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PASSADOS PRESENTES – Circuito PEQUENA ÁFRICA

Passados Presentes – Memória da Escravidão no Brasil chega à cidade do Rio de Janeiro. O circuito Pequena África, na região portuária da cidade, completa os roteiros de memória que contam a história da última geração de escravizados africanos no Rio de Janeiro, em um aplicativo de celular.

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19 pontos principais estão assinalados no mapa. Em três deles, com o leitor de código QR do aplicativo pode-se ouvir a voz de lideranças comunitárias e historiadores nos falando sobre a importância histórica da região. Outros 42 pontos, 7 dos quais sobre as atuais rodas de rua da capoeira da cidade, completam o roteiro, e podem ser acessados na função Perto de Mim.

Um filme de Guilherme Hoffmann sobre o desenvolvimento do projeto será exibido no próximo sábado, durante o lançamento do novo circuito,  dia 2 de abril, às 10 horas, no Museu de Arte do Rio. Em seguida, faremos parte do percurso em visita guiada.

Os locais que o visitante terá a oportunidade de conhecer são uma parte da cidade do Rio de Janeiro denominada de Pequena África pelo artista e sambista Heitor dos Prazeres no início do século 20. Divulgada em livros, letras de música e enredos de escolas de samba, a expressão passou a identificar parte significativa da zona portuária da cidade, onde a presença africana e o patrimônio cultural negro marcaram para sempre a história não apenas do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil.

Entre o final do século 18 e a primeira metade do século 19, a região foi marcada pelas  atividades de comércio e recepção dos africanos escravizados. Hoje as ruínas do Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos rememoram a passagem  de mais de um milhão de africanos pela Pequena Africa, uma história de dor e sofrimento que não pode ser esquecida.

Na virada do século 19 para o 20, a vida cultural da Pequena África e da própria cidade foi renovada, com a chegada de migrantes negros, vindos especialmente  da Bahia e de antigas áreas cafeeiras do Vale do Paraíba, e de imigrantes portugueses, italianos e judeus.

A Pequena África passou a ser o centro de criação da cultura negra carioca e da organização de novas formas de mobilização política. Em torno de sindicatos, capoeiras, casas de santo, gestaram-se greves, revoltas urbanas e novos gêneros musicais. Naquele contexto, o samba emergiu como um gênero específico, e ganhou visibilidade em todo o país; também foram fundadas associações negras, sociais e dançantes, com seus cordões e ranchos, que ligaram a Pequena África ao que de mais moderno estava sendo produzido em termos musicais e artísticos no período.

O circuito Pequena África foi desenvolvido por nós (Hebe/Martha) e Keila Grinberg (co-autora deste texto), em parceria com o Quilombo da Pedra do Sal e o Instituto dos Pretos Novos. Semana passada, fizemos parte do circuito com Damião Braga, liderança do Quilombo, Claudio Honorato, historiador do IPN, Ruben Zonenschein, engenheiro responsável pelo desenvolvimento do app, e a jornalista Flávia Oliveira.

Como turismo comunitário e de memória, o projeto conta com apoio do Museu de Arte do Rio. O folder do projeto será distribuído gratuitamente na entrada do Museu, ponto zero do roteiro.

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Novas Conversas

 

O Conversa de Historiadoras volta renovado em 2016. Criado em março de 2014 por Hebe Mattos e Martha Abreu, durante dois anos o blog publicou basicamente textos a quatro mãos oriundos de conversas das duas historiadoras.  Em 2016, o blog se abre para novas conversas e mais textos individuais. Agora somos seis historiadoras que produziremos uma animadíssima conversa semanal. A cada domingo, um novo texto, individual ou coletivo, sobre temas de interesse do blog. Além de Hebe e Martha, Ana Flávia Magalhães PintoGiovana XavierKeila Grinberg e Mônica Lima agora são também parte do conversa de historiadoras. Confiram o Sobre e o Quem Somos para conhecer melhor o nosso novo grupo de conversas! Martha Abreu, analisando a cobertura do carnaval do Rio abrirá amanhã (domingo, 14 de fevereiro) a série de artigos. Não deixem de conferir.

Dia histórico, 13/2/2016, começando as conversas por skype, entre Rio, Niterói, Campinas e Chicago

Conversa Skype

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Defesa de Memorial para aprovação de novos Professores Titulares do Departamento de História da UFF

A terra vai tremer com o peso da historiografia que será passada em revista amanhã e depois no Campus do Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, onde irá ocorrer a prova pública de progressão funcional para Professor Titular do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense. Entre os que se apresentam para a progressão, Martha Abreu, que já é titular aqui do blog. Convidamos todos a acompanhar as defesas.

Aproveitamos o post também para divulgar o email que Hebe Mattos escreveu, em resposta à nota crítica sobre a prova pública de defesa do memorial em momento de greve, publicada hoje na Coluna de Ancelmo Gois, no Jornal O Globo.

Prezado Ancelmo,
As greves nas federais se tornaram há muitos anos uma ficção sindical que atinge apenas os cursos de graduação (ainda assim, enquanto se mantém o semestre letivo, bastante parcialmente) e, infelizmente, a credibilidade da instituição da Universidade Pública, como inúmeros professores do Departamento de História da UFF têm denunciado há tempos (e não apenas Daniel Aarão Reis). Assim como as pesquisas acadêmicas ou as bancas de mestrado e doutorado, os concursos internos de progressão para Professor Titular continuam ocorrendo nas Universidades Federais de todo o país, em todas as áreas de conhecimento, amplamente noticiados e abertos a todos os professores que atendam aos requisitos da nova legislação (aliás fruto da última greve). 
Os professores que estão se apresentando à progressão para Professor Titular no Departamento de História da UFF são, cada um deles, referências da historiografia brasileira em suas áreas de pesquisa, como pode ser acompanhado em seus cv lattes ou nas defesas públicas de memorial que acontecerão amanhã e depois. As inscrições para o concurso de progressão foram feitas há muitos meses atrás. 
O mapa das atividades suspensas, e das que não o são, durante as greves nas Universidades Federais, que se prolongam indefinidamente, com garantia de salários, não produz um retrato bonito da comunidade acadêmica. Por isso, muitos se recusam a aderir a elas, por objeção de consciência. É o meu caso e de muitos outros. 
Uma nota como a da coluna de hoje, porém, repercutindo acusações baseadas em ressentimentos internos sem qualquer base de sustentação merecia consulta a mais de uma fonte. 
Atenciosamente,
Hebe Mattos
Professora Titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense

 defesas de memorial

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Cotas, Reparações e Ações Afirmativas _ um diálogo audiovisual

As Cotas na Pós-Graduação renderam discussão nos grupos de professores e historiadores em que habitualmente divulgamos o blog. É um bom começo de conversa. Fizemos um texto antes de tudo celebrativo, mas não deixamos de assinalar os principais fundamentos da proposta. Nosso argumento central é que a diversidade étnico-cultural, incluindo aí questões de gênero e de identidade racial, possui impacto positivo no ambiente acadêmico e na construção de suas agendas de pesquisa – e isso em todas as áreas do conhecimento. Não por acaso, os cursos de antropologia social saíram na frente, corolário quase necessário do esforço que a disciplina empreende já há muitas décadas para superar por completo suas origens coloniais.

Uma boa ocasião para discutirmos diversidade cultural e produção de conhecimento nos campos da história e da antropologia se configura com a aproximação da primeira jornada de discussão do V Festival Internacional do Filme de Pesquisa, com o tema Patrimônio e Memória da Escravidão Negra no Brasil, que acontecerá nos próximos dias 25 (sábado) e 28 (terça-feira) de abril no Museu de Arte do Rio. A jornada foi organizada pelo LABHOI, em conjunto com Francine Saillant, da Université Laval e apoio de Michele Johnson, da York University, do Canadá, celebrando o encerramento do projeto de pesquisa Slavery, Memory and Citizenship, que deu origem à ideia do festival itinerante.

Francine Saillant, diretora do Centro de  Pesquisa Cultura, Artes e Sociedade (CELAT) da Universidade de Laval, acaba de lançar, no Quebec, o livro Le Mouvement Noir au Brésil (2000-2010). Réparations, Droits et Citoyenneté/ O Movimento Negro no Brasil (2000-2010). Reparações, Direitos e Cidadania, sistematizando dez anos de pesquisa em estreito contato com diversos atores do Movimento Negro no Brasil. Suas reflexões sobre o tema estarão em pauta na conferência “Reparação e Reconhecimento”, na terça-feira, 28, às 11:30h. No mesmo dia, a historiadora Michele Johnson, diretora do Harriet Tubman Institute, da Universidade de York, será debatedora do conjunto de DVDs sobre cultura negra e memória da escravidão no Rio de Janeiro, que as historiadoras deste blog reuniram na Caixa Passados Presentes, e encerrará o evento com a conferência “Brasil e Caribe. Diferenças e Aproximações”, abordando a performance como fonte de resistência cultural e de produção de identidades negras, apoiada em rico material audiovisual, com tradução consecutiva.

A programação começa no sábado, dia 25, pela manhã, com a exibição do filme “Memórias do Esquecimento”, do antropólogo italiano Andre Cicalo, autor de importante livro sobre a experiência de introdução do sistema de cotas na UERJ, Urban Encounters. Affirmative Action and Black Indentities in Brazil/ Encontros na Cidade. Ação Afirmativa e Identidades Negras no Brasil (2012), prêmio de melhor livro da Sessão Brasil na LASA 2013. O filme “Memórias do Esquecimento” discute a ausência de memória da escravidão na zona portuária do Rio de Janeiro, hoje completamente revertida com a patrimonialização do Cais do Valongo, tema da pesquisa atual do diretor. A historiadora e antropóloga da UERJ, Myriam Sepulveda dos Santos, coordenadora do Museu Afrodigital Rio de Janeiro, atuará como debatedora na sessão.

Em seguida, será exibido o filme FESMAN 2010, sobre o Festival de Artes Negras em Dakar, no qual o Brasil foi convidado especial, de Christine Douxami e Philippe Degaille. Christine é antropóloga no Centro de Estudos Africanos da EHESS, em Paris, e autora de extensa pesquisa sobre o teatro negro como teatro político no Brasil. Os diretores estarão presentes para discutir o filme com a plateia. Coordenando os debates, a antropóloga italiana, radicada em Paris, Stefania Capone.

Stefania é uma das mais importantes pesquisadoras das religiões de matriz africana no novo mundo, especialmente o candomblé e outras variantes do culto aos orixás. Será debatedora na terça feira, 28, da caixa de DVDs realizados por Francine Saillant em colaboração com Mãe Torodi de Ogum, de título Resistência! Este mês, ela está lançando no Brasil, em conjunto com Leonardo Carneiro, o livro Modupé, meu amigo, primeiro livro infantil discutindo a intolerância religiosa. Além de participar das atividades do festival, no Museu de Arte do Rio, os autores farão lançamento do livro na UFF, na segunda-feira, 27, 14:30, no auditório do segundo andar do bloco O do Campus do Gragoatá.

No sábado, 25, a tarde, as historiadoras do blog terão prazer em discutir com o público presente o filme Passados Presentes. Memórias Negras no Sul Fluminense, sobre a memória do tráfico ilegal de africanos escravizados no Rio de Janeiro. Em seguida, será exibido, pela primeira vez no Festival, o filme Memórias Periféricas, de Francine Saillant com o antropólogo Jacques D’Adesky. O filme traz a público uma das últimas entrevistas de Abdias do Nascimento, conjugada a uma abordagem original do movimento negro na periferia do grande Rio e ao desenvolvimento de uma oficina de fotografia, com crianças da comunidade de terreiro de Mãe Torody, ministrada pelo grande fotógrafo e militante negro Januário Garcia.

Cliquem duas vezes na imagem abaixo para acessarem em melhor resolução o folder virtual com a programação completa do evento.

Esperamos vocês por lá.

FolderVirtual

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CULTNA especial de final de ano

O Grupo de Estudos e Pesquisa Cultura Negra no Atlântico encerra sua programação de 2014. Nossa mesa de encerramento, na próxima sexta feira,  12 de dezembro,  tem convidados muito especiais.

A historiadora Kim Buttler é uma das pioneira nos estudos sobre o pós-abolição no Brasil, com o seu Freedoms given, freedoms won: Afro-Brazilians in post-abolition, São Paulo and Salvador de 1998.  Professora na Rutgers University, Kim é Fulbright Scholar na Bahia neste ano de 2014. É um prazer e uma honra recebê-la na UFF para discutir sua pesquisa recente sobre identidade negra no carnaval baiano.

O antropólogo André Cicalo, autor de Urban encounters : affirmative action and Black identities in Brazil, 2012, está no seu segundo ano de pos-doutorado no LABHOI/UFF, como pesquisador do Kings College da Universidade de Londres. André realizou, em 1998, um imperdível filme etnográfico sobre a ausência de memória da escravidão na região portuária do Rio de Janeiro: Memórias do Esquecimento.  Na mesa-redonda, discutirá  alguns de seus achados de pesquisa sobre identidade negra e memória da escravidão na mesma região, que hoje possui um circuito de memória africana com centro no sítio arqueológico do Cais do Valongo.

#ficaadica

culna de fim de ano

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Arquivado em história e memória, Pos-abolição

Jongo em três pontos e a língua nacional…

Saindo do forno:

 “História Social da Língua Nacional 2: diáspora africana”, organizado por Ivana Stolze Lima e Laura do Carmo. O livro é fruto do “II Seminário História Social da Língua Nacional”, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa. Apresenta questões da diáspora africana relacionadas ao processo histórico-social da língua nacional, considerando o tráfico de escravos e as redes do mundo atlântico como travessia de homens, culturas, línguas, modos de comunicação e vida social. Martha e Hebe participam com um artigo sobre a tradição oral do Quilombo do Bracuí.

“O Jongo em Três Pontos”, caixa de DVDs reunindo os últimos filmes realizados pelo Pontão da Cultura do Jongo e do Caxambu : “Saravá Jongueiro Novo”, “10º Encontro de Jongueiros” e “Pontão do Jongo: fazer com, em diferença”. Esses filmes narram importantes momentos da organização dos jongueiros nas ações de articulação com jovens , na própria construção da metodologia do pontão, que envolvem as ações de salvaguarda, e nas comemorações pelo recebimento do título de patrimônio cultural do Brasil, em 2005.  Lançamento na UFF nesta sexta, dia 28/11, no Campus do Gragoatá, Auditório da Pós-Grafuação da História (5º andar), Bloco O. Depois de cada filme haverá debate com os
jongueiros do sudeste, também presentes no evento! Começa às 14h e mais tarde, roda de Jongo, claro!

jongo em tres pontoslingua nacional

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Cultura Negra na Escola

No mês de novembro participamos de algumas iniciativas fora dos muros da universidade, que discutem caminhos pedagógicos e políticos sobre a história do negro no Brasil. Martha deu entrevista para o Especial “Consciência Negra” da Revista Nova Escola. Hebe participou das gravações de uma mesa redonda sobre Reparações, na TV Futura, que deverá ir ao ar no dia 20 de novembro. Voltaremos a essa discussão no próximo post.

O Especial “Consciência Negra” da Revista Nova Escola apresenta um material denso, bonito e renovador para o trabalho com a temática o ano inteiro! Logo na abertura fica a recomendação, que assinamos em baixo: o combate ao racismo e o respeito à diversidade precisam ser trabalhados o ano inteiro nas escolas!

O material on line, com a oferta de muitos links interessantes, reúne uma série de textos de especialistas e professores, orientações para o combate ao racismo, atividades já realizadas por professores, filmes, planos de aula e orientações para trabalhos com imagens, fontes orais e museus. Os temas são apresentados a partir de 6 eixos de discussão e têm a preocupação de mostrar a história do negro para muito além da escravidão e inserida nas tramas da História do Brasil: África e Brasil, Identidade Negra, História da África, A Luta no Brasil, Cultura Afro-brasileira e Recursos Pedagógicos.

O primeiro eixo, África e Brasil, com o subtítulo unidos pela história e pela cultura, dá o tom de todo o Especial, ao incorporar a posição de Mônica Lima e Sousa, coordenadora do Leáfrica (Laboratório de Estudos Africanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro): “A África está em nós, em nossa cultura, em nossa vida, independentemente de nossa origem pessoal”. A história do negro interessa a toda a sociedade brasileira.

Inspiradas em iniciativa de nossos alunos do curso de história da UFF, demos o título a este post. Vida longa ao coletivo Cultura Negra na Escola!

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A estranha liberdade dos africanos

Os africanos escravizados resgatados pelas autoridades brasileiras de navios que faziam o tráfico ilegal de escravos para o Brasil após a lei de extinção do tráfico negreiro de 1831 foram oficialmente chamados de “africanos livres”.

Foram algumas apreensões nos primeiros anos após a lei, antes que as autoridades finalmente desistissem de tentar aplicá-la e outras tantas após a segunda lei de 1850, que finalmente “pegou”. Segundo a lei de 1831, deveriam ser retornados a algum porto africano, mas não foi o que ocorreu. As autoridades brasileiras os colocaram como prestadores de trabalho compulsório a concessionários particulares, por um prazo de 14 anos, que na maior parte dos casos foi ultrapassado. Na prática, suas vidas pouco se diferenciavam da dos milhões de escravizados, também ilegalmente mas não reconhecidos como tais, que formavam a maior parte dos africanos escravizados no Brasil após a independência política em 1822.

Foram cerca de mil e quatrocentas pessoas com trajetórias bem documentadas pelo Estado brasileiro, até sua emancipação definitiva, respondendo a pressões inglesas, em 1864. Um registro visual da presença, na cidade do Rio de Janeiro, dos africanos resgatados dos patachos negreiros de nome Cezar e Brilhante, apreendidos no litoral da Província Fluminense, em pleno boom da cultura cafeeira, em  1838,  está disponível para consulta no Spatial History Project da Unversidade de Stanford, nos Estados Unidos, no subprojeto “The Broke Paths of Freedom”, coordenado pelo historiador Daryle Williams, da Universidade de Maryland.

Os “africanos livres” resgatados dos Patachos Cezar e Brilhante podem ser acompanhados individualmente ou por filtros diversos, como seus nomes étnicos ou de procedência no continente africano, seus locais de residência na cidade entre 1838 e 1865, bem como pelo gênero, nome ou ocupação de seus concessionários.

O Spacial History Project procura encontrar formas criativas e inovadoras de apresentar informações históricas relacionando espaço e tempo.   Em função disso, um domínio apenas instrumental do inglês é suficiente para explorar mais esta riquíssima ferramenta virtual disponível sobre a história da diáspora africana no Brasil. O mercado de escravos da cidade do Rio de Janeiro em 1869 e um localizador de endereços históricos do Rio de Janeiro oitocentista tabém se encontram disponíveis, em projetos coordenados, entre outros, pelo historiador Zepphyr Frank, da Universidade de Stanford.

Confiram!

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Pós-Abolição no Mundo Atlântico

É o título do próximo dossiê da Revista Brasileira de História, da Associação Nacional de História (ANPUH).  O número contará com a transcrição em português da entrevista com Eric Foner, que realizamos em março de 2014 e divulgamos aqui no blog.

Reproduzimos abaixo a chamada de artigos. Até 31/1/2015.

O reconhecimento de escravos e libertos como sujeitos históricos acabou por influenciar os estudos sobre o destino dos escravizados e seus descendentes em antigas sociedades escravistas após a abolição legal da escravidão. No Brasil, se a década de 1980 representou um marco para historiografia da escravidão, podemos pensar que os anos 2000 foram decisivos para a historiografia sobre as formas, condições e concepções de liberdade no pós-abolição. A produção de livros, documentários, a realização de eventos nacionais e internacionais e a formação de grupos de pesquisa adjetivados pelos termos “pós-emancipação”  e  “pós-abolição”, de Norte a Sul do país, atestam a emergência de um destacado campo de investigação, comprometido em reconstituir trajetórias, processos e experiências de liberdade da população negra no Brasil e nas Américas após a proibição legal da escravidão.  Em vistas da amplitude do campo, surgem muitas questões. O que significa pensar o pós-abolição como problema histórico? Quais os significados e limites da revogação legal da escravidão nas antigas sociedades escravistas do Atlântico? É possível construir definições precisas sobre o que seria este pós-abolição? Quais os significados da abolição formal da escravidão? Pós-abolição e pós-emancipação são sinônimos ou representam formas distintas de enxergar e pesquisar as experiências de liberdade e os significados legais da abolição da escravidão? Quando começa e quando termina o pós-abolição? Qual o lugar das experiências de tornar-se livre e do abolicionismo do século XIX? Como a politização da memória da escravidão e o estudo do tempo presente contribuem para delimitação dos seus limites cronológicos? De que formas o trabalho com diversas concepções, fontes e metodologias do campo questionam a tese clássica de que os negros teriam ficados “abandonados à própria sorte”, trazendo para o centro da discussão debates relacionados aos direitos de cidadania, mundos do trabalho livre, racialização, racismo, mobilidade social, migrações, relações de gênero, gerações, acesso à terra, educação e movimentos sociais negros e indígenas em abordagens locais, transnacionais ou comparativas? Essas são algumas das indagações que convidamos autoras e autores a se debruçarem nos trabalhos que serão publicado na edição n. 69 no dossiê temático “Pós-abolição no Mundo Atlântico” da Revista Brasileira de História (junho de 2015)

As propostas de artigo devem ser enviadas até 31 de janeiro de 2015 para o endereço eletrônico rbh@anpuh.org, seguindo as orientações gerais e as normas de formatação disponíveis em: http://anpuh.org/conteudo/view?ID_CONTEUDO=58. Não é necessário realizar o envio de cópias impressas ou de mídias contendo os trabalhos.

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foto de José Medeiros/Acervo Instituto Moreira Salles.

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O Samba Carioca e o legado da última geração de africanos escravizados do sudeste

Para os muito interessados na história social do samba no Rio de Janeiro, disponibilizamos hoje neste post e na biblioteca do Blog, novo texto de Martha Abreu, de título:

O samba carioca e o legado da última geração de africanos escravizados do sudeste.

Trata-se de um texto de 3 páginas, escrito como parte da exposição itinerante Para não perder a memória, D. Zica 100 anos do Centro Cultural Cartola – Museu do Samba Carioca.

A exposição sobre a importância do samba e da liderança das mulheres, especialmente D. Zica, na sua história, irá percorrer 8 escolas públicas em torno da Mangueira,   atingindo mais de 5 mil alunos. O catálago da exposição, que, em breve, divulgaremos, conta com textos de especialistas, imagens de mulheres poderosas, módulos da exposição e com atividades pedagógicas sobre o patrimônio cultural do samba.

O Centro Cultural Cartola, além da organização de eventos e exposições itinerantes, como a de D. Zica, reúne hoje o maior acervo sobre a história do samba carioca, com documentos textuais, livros, fotografias, indumentária, periódicos, monografias e depoimentos. Sob a coordenação de Nilcemar Nogueira, neta de Dona Zica,  o Centro Cultural Cartola foi responsável pela realização do dossiê que conferiu às Matrizes do samba do Rio de Janeiro, partido alto, samba de terreiro e samba enredo, o título de patrimônio cultural do Brasil .

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