto e também, não menos importante, pelo diálogo horizontal com o Sindicato das Trabalhadoras Terceirizadas da UFRJ, com que as e os integrantes do coletivo como Caroline Amanda Lopes Borges, Nayara Silva e Denilson Souza mantêm estreita relação, fazendo aflorar não apenas sentidos de ativismo que articulam classe, raça, gênero e geração, mas também distinguindo-se das estruturas clássicas dos movimentos estudantis (DCE e Centros Acadêmicos), com pouco espaço para diálogos com as classes trabalhadoras. Na sexta-feira 13 do EECUN, viajei para longe, lembrando-me da Missa da Abolição narrada por ninguém menos que Lima Barreto:

Estamos em maio, o mês das flores, o mês sagrado pela poesia. Não é sem emoção que o vejo entrar. Há em minha alma um renovamento; as ambições desabrocham de novo e, de novo, me chegam revoadas de sonhos. Nasci sob o seu signo, a treze, e creio que em sexta-feira; e, por isso, também à emoção que o mês sagrado me traz se misturam recordações da minha meninice. Agora mesmo estou a lembrar-me que, em 1888, dias antes da data áurea, meu pai chegou em casa e disse-me: a lei da abolição vai passar no dia de teus anos. E de fato passou; e nós fomos esperar a assinatura no Largo do Paço.

Foto da Missa Campal

Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil”. Antonio Luiz Ferreira, 1888”.

Enquanto pensava na narrativa de Lima Barreto, olhava para aquela plateia repleta de estudantes negros, ciosos por darem continuidade à escrita de suas próprias histórias. Saltou-me aos olhos uma delas, com seu casaco preto escrito em letras garrafais brancas “Mães de Maio”, uma referência ao movimento de mulheres que perderam seus filhos em razão da violência policial e da naturalização do genocídio da população negra em São Paulo. Como não pensar nos dizeres no agasalho em conjunto com a frase ostentada na legenda a uma das imperdíveis fotos do encontro?

13 de maio, dia nacional de luta contra o racismo.
Que esse 13 de maio seja lembrado como o dia de luta do EECUN – Encontros Nacional de Estudantes e Coletivos Universitários Negros.
Um dos grandes passos pra uma verdadeira abolição.

Agora mais do que nunca, precisamos ouvir e aprender com as Mães de Maio quando elas dizem “escrevemos na guerra”. Em tempo: Feliz 13 de Maio!

Mães de MaioFoto: Carta das Mães de Maio da Democracia Brasileira a Presidente Dilma Vana Roussef (à esq. a Presidenta Dilma Rousseff, à dir. Debora Silva Maria)

O 13 de maio e os olhos do mundo/ por Mônica Lima

De um lado e outro do Atlântico se celebrou a assinatura da lei de 13 de maio de 1888. A abolição da escravidão no Brasil foi festejada naquele ano durante vários dias na cidade de Lagos, na atual Nigéria, na África Ocidental. Solenidades com discursos de importantes personalidades, cerimônias religiosas e um grande baile marcaram o início das comemorações oficiais, seguidas por diversas celebrações com queima de fogos, uma sessão teatral, apresentações musicais, um desfile de carnaval e um baile à fantasia. Nas ruas, praças e igrejas de Lagos a população se reuniu para cantar e dançar a abolição da escravidão no Brasil. Diversos jornais locais como o Lagos Observer destacaram e saudaram a lei por meio de artigos e editoriais. Destacaram a importância do fim da escravidão para as populações da África, para a paz e boas relações com o nosso país. Essas e outras histórias que remetem ao significado da lei são narradas, a partir de pesquisa em periódicos lagosianos, na excelente tese de doutorado sobre a comunidade de brasileiros em Lagos recentemente defendida na USP pela historiadora Angela Fileno da Silva.

Não foram somente os africanos a saudar a abolição da escravidão no nosso país. Outros jornais de diferentes partes do mundo, especialmente na Inglaterra, noticiaram a medida e a celebraram, reconhecendo como um marco para um outro Brasil no cenário mundial. Hoje, cento e vinte e oito anos depois, são outros os destaques da imprensa internacional sobre o Brasil. Aparecemos como um país em que um grupo de políticos corruptos fez aprovar sem nenhuma base consistente, num visível e ardiloso golpe, o processo de impeachment contra uma presidenta eleita com 54 milhões de votos e que promovera políticas públicas progressistas e dirigidas à população mais carente – que, no nosso país é sobretudo negra.

A lei de 13 de maio de 1888 resultou da ação do movimento social abolicionista e da luta de escravizados e de libertos que, com atitudes e argumentos, pressionaram e criaram diversas situações de rebeldia, em ações coletivas e individuais. Fugas, formação de quilombos, rebeliões e campanhas públicas fizeram da abolição uma causa de muitos e um desejo da maioria. Juntamente à campanha internacional abolicionista, tornaram insustentável a continuidade do cativeiro no Brasil. As narrativas das experiências de africanos escravizados que conseguiram a liberdade, quando divulgada nos meios da época, causava comoção e contribuía para aprofundar o forte apelo da onda abolicionista.

 https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c8/Biography_of_Mahommah_G._Baquaqua.jpg/220px-Biography_of_Mahommah_G._Baquaqua.jpgBiografia de Baquaqua, africano liberto que quando escravizado foi trazido ao Brasil

Hoje também estamos frente a sérias ameaças aos processos de reconhecimento dos direitos dos quilombolas, herdeiros diretos dessa história de luta pela liberdade. Uma das primeiras medidas do governo Temer alterou os trâmites para o reconhecimento dos direitos de propriedade aos territórios de quilombo – que incluem, em sua acepção mais completa, comunidades quilombolas urbanas como o Quilombo da Pedra do Sal, na zona portuária do Rio de Janeiro. Trata-se de direitos reconhecidos pela Constituição de 1988 –  ano do centenário do 13 de maio. Segundo avaliação de historiadores comprometidos com a causa quilombola, há perigo de um retrocesso.

Nesses tempos de ameaça às conquistas negras e populares devemos aprender com os quilombolas que a obtenção da real liberdade resulta de uma luta permanente, e ao mesmo tempo celebrar as conquistas de forma a não esquecer que vale a pena continuar lutando. #VaiTerLuta

fogueira e tio mane

Festas de 13 de maio/ por Martha Abreu

Não sei bem os motivos, mas sempre achei que as festas tinham algo muito especial,  difícil de explicar  quando se é criança. Talvez porque as festas fossem lugares onde todos estavam alegres – ou pareciam alegres (pois  eram inevitáveis conflitos); locais de encontro, música e riso. Na minha família e na minha escola, as festas exigiam nossa presença, com o que tínhamos de melhor e de mais bonito. E ainda planejávamos o futuro: as festas do ano que vem sempre seriam melhores! Eu chegava a perceber também que as festas davam o maior trabalho…e não era pequeno o esforço de organizar as comidas, bebidas, musicas, danças e, talvez o mais difícil, a escolha dos convidados. Quem iria? Quem seria barrado? As festas exigiam certa arte política e muitas costuras entre as várias identidades. Quem entrava e quem ficava de fora…

Minha formação, e provavelmente, a de todos nós passou pelas festas. Nos tornamos cariocas, baianos, gaúchos, brasileiros,  sambistas, pagodeiros  ou jongueiros ali, vivendo os aniversários, casamentos, carnavais, viradas de ano, festas juninas, festas de santo …tantas festas. Dizia minha saudosa amiga Ana Lugão que, brincando o carnaval, cumpríamos nosso dever cívico de tornar nossas filhas brasileiras e cariocas.

Quando cresci, algo aconteceu e minhas memórias das festas começaram a não combinar com o que eu lia. Aprendi na faculdade de História, lendo importantes teóricos, que as festas eram válvulas de escape da realidade, ou lugares para a celebração de tradições conservadoras, em geral católicas. A religião também alienava.

Ainda bem que os tempos mudaram, junto com a historiografia e com os movimentos políticos (será vice-versa?).  Os movimentos pela redemocratização, a partir do final dos anos 1970,  iriam reconciliar minhas memórias infantis com as novas vivências das festas. A esquerda começou a levar mais a sério as festas, incorporando a alegria e a musica em seus comícios. Não foi mesmo por acaso que escrevi o Império do Divino, festas e cultura popular no Rio de Janeiro, no século XIX, nos primeiros anos da década de 1990. Muita coisa tinha mudado.  As festas não eram mais lugar para esquecer e fugir, mas para lembrar, lembrar de pessoas, de histórias  e de conquistas; lugar de renovar os encontros e as esperanças.  Tornei-me historiadora das festas.

Foi com enorme emoção que, pela primeira vez, assisti as festas  do 13 de maio do quilombo de São José da Serra, em 2003 ou 2004, a partir de convite de Hebe Mattos.  Ali estavam, e sempre estiveram, todas as possibilidades culturais, políticas e sociais das festas. O jongo marcava a identidade negra e as memórias de um cativeiro, que  não podia ser esquecido; a fogueira unia todos, velhos e jovens,  com os antepassados; os pretos velhos, abençoavam  os participantes  e renovavam as energias; as festas teciam solidariedades internas e externas na luta por um futuro melhor, a partir da identidade quilombola,  do direito à terra e das ações de reparação.  A feijoada trazia alegria ao corpo e à alma. Ali, passado, presente e futuro se encontravam.

Em 2005, o IPHAN considerou  o jongo  Patrimônio Cultural do Brasil a partir de uma demanda de São Jose da Serra e do Jongo da Serrinha, com o apoio de todos os grupos jongueiros do velho sudeste escravista.  Cultura e  Festa tornavam-se oficialmente patrimônio e direito,  bandeira de luta política para muitas conquistas.

Em pouco tempo, muitas outras festas trilharam esse caminho,  que já tinha sido aberto com samba de roda baiano. Tornaram-se Patrimônio Cultural Brasileiro maracatus,  cocos,  bois,  matrizes do samba carioca etc.

Em tempos tão difíceis que se avistam agora, só posso  esperar  vida longa para as festas!!!  Festas que mantenham as esperanças; festas que celebrem memórias de conquistas e direitos! Festas que, como as festas do 13 de maio de São José,  não podem ser esquecidas.

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A “insurreição dos hipócritas”: base social e ideologia. Sidney Chalhoub

As historiadoras futuras da Bruzundanga haviam passado a semana a matutar sobre cousas que tinham lido a respeito das mulheres daqueles tempos interessantes, vários milênios antes do Apocalipse. Não acabavam de entender o que significavam aquelas palavras: “recatada”, “do lar”, “bela”. Havia também uma matéria enigmática, sobre ataque de nervos ou de histeria de mulher em cargo de poder. Jamais tinham visto tais adjetivos pespegados em pessoas como elas próprias. Não logravam saber ainda o que aquilo tudo significava quando uma delas saltou para trás, ao ler o título de um texto de época: “Aufstand der Scheinheiligen” (Der Spiegel), ou a “insurreição dos hipócritas”. A língua germânica havia desaparecido havia muito, mas sobrevivera a fama de seriedade dos alemães. Por isso espantava aquele título de matéria sobre a votação do impichamento da presidenta da Bruzundanga na câmara baixa do parlamento.

Curiosas por vício do ofício delas, as historiadoras seguiram a pista. Acharam de pronto um documento jurídico de erudição supimpa, na qual acusadores dum ex-presidente que era também um ex-operário citavam a parceria de dois filósofos alemães, Marx e Hegel, na autoria de escritos mui subversivos. Uma delas identificou, no douto parecer, um erro de ortografia de somenos importância no nome de um dos filósofos; no entanto, o que importava era a constatação de que na Bruzundanga se conhecia a excelsa filosofia teutônica. Logo adiante, eis que surge um provérbio popular: “Die dümmsten Bauern ernten die dicksten Kartoffeln”, que quer dizer mais ou menos o seguinte: “Os camponeses mais estúpidos colhem as maiores batatas”. Estupor geral. Todas gritaram ao mesmo tempo:  “Ao vencedor, as batatas!”, “Quincas Borba!”, “Machado de Assis!”. Atordoadas, porém de novo esperançosas, reabriram o grosso volume comentado das Memórias póstumas de Brás Cubas, o tratado-mór de sociologia bruzundanguense.

Machado de Assis, estudante de alemão, surrara o dicionário para ler o artigo do Der Spiegel e empacara numa passagem dele, na qual se dizia… As leitoras sabem alemão? Eu tampouco, mas aqui vai outra algaravia dos infernos: “ein großer Teil der brasilianischen Gesellschaft strukturell konservativ gesinnt ist”. Quer dizer, a “insurreição dos hipócritas” tornara-se possível devido ao apoio que recebera de parte da sociedade bruzundanguense “estruturalmente conservadora”. Num achado de endoidecer críticos literários de qualquer tempo, as historiadoras reconstituíram uma passagem riscada nos manuscritos das Memórias póstumas, em que Machado de Assis, num posfácio, afirmava que um de seus objetivos no volume fora destrinchar a ideologia da classe brascúbica, a base social dos insurretos da câmara baixa.

Foram vários dias de releitura lenta das Memórias póstumas, de insônia, de descobertas horripilantes, até que as historiadoras do futuro elaboraram um esquema das principais ideias do golpe de abril de 2016, conhecido nos anais históricos da Bruzundanga como “A Grande Usurpação”. Ficaram tão estupefatas com suas descobertas que decidiram escrever um livro sobre o tema. Aqui vai o breve roteiro dos capítulos, que me trouxeram em mãos:

Capítulo I: Misoginia. Nos capítulos iniciais das Memórias, Brás Cubas, o defunto autor, narra a sua própria morte. Num deles, “O delírio”, revela ao mundo as suas alucinações mentais nos instantes derradeiros. Montado num hipopótamo, Brás Cubas é forçado a viajar até “à origem dos séculos”. Após devorar muito caminho, o animal estaca numa imensidão branca e gelada, silenciosa como o sepulcro. Eis que surge “um vulto imenso, uma figura de mulher… fitando-me uns olhos rutilantes como o sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano, porque os contornos perdiam-se no ambiente, e o que parecia espesso era muita vez diáfano”. A mulher diz se chamar “Natureza ou Pandora”, e completa em voz tonitruante, seguida de uma gargalhada fenomenal: “sou tua mãe e tua inimiga”. Em certo momento, afirma o narrador, Pandora “estendeu o braço, segurou-me pelos cabelos e levantou-me ao ar, como se fora uma pluma”. Indefeso, frágil, Brás implora pateticamente por um minuto a mais de existência. A grande mãe Natureza responde com um desdém do tamanho de todos os séculos: “Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada”. O temor visceral e primitivo de Brás pelas mulheres, o seu receio de ser dominado por elas, é metáfora da monomania ou patologia social da classe brascúbica diante de mulheres livres e insubmissas, como a presidenta da Bruzundanga. Desesperados, unem-se para combatê-la, como se vê pela súcia variadíssima de sujeitos engravatados e lúgubres sempre a cercar a presidenta. Será possível desenvolver o tema por meio do cruzamento de várias fontes, como, por exemplo, aquela faixa de uma manifestação popular: “Quando a mulher é livre, os marmanjos surtam”.

Capítulo II: Racismo. Brás Cubas se considerava o maior fodão com as mulheres (pedimos desculpas aos homens de épocas remotas da Bruzundanga, que sabemos mui recatados, mas não há jeito melhor de descrever as ilusões brascúbicas diante das personagens femininas). Uma de suas conquistas chamava-se Eugênia, “a flor da moita”. A menina era filha de dona Eusébia e de Vilaça, homem casado e sisudo (segundo O Sensacionalista, 97% dos parlamentares que citaram deus e a família em seus discursos de voto pró-impichamento têm amantes, alguns deles até mesmo concubinas teúdas e manteúdas), num caso extraconjugal que fora objeto de uma travessura de Brás na infância. Os namorados clandestinos trocaram um beijo atrás da moita, visto e denunciado pelo menino, dando a Brás a ideia da alcunha citada acima, de “flor da moita”, que atribuiu à pequena. Eugênia foi a única mulher por quem Brás teve uma inclinação séria, sentindo-se de fato ameaçado pela possibilidade de amá-la. Diante de semelhante perigo, o mancebo reage com determinação viripotente. Numa série de agressões, ele debocha do defeito físico da menina, que era um pouco coxa de nascença: “O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?”. Além da obsessão brascúbica com o belo feminino, que a passagem permite explorar, dela se segue o episódio do beijo de Brás em Eugênia, durante o qual o maganão pensa “na moita, no Vilaça, …a suspeitar que não podias mentir ao teu sangue, à tua origem”. Em ritmo vertiginoso de alusões irônicas, Machado de Assis faz com que Brás veja Eugênia, cujo nome significa “a bem-nascida”, como naturalmente inferior, logo imprópria para casar com ele, relacionando-a inclusive com uma borboleta preta que acabara de matar em seu quarto, a golpe de toalha: “Por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora; foi o que eu fiz; lancei mão de uma toalha e enxotei essa outra borboleta preta, que me adejava o cérebro”. A negritude da borboleta e o defeito físico da menina se articulam na cabeça de Brás, resultando no projeto de eliminação desse Outro indesejável ou incômodo. O tema está ligado a vários eventos contemporâneos da Bruzundanga, como a reação brascúbica às políticas de ação afirmativa e à vinda de médicos cubanos ao país. Ele pode ser explorado por meio da análise de muitas fotos e faixas de manifestações populares, como esta: “A casa grande surta, quando a senzala vira médica”.

Capítulo III: Privilégio e ódio de classe. Brás Cubas achava que a sua condição de proprietário de cousas e gente escravizada tinha origem na natureza, era assim porque tinha de ser. O seu filósofo preferido, Quincas Borba, resumiu certa vez o modo de ver o mundo da classe brascúbica, no que tange ao seu suposto direito natural de explorar o trabalho dos outros, em especial dos negros, para sempre. Ao almoçar, trinchando uma coxinha de frango, Quincas Borba diz assim: “Mas eu não quero outro documento da sublimidade do meu sistema, senão este mesmo frango. Nutriu-se de milho, que foi plantado por um africano, suponhamos, importado de Angola. Nasceu esse africano, cresceu, foi vendido; um navio o trouxe, um navio construído de madeira cortada no mato por dez ou doze homens, levado por velas, que oito ou dez homens teceram, sem contar a cordoalha e outras partes do aparelho náutico. Assim, este frango, que eu almocei agora mesmo, é o resultado de uma multidão de esforços e lutas, executados com o único fim de dar mate ao meu apetite”. Que maravilha! O mundo inteiro conspira para que o coxinha trinche a coxinha! A imagem se completa numa espécie de antropofagia de classe, pois a grã-finagem brascúbica, paradoxalmente, parece ter certo prazer mórbido na extinção daqueles cujo trabalho produz tudo o que podem usufruir. Quando dona Plácida, criada de Virgília, alcoviteira de seus amores com Brás, está à morte, Brás faz a seguinte reflexão: “Depois do almoço fui à casa de D. Plácida; achei um molho de ossos, envolto em molambos, estendido sobre um catre velho e nauseabundo; dei-lhe algum dinheiro… morreu uma semana depois. Minto: amanheceu morta; saiu da vida às escondidas, tal qual entrara”. Em seguida, Brás se pergunta se houvera alguma justificativa para a  existência de dona Plácida. Responde assim: “adverti logo que, se não fosse D. Plácida, talvez os meus amores com Virgília tivessem sido interrompidos, ou imediatamente quebrados, em plena efervescência; tal foi, portanto, a utilidade da vida de D. Plácida. Utilidade relativa, convenho; mas que diacho há absoluto nesse mundo?”.

Capítulo IV: Corrupção. Como é sabido, a classe brascúbica teve origem no maior caso de corrupção da história da Bruzundanga, cousa nunca jamais vista, antes ou depois em qualquer época, até o fim dos tempos. Nem o hipopótamo do delírio de Brás seria capaz de levá-lo a outras terras tão gélidas e sombrias. Mais de setecentos e cinquenta mil africanos foram escravizados ilegalmente e introduzidos no país por contrabando entre 1831 e 1850. A expansão do café, donde vem a riqueza brascúbica, surgiu da exploração do trabalho dessa gente criminosamente escravizada. Segundo a Federação das Indústrias da Tucanolândia (província mais rica da Bruzundanga), em informação que oferecemos aqui num furo de reportagem histórica, “O país tem o dever moral, político e econômico de aprofundar ações afirmativas destinadas a reparar esse crime contra a humanidade. Todos os nossos recursos ficam doravante à disposição do Estado bruzundanguense para tal fim”. Apesar desse fato novo e alvissareiro, Machado de Assis demonstra, em sua obra seminal, que a classe brascúbica tem o costume de perdoar os atos de corrupção em suas fileiras. No romance, a personagem do traficante de escravizados é simbolizada pela figura de Cotrim, cunhado de Brás, torturador de africanos. No entanto, Brás se mostra bastante compreensivo com o seu parente: “Como era muito seco de maneiras, tinha inimigos, que chegavam a acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular era o de mandar com frequência escravos ao calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, além de que ele só mandava os perversos e os fujões, ocorre que, tendo longamente contrabandeado em escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais. A prova de que o Cotrim tinha sentimentos pios encontrava-se no seu amor aos filhos, e na dor que padeceu quando lhe morreu Sara, dali a alguns meses; prova irrefutável, acho eu, e não única. Era tesoureiro de uma confraria, e irmão de várias irmandades…”. A última frase é promissora, pois indica uma relação íntima entre corrupção e instituições religiosas.

Capítulo V: Desfaçatez. Ah, que tema inesgotável! Já escrevemos sobre ele. Todavia, não há como resistir aos fatos recentes, desta semana mesmo, logo em seguida à votação do impichamento da presidenta na casa baixa do parlamento. Observadores externos à Bruzundanga, finalmente atentos aos sentidos profundos do que acontece no país, ficaram alarmados com o desfile de nulidades parlamentares do último domingo, a votar em nome do pai, do filho e do espírito… Machado de Assis, noutro texto que ainda teremos de estudar a fundo, interpretou o episódio como manifestação da “Igreja do diabo”, sugerindo pois que havia naquilo o espírito de Satanás. A repercussão de tal pândega lá fora provocou a ida imediata ao exterior dum aliado d’O Grande Usurpador, alcunha popular do vice-presidente da Bruzundanga. Que espetáculo curioso, ver aquele sujeito do partido da ave de bico comprido, representando o vice-presidente do partido que está sempre no poder (apesar de nunca ter ganho eleição para presidente), mui perfumado, engomadinho, respeitabilíssimo, a explicar para o Tio Sam que o ovo não é um ovo e que o círculo é quadrado. Provocou hilaridade em uns, e noutros aquele sentimento da vergonha alheia. Que situação! O importante, todavia, é tentar manter as aparências. O pai de Brás Cubas disse certa vez ao filho: “Teme a obscuridade, Brás; foge do que é ínfimo. Olha que os homens valem por diferentes modos, e que o mais seguro de todos é valer pela opinião dos outros homens. Não estragues as vantagens da tua posição, os teus meios…”. Que divertida a percuciência machadiana! Privilégios da “posição”, dos “meios”, valimento pela opinião dos outros… Dizem que Machado de Assis escreveu essas linhas inspirado num documento histórico curiosamente chamado “Uma ponte para o futuro”, que, dizem, foi o GPS utilizado por aquele hipopótamo do delírio, a galopar com Brás de volta ao passado mais longínquo.

As historiadoras terminaram o roteiro de seu livro horrorizadas: misoginia, racismo, ódio de classe, corrupção, desfaçatez. De fato, “ao vencedor, as batatas”. Fica melhor em alemão: ” Die dümmsten…” (o resto como apareceu acima).

P.S.: Agradeço ao meu Bruder baiano, João Reis, por sugerir a leitura da matéria do Der Spiegel e por me enviar o provérbio alemão.

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De novo, não!

Nestas últimas semanas,  a consciência histórica nunca se fez tão presente nas discussões políticas. A história das ameaças à democracia brasileira foi cantada em sambas,  funks, coco, rap e mpb. Registramos aqui. Clique na imagem para ver o clip. #VemPraDemocracia! #GolpeNuncaMais.

#MúsicaPela Democracia. “Não. não, golpe não! As velhas raposas querem o galinheiro…”

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“Golpe de ódio. Golpe de Dor. Golpe no tempo não sei onde estou…”

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“Não Vai Ter Golpe de Novo. Reage, reage meu povo”

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“O Morro Mandou Avisar. Se a senzala Descer Ninguém Vai Segurar…”

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“Portela Canta Pela Democracia”

portela canta pela democracia

TV Poeira: “Seja Lembrado pela história”

seja lembrado pela historia 1

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Desfaçatez de classe. Sidney Chalhoub

Os futuros anais históricos da Bruzundanga contarão admirados as efemérides daqueles remotíssimos dias de março de 2016. No quarto dia daquele mês, sexta-feira aziaga, certo juiz da roça, um tanto guapo, outro tanto aloprado, prendeu por um dia um ex-presidente da república que era também um ex-operário. O acontecimento espetacular acelerou a história.

 As duas semanas seguintes foram um deus nos acuda. O juiz da roça, ao que se dizia um simpatizante do partido da ave de bico comprido, bisbilhotou e divulgou ilegalmente conversas de autoridades diversas, até mesmo da presidenta da Bruzundanga. O magistrado de província justificou os atos que praticara à revelia da lei como decorrentes da elevadíssima estatura moral de sua pessoa e de seus propósitos. Tais escutas telefônicas, consideradas de gravidade ímpar por parte da imprensa que as considerou de gravidade ímpar (sic), tinha como objetivo conclamar a massa dos cidadãos parrudos da república a ir para a rua e mostrar a sua cara.

Eles foram. Carregaram cartazes com a cara do juiz da roça, que não coube em si de contente e filosofou, mui profundamente, sobre a sabedoria das ruas e a necessidade de ouvi-las. Era preciso derrubar o governo da Bruzundanga. Dirigentes do partido da ave de bico comprido e do partido que nunca está fora do poder reuniram-se para planejar o novo governo, nomear ministros, pactuar o aprofundamento da política econômica em curso, que não vinha dando resultado, o que comprovava a excelência de sua concepção.

Uma sumidade do partido da ave de bico comprido acalmou os políticos que seriam depostos, perseguidos pelo juiz da roça e enviados para o calabouço. Explicou mui serenamente que o novo governo não seria vingativo. Um magistrado da Altíssima Corte do país tagarelava todos os dias, em entrevistas à mídia, a respeito de como julgaria os processos que ainda lhe chegariam à mesa para julgar (sic). Num último lance genial, uma espécie de cereja do bolo, um ex-presidente que era também um ex-intelectual, muito indignado com a possibilidade de o ex-presidente que era também um ex-operário ocupar uma pasta ministerial, sentenciou: “analfabeto não pode ser ministro”.

Que tempos memoráveis! Machado de Assis, intérprete-mor da Bruzundanga, escreveu um livro, chamado Memórias póstumas de Brás Cubas, que consistiu numa espécie de tratado de interpretação sociológica das duas semanas da história da Bruzundanga, naquele ano de 2016, decorridas entre o quarto e o décimo oitavo dias de março. Em tal compêndio de sapientíssima hermenêutica do repertório simbólico da sociedade bruzundanguense, o autor formulou o conceito de descaramento ou desfaçatez de classe.

Autor genial e complexo, Machado de Assis só teorizava por meio de alegorias, ou por linhas tortas, que é um jeito mais simples de dizer a mesma cousa. Por isso inventou Brás Cubas, outro guapo da história pátria, narrador e protagonista das Memórias. Brás Cubas não era um autor defunto, mas um defunto autor. Quer dizer, ele decidiu contar a própria história depois de morto, enviando os capítulos, direto do além-mundo, por correio sideral. A circunstância de morto dava ao autor daquelas páginas uma desenvoltura primorosa: “Agora… que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo”; e se o livro, “fino leitor”, “te não agradar… pago-te com um piparote”, que, ao que parece, era como se dizia “peteleco” naquela época.

Por conseguinte, o primeiro elemento constituinte do conceito de desfaçatez de classe é o transbordamento de autoconfiança, ou o impudor radical, que passa a guiar as atitudes de Brás Cubas e seus semelhantes. Podem “confessar tudo” o que pensam e fazem. Brás Cubas foi sujeito rico, dono de propriedades no Rio de Janeiro imperial, senhor de escravos, entre eles Prudêncio. Este era “um moleque de casa”, “o meu cavalo de todos os dias”; “punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o”. Se Prudêncio reclamasse, Brás retorquia: “Cala a boca, besta!”.

Brás Cubas sofria de monomania em relação às mulheres. Ele organizou a sua narrativa em torno das personagens femininas de sua vida, desde Pandora ou a mãe Natureza, que lhe aparecera no delírio derradeiro antes da morte (ou no momento do nascimento do defunto autor), até Virgília, passando por Eugênia, Marcela, dona Plácida etc. Dona Plácida foi uma criada da família de Virgília, que se tornou depois alcoviteira dos amores clandestinos desta senhora com o memorialista.

Brás se perguntou certa vez sobre a utilidade da vida de dona Plácida, queria desvendar o porquê de sua vinda ao mundo. Chegou à seguinte conclusão: “para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado para outro, na faina, adoecendo e sarando, com o fim de tornar a adoecer e sarar outra vez, triste agora, logo desesperada, amanhã resignada, mas sempre com as mãos no tacho e os olhos na costura, até acabar um dia na lama ou no hospital”.

As historietas de Prudêncio e dona Plácida encapsulam o segundo elemento constitutivo do conceito de descaramento ou desfaçatez de classe. A desfaçatez de classe acontece quando a classe brascúbica, uma vez achacada de crise de despudor, como ocorreu na Bruzundanga naquelas memoráveis Jornadas de março de 2016, destampa ao mundo os mais recônditos segredos de sua maneira de ver as cousas, segundo a qual negros, mulheres e pobres existem para ralar ou empurrar traquitanas enquanto o patronato chiquérrimo vocifera, à beira-mar, contra a presidenta eleita.

Brás Cubas articulou teoricamente a ideia, central ao conceito sociológico de desfaçatez de classe, de que as desigualdades ou injustiças sociais são parte necessária da paisagem, assim como as montanhas, os rios e as praias: “Outrossim, afeiçoei-me à contemplação da injustiça humana, inclinei-me a atenuá-la, a explicá-la, a classificá-la por partes, a entendê-la, não segundo um padrão rígido, mas ao sabor das circunstâncias e lugares”.

Quiçá o momento analiticamente mais promissor das Jornadas de março de 2016 tenha sido o comentário do ex-presidente que era também ex-intelectual, de que “analfabeto não pode ser ministro”. A concisão dialética da frase é notável. Ao decifrá-la à luz do conceito de desfaçatez de classe, temos uma visão de mundo construída por metáfora, ou pela transposição do sentido próprio ao figurado. Assim, “analfabeto” significa a maioria da população da Bruzundanga, cujo lugar social, em respeito à tradição, deve permanecer o mesmo na longa duração histórica, com tendência ao infinito. Já “ministro” é fórmula abreviada de dizer classe brascúbica, conforme a definição de Machado de Assis (op. cit., passim).

Um participante das manifestações de 18 de março, contrárias ao impedimento da presidenta, foi às ruas com um cartaz no qual criticava a tese de Machado de Assis a respeito da desfaçatez de classe, por considerá-la desnecessariamente hermética. Segundo o manifestante, a crise política da Bruzundanga se resumia ao seguinte: “Quando a senzala aprende a ler, a casa grande surta”. Isso escrito em letras garrafais, o que é uma maneira de vencer no grito, e Machado de Assis era gago, o que de antemão deu ganho de causa ao crítico popular.

Os anais históricos da Bruzundanga guardam um enigma. Os historiadores não descobriram o que aconteceu depois das Jornadas de março. Uns dizem que as duas semanas de desfaçatez de classe demonstraram o poder invencível da classe brascúbica, logo o impedimento da presidenta era fait accompli, favas contadas. Outros, adeptos de ver as cousas por meio de velhos adágios populares, sustentaram que “a cura veio pelo excesso do mal”. O descaramento de classe suscitou o demônio rubro da resistência, quer dizer, a virada satânica da história.

Outra personagem popular, cheia de ouvir tanta teoria, recorreu ao tesouro de sabedoria do esporte bretão e acabou com esta crônica: “o jogo é jogado, e só acaba quando termina”.

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A história como hiper-ficção. Sidney Chalhoub

(Sidney Chalhoub, historiador da Universidade de Harvard e da UNICAMP, enviou este texto para divulgação na sexta feira, 18 de março)

Itaguahy é aqui e agora, diria talvez Machado de Assis, ao observar o ponto ao qual chegamos. Ao inventar Simão Bacamarte, o protagonista de “O alienista”, Machado mobilizou sem dúvida referências diversas, tanto literárias quanto políticas. Parece certo que se inspirou também em personagens históricas concretas, ou em situações de sua época que produziam tais personagens. Na década de 1880, habitante da Corte imperial, ele assistia havia décadas à ciranda infindável de epidemias de febre amarela, varíola, cólera, etc. e a luta inglória dos governos contra tais flagelos. O pior da experiência era que o fracasso contínuo das políticas de saúde pública, ou da higiene pública, como se dizia com mais frequência, provocava, paradoxalmente, o aumento do poder de médicos higienistas e engenheiros. Esses profissionais se encastelavam no poder público munidos da “ciência” e da técnica que poderiam renovar o espaço urbano de modo radical e “sanear” a sociedade. Demoliam-se casas populares, expulsavam-se moradores de certas regiões, reprimiam-se modos de vida tradicionais, regulava-se muita cousa sob o manto do burocratismo cientificista. E as epidemias continuavam. Machado de Assis refere-se a esse quadro como “despotismo científico”, em “O alienista” mesmo, ao descrever “o terror” que tomara conta de Itaguahy diante das ações de Bacamarte. Havia inspetor de higiene e engenheiro da fiscalização sanitária a agir com convicção de Messias, cheios de autoridade, inebriados de seus pequenos poderes.

Simão Bacamarte, portanto, é desenhado d’après nature, para usar a expressão daquele tempo meio afrancesado, por mais caricatural que a personagem possa parecer. A arte imita a vida, segundo Machado de Assis, quem sabe. A estória que contou é conhecida por todos, talvez uma das referências intelectuais clássicas mais compartilhadas nesta nossa república da bruzundanga. Por isso é uma estória boa para pensar a nossa condição coletiva, Brasil, março de 2016. Bacamarte queria estabelecer de maneira objetiva e irrefutável os limites entre razão e loucura. Conseguiu amplos poderes da câmara municipal, dinheiro para construir a Casa Verde, seu hospício de alienados, e passou a atuar como que ungido por suas convicções científicas. Ao contrário do que imaginara inicialmente, encontrou uma diversidade assombrosa de loucos. Se o eram mesmo, continuam conosco, como os impagáveis loucos “ferozes”, definidos apenas como sujeitos grotescos que se levavam muito a sério. A galeria de loucos que tinha a mania das grandezas é quiçá a mais relevante em nossa situação atual. Havia o cara que passava o dia narrando a própria genealogia para as paredes, aquele pé rapado que se imaginava mordomo do rei, e outro, chamado João de Deus, propalava que era o deus João. O deus João prometia o reino do céu a quem o adorasse, e as penas do inferno aos outros. Ainda hoje em dia Simão Bacamarte acharia material humano de sobra para encher a Casa Verde. Se ampliasse a pesquisa para a internet, ele teria de investigar a hipótese de a loucura engolfar o planeta inteiro. Afinal, segundo ele, “a razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia, e só insânia”. Ou talvez não. Se Bacamarte lesse e visse a grande mídia brasileira, é possível que concebesse um conceito mais circunscrito de alienação mental. Sem a cacofonia virtual estaríamos expostos apenas à monomania de uns poucos, e a diversidade de opiniões é sacrossanta nesta nossa hora. Bendita internet.

O messianismo cientificista de Bacamarte se foi. Mas o curioso é que a ficção dele criou raízes na história brasileira, virou realidade. Muitos dentre nós, de cabelo bem grisalho ou até nem tanto, lembrarão da situação do país no final dos anos 1980 e no início da década seguinte, a viver a passagem sem ponte da ditadura para a hiperinflação. Em retrospecto, penso que havia um quê de continuação da ditadura naqueles planos econômicos todos que produziram até uma nova caricatura de Messias, o caçador de Marajás. Agora a população não era mais culpada de viver na imundície e nos maus costumes, a causar epidemias de febre amarela. No entanto, estava inoculada pelo vírus da cultura inflacionária. Daí vieram os czares da Economia ou ministros da Fazenda, ou que nome tivesse aquela desgraceira. As “autoridades” daquela ciência cabalística confiscavam poupança, congelavam preços, nomeavam “fiscais” populares dos abusos econômicos, podiam fazer o que lhes desse na veneta. Mas dava errado. A inflação voltava, os caras não acertavam. Vinha outro plano, mais confisco, mais arrocho salarial, e nada. Viveu-se assim por uma década, ou mais. Cada ministro era um pequeno deus, cujo poder tinha relação direta com a sua profunda ignorância sobre o que fazer para dar jeito na bruzundanga. Os higienistas do final do século XIX e os economistas do final do século XX tinham muito em comum. Em algum momento, o despotismo econômico se foi. Tinha de passar, passou. Tivemos democracia por algum tempo, com todos os seus rolos, mas sem salvadores da pátria, o que era um alívio. Livres, ainda que sob a batuta do deus Mercado, uma espécie de messianismo sem Messias, ou sem endereço conhecido.

Eis que surge, leve e fagueiro, o messianismo judiciário. De onde menos se esperava, a cousa veio. Simão Bacamarte encarnou de novo, vive-se a história como a realização radical da ficção, hiper-ficção. As operações de despolitização do mundo são as mesmas –no despotismo científico do XIX, no despotismo econômico do XX, no despotismo judiciário do século XXI. De repente, num processo que historiadores decerto explicarão no futuro, com a pachorra e a paciência daqueles que não vivem o presente às tontas, pois não sabem esquecer o passado, um determinado poder da república se emancipa dos outros, se desgarra, engole tudo à sua volta. Em nome da imparcialidade, da equidade, da prerrogativa do conhecimento (tudo igualzinho aos higienistas e aos economistas de outrora), eles provincializam a nação inteira, e negam, a cada passo, o que professam em suas perorações retóricas: agem de forma partidarizada, perseguem determinados indivíduos e organizações, transformam a sua profunda ignorância histórica num poder avassalador.

Todos sabemos como terminou a estória de Simão Bacamarte. Depois de testar tantas hipóteses, de achar que a loucura poderia quiçá abarcar a humanidade inteira, ele concluiu que o único exemplar da espécie em perfeito equilíbrio de suas faculdades mentais era ele próprio. Por conseguinte, o anormal era ele, alienado só podia ser quem não tinha desequilíbrio algum em suas faculdades mentais. Bacamarte trancou-se na Casa Verde para pesquisar a si próprio e lá morreu alguns meses depois. Pode ser que haja aí um bom exemplo. Alguém saberia dizer, por favor, onde Machado de Assis deixou a chave da Casa Verde?

P.S. A semelhança entre Simão Bacamarte e um determinado juiz de província do Brasil atual me foi sugerida por um amigo aqui de Harvard, a quem agradeço pela inspiração. Obrigado a todos aqueles que sairão às ruas, neste 18 de março, em defesa da democracia.

#VemPraDemocracia

Fotos do Album de Felipe Altenfelder

Manifestações pela democracia, em defesa do mandato de Dilma Roussseff, em 18/3/2016 em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Rio Branco, Porto Alegre, Curitiba e Brasília

sao paulorio de janeirofortalezareciferio brancoporto alegrecuritibabrasilia

 

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#Dia13EuNãoVou

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Novas Conversas

 

O Conversa de Historiadoras volta renovado em 2016. Criado em março de 2014 por Hebe Mattos e Martha Abreu, durante dois anos o blog publicou basicamente textos a quatro mãos oriundos de conversas das duas historiadoras.  Em 2016, o blog se abre para novas conversas e mais textos individuais. Agora somos seis historiadoras que produziremos uma animadíssima conversa semanal. A cada domingo, um novo texto, individual ou coletivo, sobre temas de interesse do blog. Além de Hebe e Martha, Ana Flávia Magalhães PintoGiovana XavierKeila Grinberg e Mônica Lima agora são também parte do conversa de historiadoras. Confiram o Sobre e o Quem Somos para conhecer melhor o nosso novo grupo de conversas! Martha Abreu, analisando a cobertura do carnaval do Rio abrirá amanhã (domingo, 14 de fevereiro) a série de artigos. Não deixem de conferir.

Dia histórico, 13/2/2016, começando as conversas por skype, entre Rio, Niterói, Campinas e Chicago

Conversa Skype

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