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Contradança: réplicas às críticas ao movimento historiadores pela democracia

Este post vai para o tumblr Historiadores Pela Democracia com todos os textos em resposta ao editorial do Estadão de 14 de junho, O Lugar de Dilma na História, e ao artigo de Demétrio Magnoli, “Formação de Quadrilha”, publicado na Folha de São Paulo, em 25 de junho de 2016.

Convidamos Magnoli a vir dançar a quadrilha da democracia foi o título da réplica de Hebe Mattos, publicada na Folha de São Paulo em 27/6 e O ofício do historiador e os formadores de quadrilha, o título do texto resposta de Silvia Lara, a ambos os artigos, publicado na mesma data, no VIOMUNDO. 

João José Reis também respondeu Magnoli, em email coletivo, depois disponibilzado no perfil do facebook de Ana Flávia Magalhães Pinto.

“O historiador indaga o passado, formulando hipóteses que orientam a investigação e reconstrução da trama dos eventos.”
Demétrio Magnoli, Folha de São Paulo, 25/06/2016

“Um dos métodos de trabalho mais usados pelo historiador se assemelha ao de uma investigação policial: começamos com hipóteses (ou “suspeitas”) e vamos aos documentos em busca de provas para confirmá-las, ou não. A hipótese que muitos de nós — não apenas nós, é claro! — vínhamos sugerindo há alguns meses era a de que um golpe estava sendo gerado e que culminou com a abertura do processo de seu impedimento naquela lamentável sessão da Câmara dos Deputados, e chefiado por quem!

Ora, com as gravações desse Sérgio Machado, temos o que chamamos de fonte segura a comprovar a hipótese do golpe, está tudo lá, explicadinho. Espera-se que a Justiça, cujos métodos de trabalho se assemelham aos dos historiadores, começará, pelo menos, a considerar a hipótese do golpe, avançando na coleta de provas e decidindo de acordo com elas.”

João José Reis, do grupo Historiadores pela democracia, no vídeo manifesto de 6/6/2016.

Também as falas públicas no Alvorada, de Hebe Mattos, Tania Bessone (representando a diretoria da ANPUH Nacional), Wlamyra Albuquerque, Dulce Pandolfi e da própria Presidenta Dilma Rousseff, são respostas prévias aos ataques que não as ouviram ou citaram.  O vídeo #Historiadores Pela Democracia, de menos de 10 minutos, com legendas em inglês, faz uma boa e emocionada síntese daquele momento histórico. Confiram.
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Mais historiadores, pela democracia, escreveram réplicas às críticas ao movimento.

Keila Grinberg, com Hebe Mattos e Martha Abreu, 14/6/2016 Mais respeito com a biografia dos outros, pessoal. e em 15/6/2016 (carta maior), com pequenas variações,  Mais respeito coma biografia dos outros, pessoal.
Alexandre Moraes, 15/6/2016, Quem tem medo da História? 
Historiadoras e Historiadores matriculados no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 22/6/2016, O medo do Estadão: a disputa pela história e pela memória em mais um golpe contra a democracia.
Clovis Gruner e Murilo Cleto, 28/6/2016, A história como exercício democrático

Os textos de Hebe e Silvia já circularam muito, mas vão aqui mais uma vez reproduzidos.

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Convidamos Mangnoli a vir dançar a quadrilha da democracia/ Hebe Mattos

Em tempos de festa junina, Demétrio Magnoli acusa o movimento Historiadores Pela Democracia de “formação de quadrilha”, em texto publicado na Folha em 25/6.

O artigo começa com o meu nome, honrando-me com a companhia de renomadíssimos colegas de ofício que, estando no exterior, só puderam participar da iniciativa com depoimentos em vídeo ou por escrito.

Esses e outros depoimentos e vídeos podem ser consultados no tumblr “Historiadores pela Democracia”. Convido todos a fazerem isso.

Como não é historiador, Demétrio Magnoli não consultou tais documentos. Se o fez, omite isso, mas ainda assim afirma que nossa iniciativa “viola os princípios que regem o ofício do historiador”, que temos “vocação totalitária” e que queremos escrever versão da história útil para o “Partido”, com P maiúsculo.

Como já tive oportunidade de escrever no blog “Conversa de historiadoras”, sobre editorial de teor semelhante publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, a utilização desse tipo de lógica maniqueísta por órgãos de imprensa é surpreendente e muito preocupante.

Os depoimentos individuais foram feitos por alguns dos mais importantes historiadores do país, mas também por jovens profissionais e estudantes de história, englobando uma enorme diversidade de orientações políticas, bem como de escolas historiográficas e teóricas.

Juntos, formam uma narrativa polifônica e plural, que vem se somar ao alentado movimento da sociedade civil em defesa da Constituição de 1988 e de resistência ao governo interino, ao programa que tem desenvolvido sem o amparo das urnas e à forma como chegou ao poder.

Em comum, têm a preocupação com os sentidos republicanos e democráticos da ordem política brasileira, ameaçados desde a votação da Câmara dos Deputados de 17 de abril, de triste memória.

“A Força do Passado” é o título do arquivo de textos do tumblr, com exercícios de história imediata publicados ao longo dos últimos meses, que servirão de base para a organização de um livro.

A tese de que há um golpe branco em andamento, como reação conservadora às mudanças da sociedade brasileira produzidas desde a adoção da Constituição de 1988, é hipótese que defendo, junto a outros colegas e, por enquanto, inspirou o título da coletânea.

Para os que discordam que um golpe branco à democracia brasileira está em curso, basta escolher dialogar com alguns dos muitos e diferenciados argumentos dos depoimentos e textos arquivados no tumblr “Historiadores pela Democracia”. As autorias individuais estão bem assinaladas e os autores têm tradição democrática.

Por fim, para não parecer que só tenho discordância com o artigo de Magnoli, gostaria de me solidarizar com a sua defesa dos cinco jornalistas da “Gazeta do Povo” processados por juízes paranaenses.

Quanto ao título do seu artigo, não pretendemos processá-lo, e aqui falo pelos colegas citados. Temos certeza de que eram as festas juninas que Magnoli tinha em mente quando falou em formação de quadrilha.

Nós o convidamos a deixar de lado o maniqueísmo e o discurso de intolerância e a vir dançar conosco a quadrilha da democracia.

(texto reproduzido na página da diretoria da ANPUH Nacional no facebook)

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O ofício do historiador e os formadores de quadrilha  

Silvia Hunold Lara/ Historiadora, pela democracia

Nos últimos meses, um grupo de historiadores decidiu se manifestar publicamente em defesa da democracia. Fazendo uso de meios de comunicação alternativos, criou nas redes sociais o grupo Historiadores pela Democracia, produziu vídeos e textos, além de um manifesto em defesa do governo legítimo que está sendo deposto por meio de um golpe. Há ali gente de tendências diversas, tanto do ponto de vista político como profissional. O que os une é a certeza de que o Legislativo e o Judiciário, com apoio dos grandes meios de comunicação, associaram-se para afastar do poder a presidente democraticamente eleita que, apesar da crise e de vários erros (incluindo relações ambíguas com corruptos), vinha se mantendo na defesa de direitos básicos estabelecidos na Constituição.

Em 7 de junho, uma parte desse grupo foi ao Alvorada, prestar sua solidariedade a Dilma Rousseff, afastada da presidência sob a alegação de ter cometido “crimes de responsabilidade” que, aliás, também foram praticados por seus antecessores e por vários governadores e prefeitos. O Legislativo fez uso de mecanismos constitucionais e o Judiciário estabeleceu o ritual do processo. A aparente legalidade não esconde, entretanto, o golpe articulado por forças retrógradas que se instalaram no poder e esforçam-se por dar uma guinada ultra liberal na economia, diminuir conquistas dos trabalhadores, limitar políticas sociais e restringir direitos humanos.

Os historiadores não foram os primeiros nem os únicos profissionais a se manifestar, nem a denunciar o golpe em curso. Mas chamaram a atenção de dois dos principais jornais do sudeste brasileiro: um publicou um editorial agressivo contestando a qualidade profissional dos participantes do grupo (“O lugar de Dilma na história”. O Estado de São Paulo, 14/06/16), e o outro um artigo, assinado por um de seus articulistas habituais, criminalizando o movimento (Demétrio Magnoli, “Formação de Quadrilha”. Folha de São Paulo, 25/06/16).

Ambos têm uma ideia bem tacanha do que seja o ofício do historiador. O primeiro afirma que o papel da história é “o de reconstituir o passado para entender o que somos no presente”. O segundo diz que “o historiador indaga o passado, formulando hipóteses que orientam a investigação e reconstrução da trama dos eventos”. Pois aí está o problema: o papel do historiador nunca foi o de “reconstituir” o passado. Analisando os documentos produzidos pelos diversos sujeitos que participam de um acontecimento ou fazem parte da sociedade, nós interpretamos o passado, procurando explicá-lo. Essa explicação nunca é unívoca, posto que deve compreender as diversas forças que produziram os “fatos”. Nem tampouco é singular: a história – como aprendem os alunos desde o primeiro ano do curso – não se escreve com verbos regulares e, geralmente, usa o plural. Isso acontece com o passado histórico que, pela sua própria natureza, como o presente, é prenhe de tensões e vozes dissonantes. O mesmo se dá com o trabalho dos historiadores, que só se realiza no diálogo com interpretações e explicações diversas. Ao supor a unicidade da história e dos profissionais que denunciam o golpe, os dois jornalistas produzem um efeito de verdade muito útil para a defesa de suas posições.

O Estado de São Paulo acusa os Historiadores pela Democracia de serem “intelectuais a serviço de partidos que se dizem revolucionários”, registrando que todos aqueles profissionais estão a serviço do “lulopetismo”. O articulista da Folha de São Paulo os coloca como militantes de um Partido totalitário. O primeiro recorre a um neologismo depreciativo. Ele faz par com outros, mais recentes, como “esquerdopata”, “petralha”, “feminazi”. São substantivos coletivos que servem claramente para desqualificar todos os que não pensam como o emissor do discurso. O uso varia conforme a ênfase que se queira dar: contra uma opção político-partidária, contra os que defendem princípios democráticos e/ou libertários ou os direitos das mulheres e de outras minorias. Como se em cada um desses registros só coubesse uma forma única de ser e de pensar. O tratamento coletivo e pejorativo serve, assim, a uma visão incapaz de abarcar a pluralidade. O mesmo acontece quando se tenta explicar que a atitude desses historiadores estaria sendo conduzida por um Partido, com “P” maiúsculo. Tal fantasmagoria só revela a completa ignorância do colunista em relação à diversidade de posições desses profissionais da área de História – alguns dos mais competentes e destacados, no Brasil e no exterior.

Além de associar dessemelhantes, o colunista da Folha acusa os Historiadores pela Democracia de possuírem “alinhamento ideológico” próximo ao “alinhamento corporativo” dos juízes do Paraná que tiveram seus salários divulgados em uma reportagem. Como se trata de um atentado contra a liberdade de imprensa, ele analisa contradições entre a pretendida defesa dos valores democráticos por associações de magistrados e o assédio judicial cometido contra os jornalistas. Aqui, o golpe e o “sequestro do sistema de justiça” podem ser denunciados. Estranhamente, o articulista não associa os historiadores aos jornalistas, mas sim aos juízes, invertendo completamente a lógica mais elementar. São os juízes que estão recorrendo a estratagemas e brechas do sistema legal para cassar, na prática (como diz o próprio Magnoli) os direitos dos jornalistas. Se pode admitir isso nesse caso, por que não consegue concordar com aqueles que denunciam que, “na prática”, o que se assiste é à produção lenta e gradual de um golpe contra a democracia? Ao preferir xingar, acusar e desqualificar, juntando desiguais sob o signo de comportamentos deploráveis, o colunista se aproxima – ele sim – mais dos juízes que de seus colegas jornalistas.

O que, na manifestação dos Historiadores pela Democracia teria incomodado tanto os autores desses dois textos e seus patrões? A pista está nos títulos. O lugar que todos nós ocupamos na história não está nas mãos dos historiadores, nem terão esses profissionais uma só verdade sobre ela, como já expliquei. Como são partidários de uma história unívoca e “verdadeira”, temem que a narrativa histórica não lhes faça “justiça”. Historiadores do presente e do futuro certamente lerão os documentos produzidos ao longo desse processo e poderão mostrar, com base neles, as forças atuantes, seus protagonistas, os vencedores e vencidos, e aqueles que ficaram em cima do muro. Todos nós temos um lugar – e aqueles que lutaram pela pluralidade e pela diversidade poderão estar juntos, mesmo sendo diferentes. O nome disso é democracia.

Os que usam malabarismos retóricos para criminalizar os que não pensam como eles estão fora deste campo. Ao imaginar uma quadrilha, usar neologismos pejorativos e maiúsculas generalistas, imputam ao outro unicidades que buscam apenas intimidar. Certamente exageros e figuras de linguagem fazem parte da disputa de ideias e argumentos. Mas nesses textos há mais que isso. A história tem exemplos dolorosos desse tipo de comportamento – basta lembrar textos e atitudes de alguns jornalistas, militantes e intelectuais da Alemanha ou da Itália nos anos 1930. O nome disso é fascismo.

(versão arquivada em 26/6/2016 na Biblioteca do Blog)

#HistoriadoresPelaDemocracia

 

 

 

 

 

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A força do passado e os editorialistas do Estadão

A internet e as redes sociais, com destaque para o facebook, tornaram-se um poderoso espaço de formação de opinião no Brasil. As chamadas “memórias” do face me fizeram revisitar um publicação minha de 19 de junho de 2013, sobre o “Anonymous Brasil”, “perfil” extremamente ativo durante as chamadas jornadas de junho de 2013.

“Os post do Anonymous Brasil são simplesmente um horror. …Por que o anonimato? Por que o chamado de tom moral com a palavra de ordem fascista “sem bandeiras partidárias” e “sem ideologia”? Mas, principalmente, por que tantos que não concordam com essa pauta (política e partidária, obviamente) compartilham seus conteúdos? 

Em 2 de julho daquele ano, quando a Copa das Confederações finalmente terminava, eu refletia:

Fim da Copa das Confederações. A democracia passou no teste. Ufa!  … A chamada crise da representação existe em diversos níveis e é em alguma medida mundial. Quero, entretanto, manifestar meu incômodo, com uma certa cultura política de fundo autoritário, que tem predominado nas redes sociais, tanto à esquerda, quanto à direita. Ela apresenta o adversário político, em geral bem eleito, muitas vezes em pleito majoritário, como um ser amoral, oportunista, muitas vezes simplesmente perverso (seus eleitores também o são ou então são ignorantes e manipulados). A tentação autoritária desse tipo de discurso é evidente, mas felizmente, com algumas exceções assustadoras, parece reduzida à dimensão retórica, para ser lida apenas por aqueles que já concordavam antes com quem escreve. Felizmente, ao fim das contas, a polifonia das ruas ficou bem estabelecida. … O fisiologismo foi para o corner. A crise de crescimento nas grandes cidades está no centro dos debates. Vamos ver se haverá reforma política. ..

Não tivemos reforma política, o fisiologismo saiu do corner e a democracia e a constituição de 1988 estão sob ataque. As tentações autoritárias venceram?

Textos publicados neste blog analisando a escalada fascistizante e reacionária que, desde então, se desenvolveu no país, atingindo inclusive os veículos tradicionais da chamada grande imprensa, estão na origem do movimento historiadores pela democracia. Esses textos e outros exercícios de história imediata estão sendo reunidos no tumblr do grupo, sob o título A Força do Passado.  A ideia é tomá-los como base para organizar um livro coletânea de mesmo título. No tumblr, o objetivo é conseguir reunir o conjunto mais amplo possível de reflexões de historiadores sobre a atual crise política brasileira, que se somam aos vídeos de depoimentos, ao vídeo manifesto e  ao registro completo do encontro de mais de 40 historiadores com a Presidenta afastada, na tarde do dia 7 de junho de 2016.

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O evento no Palácio da Alvorada foi precedido de um debate na Universidade de Brasília. Uma edição desse debate, com cerca de 7 minutos, acaba de ser concluída, destacando a preocupação dos presentes com a manutenção dos direitos garantidos pela constituição de 1988. Foi essa preocupação que orientou a iniciativa de organizar os debates “Historiadores Pela Democracia: Por um Brasil com Direitos”, ocorridos em todo o país, nos dias 16 e 17 de junho.

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No Rio de Janeiro, o painel “O Movimento Escola Sem Partido e o Direito à Diversidade Cultural”, na Casa de Rui Barbosa, com Ivana Lima, Hebe Mattos, Fernando Penna, Mônica Lima, Francisco Carlos Teixeira da Silva, Henrique Estrada, Ildeu de Castro Moreira, e mediado por Ângela de Castro Gomes, foi transmitido ao vivo e reuniu mais de 300 pessoas. O vídeo com a edição do debate da UNB foi apresentado no evento. O registro integral estará brevemente disponível no canal da instituição no youtube.

Toda essa movimentação reunindo alguns dos mais importantes historiadores do Brasil e do exterior, englobando uma enorme diversidade de escolas historiográficas e orientações teóricas, não mereceu sequer uma linha nos chamados grandes jornais brasileiros. Esta tem sido a regra predominante para quase todo o alentado movimento da sociedade civil de resistência ao governo interino e à forma como chegou ao poder.

Apesar disso, o movimento historiadores pela democracia tornou-se alvo de um editorial raivoso de “O Estado de São Paulo”, que acusava os historiadores em visita ao Palácio da Alvorada de “estar a serviço de partidos” e de desprezar aquilo que tinham ido homenagear: o estado democrático de direito e a Presidenta  legítima, eleita por 54 milhões de votos, Dilma Rousseff. No ataque desferido, o texto do editorial reduz os intelectuais que participaram do movimento ao anonimato,  enquadrando-os, como “lulopetistas”, no discurso de ódio que tenta legitimar o impedimento da Presidenta. A pluralidade de orientações teóricas e políticas dos historiadores que se engajaram no movimento, sua relevância intelectual nos diversos campos de atuação em que se inserem, a defesa comum dos sentidos republicanos e democráticos da ordem política brasileira, bem como a preocupação com o crescimento da intolerância e do discurso de ódio no país, essenciais ao vídeo manifesto veiculado, foram simplesmente ignorados.

Vivemos tempos sombrios. Intelectuais transformados em “não notícia” por decisão editorial podem tornar-se alvo de editoriais que não citam seus nomes. Um texto sem assinatura, representando uma entidade corporativa, O Jornal O Estado de São Paulo, desfere ataque absolutamente maniqueísta contra supostos “lulopetistas” igualmente anônimos. Os autores desconhecidos do editorial escolheram o texto coletivo do manifesto como base da crítica,  fingindo ignorar o vídeo síntese que lhe deu origem, construído como narrativa polifônica a partir de mais de 80 depoimentos, onde as autorias individuais estão bem evidenciadas. Citam, retiradas do contexto, como exemplo de “má fé” ou de “lulopetismo”, frases de Sidney Chalhoub, da Universidade de Harvard, de Martha Abreu, da UFF e de Iris Kantor, da USP, sem qualquer referência.

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O ataque fascista à UNB ocorrido na semana passada e o editorial do Estadão contra o movimento historiadores pela democracia são faces de uma mesma e assustadora moeda. Como bem disse a Presidenta Dilma, ultrapassaram a fronteira do Estado de Exceção. Repito, aqui, frase de Heloisa Starling, destacada no vídeo manifesto: Nós vamos mesmo abrir mão dos princípios das sociedades republicanas, princípios baseados na liberdade e na igualdade? 

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Para concluir, convido todos a assistir, já com legendas em inglês, uma pequena edição das falas públicas no encontro dos historiadores pela democracia com a Presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada (9 minutos). Foi um momento emocionante. Um dia para ficar na história.

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Mais respeito com a biografia dos outros, pessoal

O Estadão publicou hoje, 14/6/2016, um editorial de ódio sobre a inciativa de entregar um Vídeo/Manifesto de historiadores em defesa do estado democrático de direito à Presidenta afastada. O autoritarismo do jornal é quase inacreditável. Ele não se dá ao trabalho de citar qualquer dos intelectuais que participaram da iniciativa. Segundo o jornal, Harvard, Sorbonne, Brown e as melhores universidades brasileiras estão aparelhadas pelo “lulopetismo”. Seria cômico se não fosse trágico. Incomodamos. (por Hebe Mattos e Martha Abreu)

Sobre as opiniões veiculadas pelo jornal, vale ler a rápida e precisa resposta de Keila Grinberg, publicada em sua página do facebook.

Aprendi muito com “a opinião” do Estadão de hoje. Aprendi que meu ofício é “reconstituir o passado”. Essa foi boa. E passado lá é cena de crime, para ser reconstituído?

Nós narramos, contamos, explicamos. Interpretamos os fatos. Discordamos uns dos outros. E, acima de tudo, ensinamos aos nossos alunos que, quando queremos argumentar a favor desta ou daquela interpretação – qualquer interpretação – é preciso, no mínimo, contextualizar o documento e citar a fonte. Do contrario, não passa de mera “opinião”.

Pelo menos nisso, o Estadão foi honesto: o que está escrito no editorial é mera opinião. Sem qualquer fundamento. Afirmar que formulamos um “pensamento único nas universidades” e que pretendemos difundir um “discurso consensual” sobre o que quer que seja é opinião sem qualquer fundamento. Afirmar que pretendíamos aproveitar o sucesso eleitoral petista “para tornar hegemônica a versão segundo a qual o PT e seus satélites transformaram o Brasil no país da justiça social” é opinião sem qualquer fundamento.

O Estadão, como bom jornal que supõe ser, ao invés de desqualificar aqueles a quem critica podia ao menos indicar a fonte. Assim seus leitores podem formar suas próprias ideias, mesmo que sejam diferentes daquelas expressas pelo jornal. É isso o que ensinamos aos nossos alunos.

Então, aí vai: para quem quiser saber quem são os Historiadores pela Democracia, acesse http://historiadorespelademocracia.tumblr.com/. E para quem não leu a opinião do Estadão, aqui vai a fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 14 de junho de 2016, http://opiniao.estadao.com.br/…/geral,o-lugar-de-dilma-na-h…, acessado no mesmo dia. Tirem suas próprias conclusões.

Agora, de tudo isso, o que me chateou mesmo foi a referência ao Marc Bloch: mais respeito com a biografia dos outros, pessoal.

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Não dialogamos com Governo golpista, patriarcal e ilegítimo

Confira o Tumblr Historiadores Pela Democracia para ter acesso às resoluções do encontro Historiadores Pela Democracia, realizado na UNB no dia 7 de junho, e ao registro audiovisual do encontro de historiadores com a Presidenta Dilma Rousseff, no mesmo dia, no Palácio da Alvorada.

No Alvorada, encontraram-se com a Presidenta alguns dos principais historiadores brasileiros. Entre eles, especialistas em todas as áreas da disciplina, com ênfase na história do Brasil e da América Latina, na história do tempo presente e, não por acaso, na história da escravidão no Brasil e das heranças e traumas que nos foram legados por este passado. São muitos os historiadores que vão buscar a raiz da crise atual na nossa formação colonial e escravocrata, que fez da lógica do privilégio base da cultura política brasileira. Tânia Bessone, da UERJ, representou a diretoria da Associação Nacional de História e James Green, da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, também estava entre os presentes.

Dilma Rousseff abriu o encontro com uma fala em defesa da democracia de cerca de meia hora realmente memorável. O encontro no Alvorada foi ao ar ao vivo e foi registrado também pela Mídia Ninja. Durante as falas dos historiadores, foi entregue a Presidenta a serigrafia em tela “#Democracia” . Depois da cerimônia, Dilma confraternizou com todo o grupo e conversou longamente com James Green sobre o livro que ele lançará em breve, uma biografia de Herbert Daniel, pioneiro da luta LGBT no Brasil, que foi amigo pessoal da Presidenta.

Como desdobramento do encontro, convidamos todos para o Debate sobre o movimento “Escola sem Partido” e o direito à diversidade cultural,  que vai se realizar no dia 17 de Junho de 2016, às 15:30, no Auditório da Fundação Casa de Rui Barbosa, como  atividade da mobilização nacional do grupo Historiadores Pela Democracia: por um Brasil com direitos, prevista para os dias 16 e 17 de junho.

Publicamos, a seguir, a Carta de Renúncia ao Conselho Nacional de Direitos da Mulher apresentada por importantes organizações de mulheres e Conselheiras de notório saber. Elas nos representam.

Não dialogamos com Governo golpista, patriarcal e ilegítimo

Nós, representantes da Articulação de Mulheres Brasileiras/AMB, Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras/AMNB, da Marcha Mundial das Mulheres/MMM, da Rede Mulher e Mídia/RMM; da Rede Economia e Feminismo/REF e as Conselheiras de Notório Conhecimento das questões de Gênero, Maria Betânia de Melo Ávila, Matilde Ribeiro, integrantes do CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher vimos anunciar nossa RENÚNCIA ao mandato de Conselheira, pelos motivos abaixo expressados.

Não reconhecemos o governo provisório por considera-lo ilegítimo, resultado de uma coalizão de forças políticas que chega ao poder por meio de um golpe parlamentar-jurídico-midiático, levando ao afastamento temporário da Presidenta Dilma, eleita pelo voto popular, configurando um ataque à institucionalidade democrática;

Desde que assumiu o poder, este governo interino e ilegítimo vem cumprindo um programa ultraliberal, que requenta boa parte do programa eleitoral da coalizão derrotada nas últimas eleições presidenciais, e promove, de maneira ilegítima, mudanças ministeriais que representam uma brutal desestruturação de políticas públicas voltadas para a garantia de direitos, sinalizando o aprofundamento de retrocessos nas políticas de educação, seguridade social, de promoção da igualdade racial e nas políticas públicas para as mulheres, começando pelo desmonte da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres;

O governo interino e ilegítimo colocou no primeiro escalão do poder executivo, somente ministros homens e brancos, de partidos da coalizão golpista, muitos dos quais envolvidos em esquemas de corrupção e com posições marcadamente contrárias ao avanço dos direitos humanos e do desenvolvimento do País, assim como, a ameaça ao Estado Democrático de Direito. E para completar, não só acabou com o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, como transferiu para o Ministério da Justiça as atribuições da Secretaria de Políticas para as Mulheres e nomeou para a pasta uma pessoa com postura contrária aos direitos sexuais e reprodutivos, agenda historicamente defendida pelas feministas.

Soma-se a tantos descalabros deste governo golpista, a tentativa de criminalização dos movimentos sociais e a utilização do aparato repressivo do estado, para reprimir qualquer manifestação organizada, quando o intuito é o de resistir e desmascarar a farsa do impeachment sem crime de responsabilidade, praticando repressão violenta contra as manifestações populares rememorando os tempos da ditadura militar.

Não reconhecemos este Governo e, portanto, com ele não dialogaremos. Acreditamos que a participação nos conselhos de controle social tem como objetivo primordial democratizar o Estado e avançar na garantia de direitos. Em um governo instituído pelo desrespeito à Constituição e ao voto popular e, portanto, à institucionalidade democrática, não existe possibilidade de diálogo.

Não renunciaremos à luta em defesa da Democracia. Permaneceremos nas ruas contra o golpe do impeachment, defendendo a continuidade do mandato da Presidenta Dilma Roussef e com ela retornaremos após derrotarmos o golpismo, comprometidas com um programa de avanço na implementação dos direitos das mulheres.

Estaremos nas ruas, contra a direita, pelos direitos. Golpistas, não passarão! Fora Temer!

Brasília, 06 de junho de 2016.

Conselheiras:
Schuma Schumaher – Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Josanira Rosa Santos da Luz – Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB
Lourdes Andrade Simões -*Marcha Mundial das Mulheres – MMM*
Maria Betânia de Melo Ávila – Notório Conhecimento das questões de Gênero
Matilde Ribeiro – Notório Conhecimento das questões de Gênero
Rachel Moreno – Rede Mulher e Mídia – RMM
Sarah Luiza de Souza Moreira – Rede Economia e Feminismo -REF

Também nos dias 16 e 17 de junho, o Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras (GIN-UFRJ), coordenado por Giovana Xavier, historiadora do blog, promove o I Seminário Intelectuais Negras e escritas de si, um espaço ativista acadêmico que objetiva conferir visibilidade ao protagonismo de mulheres negras na história do Brasil. A programação, comprometida com o enfrentamento ao racismo, ao machismo e à transfobia, é composta por uma mesa solene, uma para apresentação do trabalho do grupo e três rodas de saberes, estruturadas a partir de três eixos: racialização do cuidado, movimentos sociais e protagonismo acadêmico. Para maiores informações visitem a página do evento no Facebook:

Seminário Intelectuais Negras - flyer com logo  11.06.16

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Debate sobre o movimento “Escola sem Partido” e o direito à diversidade cultural
17 de Junho de 2016. 15:30 – Auditório
Fundação Casa de Rui Barbosa
Rua São Clemente, 134, Botafogo

O encontro é promovido pelo grupo Historiadores pela democracia, pela Anpuh Brasil, por professores e pesquisadores das seguintes instituições: Fundação Casa de Rui Barbosa, Casa de Oswaldo Cruz, UFRJ, UFRRJ, UFF, Unirio, PUC-Rio, UERJ, CPDOC, Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC), MAST, SBPC.

Ivana Stolze Lima (FCRB) (mediação)
Hebe Mattos (UFF)
Henrique Estrada (PUC-Rio)
Fernando Penna (UFF)
Monica Lima (UFRJ)
Ildeu de Castro Moreira (UFRJ e SBPC)
Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ)
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Arquivado em antiracismo, cultura negra, história e memória, historiografia

Lançamento do vídeo: historiadores pela democracia

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A tela acima dá acesso ao vídeo historiadores pela democracia, de 7 minutos, que lançamos em primeira mão aqui no Blog.  Ele será exibido amanhã, às 10 horas, na jornada Historiadores pela Democracia, no Auditório da Biblioteca Central da UNB.

A ANPUH Nacional estará representada no encontro pela Professora Tânia Bessone, conforme nota publicada hoje pela entidade.

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(clique na imagem para ler a nota)

O vídeo editado pode ser visto também no tumblr Historiadores Pela Democracia. Ficará ali arquivado de forma permanente, junto a todos os depoimentos individuais produzidos pelo nosso movimento.

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(clique na imagem para acessar o tumblr)

No ato da UNB será redigido um manifesto de historiadores em defesa do estado democrático de direito a ser entregue à Presidenta Dilma Rousseff, na parte da tarde, em audiência no Palácio da Alvorada.

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Com a Presidenta, pela democracia!

Dezenas de vídeos gravados por historiadores de todo o Brasil, com mensagens à Presidenta Dilma Rousseff e em defesa da democracia, estão disponíveis no grupo do facebook Historiadores pela Democracia. Alguns dos mais experientes profissionais do nosso ofício, professores universitários e jovens profissionais do ensino reunidos em uma verdadeira aula de história. Nós disponibilizamos os vídeos também aqui no blog. Os depoimentos são emocionantes e esclarecedores.

Aproveitamos também para divulgar o Encontro de Historiadores Pela Democracia com a Presidenta Dilma Rousseff que ocorrerá no próximo dia 7 de junho no Palácio da Alvorada, agendado para às 15 horas, organizado por iniciativa do BLOG, sob a coordenação de Hebe Mattos, Ana Flávia Magalhães Pinto, Beatriz Mamigonian (UFSC) e Tiago Gil (UNB). Cerca de 50 historiadores de todo o país,  entre eles a Vice-Presidente da Associação Nacional de História, Lucília de Almeida Neves, e James Green, brasilianista da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, se encontrarão com a Presidenta e lhe entregarão um vídeo/síntese do conjunto de depoimentos.

Pela manhã, no mesmo dia, convidamos a todos que estiverem em Brasília, para um debate sobre história e democracia com os participantes do encontro, a partir das 10 horas, no auditório da Biblioteca Central da UNB (Universidade de Brasília). Divulgaremos em breve, aqui no blog, a programação detalhada do evento, com a lista completa dos participantes.

Historiadores pela Democracia (clique no nome para ver o vídeo)

MANIFESTAÇÃO DA ANPUH NACIONAL CONTRA VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Leitura da moção da LASA repudiando o processo anti-democrático em curso no Brasil, LASA,  Latin American Studies Association, Nova York, 2016

James Green/  Brown University   e Leitura da moção da LASA repudiando o processo anti-democrático em curso no Brasil, LASA,  Latin American Studies Association, Nova York, 2016.

Laura de Mello e Souza/ Cátedra de História do Brasil/ Université Sorbonne_Paris IV

Sidney Chalhoub/ (por e-mail)/ Querida Presidenta Dilma, O Brasil não inventou o golpe “legal”, mas em nosso país a farsa é mais profunda e descarada. Um legislativo venal e um judiciário partidarizado insistem em cassar 54 milhões de votos. O golpe representa a força do passado na sociedade brasileira. As suas bandeiras são o privilégio de classe, a misoginia, o racismo e a corrupção. Resistir é afirmar os valores da democracia e da justiça social. Por isso seguiremos o seu exemplo: enquanto houver golpe, haverá resistência. Sidney Chalhoub, Professor de História do Brasil, Harvard University.

Claudia Viscardi/ Professora Titular do Departamento de História da UFJF

Durval Muniz de Albuquerque Jr/ Professor Titular da UFRGN

Gizlene Neder/ Professora Titular da UFF

Hebe Mattos/ Professora Titular de História do Brasil da UFF/ Blog Conversa de Historiadoras

Heloísa Starling/ Professora Titular da UFMG

Isabel Lustosa/ Casa de Rui Barbosa

Joana Maria Pedro/ Professora Titular da UFSC

João Fragoso/ Professor Titular da UFRJ

João Reis/ Professor Titular da UFBA // (por e-mail) // Bom dia Sra Presidenta! Me chamo João Reis, sou professor da UFBA, e me encontro no momento em Berlim a pesquisar, escrever, a acompanhar em estado de tensão (mas não desanimado) os acontecimentos recentes no Brasil. Brasil que, visto por grande parte da imprensa internacional relevante, sofreu um golpe de Estado. Presidenta, um dos métodos de trabalho mais usados pelo historiador se assemelha ao de uma investigação policial: começamos com hipóteses (ou “suspeitas”) e vamos aos documentos em busca de provas para confirmá-las ou não. A hipótese que muitos de nós – não apenas nós, é claro! – vínhamos sugerindo há alguns meses era a de que um golpe estava sendo gerado e que culminou com a abertura do processo de seu impedimento naquela lamentável sessão ca Câmara dos Deputados, e chefiado por quem!. Ora, com as gravações desse Sérgio Machado, temos o que chamamos de fonte segura a comprovar a hipótese do golpe, está tudo lá explicadinho. Espera-se a Justiça, cujos métodos de trabalho se assemelham ao dos historiadores, começará, pelo menos, a considerar a hipótese do golpe, avançando na coleta de provas e decidindo de acordo com elas. Um abraço, Sra. Presidenta!

Jurandir Malerba/ Professor no PPGH (Programa de Pós-Graduação em História) da UFRGS

Lilia Schwarcz/ Professora TItular de Antropologia da USP

Luiz Carlos Soares/ Professor Titular de História Moderna e Contemporânea da UFF

Marcus Carvalho/ Professor Titular da UFPE

Martha Abreu/ Professora Titular da UFF/Blog Conversa de Historiadoras

Regina Horta Duarte/ Professora Titular de História do Brasil da UFMG

Tom Gil/ Professor Titular de História da América Latina da UFES

Adriana Facina/Historiadora e Antropóloga do Museu Nacional/UFRJ

Alexandre Moraes/ Departamento de História da UFF

Alexsander Gebara / Professor Associado de História da África da UFF

Américo Freire/ CPDOC/FGV/Rio de Janeiro

Ana Flávia Magalhães Pinto / Doutora em História pela UNICAMP/ Blog Conversa de Historiadoras

Ana Flavia Ramos/ Departamento de História da Universidade Federal de Urbelância

André Honor/ Professor de História da UNB

Andrea Casa Nova Maia/ Professora do Instituto de História da UFRJ

Andréa Lisly/ Departamento de História da UFOP

Anita Almeida/ Departamento de História da UNIRIO

Anita Lucchesi/ Doutoranda Universidade de Luxemburgo

Anna Gicelle Garcia Alaniz/ Doutora em História pela USP

Artur Costa/ Mestrando em História – Universidade Federal de Urbelândia

Beatriz Mamigonian/ Departamento de História da UFSC

Benito Schmidt/ Departamento de História da UFRGS e ex-presidente da ANPUH

Carla Rodeghero/Departamento de História da UFRGS

Carlos Mizael/Professor de História

Caroline Silveira Bauer/ Departamento de História da UFRGS

Cecilia Azevedo/ PPGH da Universidade Federal Fluminense

Célia Tavares/ Faculdade de Formação de Professores da UERJ

Claudio Batalha/Departamento de História da UNICAMP

Cristina Scheibe Wolff/ Departamento de História da UFSC

Denilson Botelho/ Departamento de História da UNIFESP

Du Meinberg Maranhão/ Presidente da Associação Brasileira de História das Religiões

Dulce Pandolfi/CPDOC/FGV/Rio de Janeiro

Fabiane Popinigis/ Departamento de História da UFRRJ

Fernando Nicolazzi/ Departamento de História da UFRGS

Fernando Teixeira da Silva/ Departamento de História da UNICAMP

Flávio Limoncic/ Departamento de História da UNIRIO

Francisco Carlos Palomanes Martinho/ Professor Associado do Departamento de História da USP

George Cabral/ Departamento de História da UFPE

Giovana Xavier/Professora de História (Prática de Ensino) da Faculdade de Educação UFRJ/ Blog Preta Dotara na Primeira Pessoa/ Blog Conversa de Historiadoras

Isabel Guillen/ Departamento de História da UFPE

Iris Kantor/ Departamento de História da USP

Jaime Rodrigues/ Departamento de História UNIFESP

Juarez Silva Jr./ Ativista do Movimento Negro e Mestrando em História Social pela Universidade Federal do Amazonas (nessa ordem)

Juliana Gesuelli Meirelles/ Historiadora e Professora da PUC Campinas

Julio Claudio da Silva/ Departamento de História da UEA

Kátia Gerab Baggio/ Departamento de História na UFMG

Keila Grinberg/ Departamento de História da UNIRIO/Blog Conversa de Historiadoras

Laura Oliveira/ Departamento de História da UFBA

Leandro N. de Souza/ Doutorando em história social pela UFF

Leila Bianchi Aguiar/Departamento de História da UNIRIO

Lise Sedrez/ Professora no Instituto de História da UFRJ

Luís Eduardo de Oliveira/ Professor de História/ IFES Juiz de Fora

Luiz Alberto Grijó/ Departamento de História da UFRGS

Luiz Carlos Villalta/ Departamento de História da UFMG

Manoela Pedroza/ Professora no Instituto de História da UFRJ

Márcia Chuva/ Departamento de História da UNIRIO

Maria Regina Celestino de Almeida/ Departamento de História da UFF

Mariana Muaze/ Departamento de História da UNIRIO

Monica Lima/ Professora de História da África do Instituto de História da UFRJ/ Blog Conversa de Historiadoras

Nancy Assis/ Professora de História da Universidade Estadual da Bahia (UEB)

Paula Vermeersch/ Professora na Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquista Filho (UNESP)

Paulo Cavalcante/ Departamento de História da UNIRIO

Paulo Pinheiro Machado/ Departamento de História da UFSC

Plínio Ferreira Guimarães/ Professor do Instituto Federal do Espírito Santo

Priscila Faulhaber/ Museu da Astronomia e Ciências Afins

Rafael Ioris/ Professor de História Latino-Americana na Universidade de Denver

Renan Siqueira/ Aluno do Programa de Pós-Graduação em História do Rio de Janeiro

Ricardo Salles/ Departamento de História da UNIRIO

Rodrigo Camargo de Godoi/ Estágio de Pós-Doutoramento em História da UNICAMP

Rodrigo De Azevedo Weimer/ Historiador na Fundação de Economia e Estatística do RGS.

Silvia Petersen/ Professora do PPG da UFRGS (por email) / Prezada Hebe/ Quem escreve é Silvia Regina Ferraz Petersen, professora do Departamento de História da UFRGS e ficaria muito agradecida se pudesses incluir meu nome em todas as manifestações de apoio que estás organizando para a Presidenta Dilma, com tantos   colegas historiadores. Esta mulher forte e honesta tem que conhecer o quanto a estimamos e reconhecemos seu trabalho dedicado para a democratização da sociedade brasileira. Este golpe é uma vergonha! Fica Dilma! / Atenciosamente, Silvia Petersen

Tania Bessone/ Departamento de História da UERJ

Tiago Gil/ Departamento de História da UNB

Wagner Teixeira/ Departamento de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro  e Presidente da ANPUH/MG.

Wilton Silva/ Departamento de História/ UNESP/ Campus Assis.

Yuri Soares/ Professor de História da Secretaria de Educação do Distrito Federal

Wlamyra Albuquerque/ Departamento de História da UFBA

Ivana Lima (Casa de Rui Barbosa), com Alvaro Nascimento (UFRRJ), Gabriela Sampaio (UFBA), Lucilene Reginaldo (UNICAMP); Marcelo Balaban (UNB), Maria Clementina Cunha (UNICAMP), Martha Abreu (UFF), Silvia Lara (UNICAMP)// Fora Temer

“A LASA denuncia o atual processo de impeachment em curso no Brasil como antidemocrática e encoraja os seus membros a chamar a atenção do mundo para os precedentes perigosos que este processo estabelece para toda a região. Esta moção foi aprovada pelo comitê executivo da Associação de Estudos Latino Americanos e agora será votado por seus membros em um plebiscito.” Vídeo Midia Ninja com James Green – Universidade de Brown e acadêmicos presentes na LASA, 2016 (Nova York).

Carta de André de Castro de entrega da serigrafia em tela  #Democracia (imagem abaixo) à Presidenta, durante a visita do grupo historiadores pela democracia ao Palácio da Alvorada, em 7 de junho de 2016.

(esta lista será atualizada com as novas ocorrências)

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HistoriadorXs Pela Democracia

O blog Conversa de Historiadoras e o grupo Historiadores pela Democracia estão organizando um ato em defesa do estado democrático de direito, a começar às 10 horas, do dia 7 de junho, no auditório da Biblioteca Central da UnB. À tarde, estamos preparando um encontro com a Presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros e ilegalmente afastada do poder, com a presença de um representante da diretoria da ANPUH Nacional. Convidamos todos os colegas de profissão que estão mobilizados na defesa da democracia brasileira a depositarem um depoimento em vídeo, de até um minuto, no grupo do Facebook Historiadores pela Democracia, até a próxima quarta-feira. No encontro, previsto para acontecer no Palácio da Alvorada, está programada a exibição de um vídeo/clip com a edição dos vídeos reunidos. Neste post, divulgamos os depoimentos das historiadoras do Blog. Clique nas fotos para ver os vídeos.

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Hebe Mattos

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Martha Abreu

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Ana Flávia Magalhães Pinto

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Keila Grinberg

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