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Identidades Atlânticas e Subjetividades Negras

Edição extraordinária do Blog para divulgar a próxima mesa do “Ciclo de Debates Juiz de Fora: Cidade Negra. Reflexões sobre silêncio, racismo e história”, organizadas pelo LABHOI/UFJF. As mesas já realizadas, ao vivo, estão acessíveis no canal e fazem parte agora do arquivo do Centro de Referência Virtual de mesmo título.

Em cada uma das sessões, conhecemos um pouco mais a história da diáspora negra no principal centro urbano com origem nas antigas áreas cafeicultoras e escravistas do Brasil no século XIX, registrando, ao mesmo tempo, novos depoimentos de pesquisadores e de ativistas do movimento negro e da luta anti-racista na cidade. Os debates realizados têm produzido reflexões iluminadoras sobre os sentidos globais em que os processos discutidos estão inseridos.

A começar pela abertura, em 30 de junho, com a emocionante conferência da historiadora Rita de Cassia Felix…

e a luxuosa participação de Wlamyra Albuquerque (UFBA) e Ynaê Lopes dos Santos (UFF) no debate.

PRIMEIRA MESA: CIDADES NEGRAS NO MUNDO ATLÂNTICO

Vale conferir a mesa completa, com o filme de lançamento do Centro de Referência Digital, coordenado em parceria com Giovana Castro, em paralelo ao Ciclo de Debates que contará com sessões mensais até dezembro de 2020:

Em 28 de julho, o debate sobre o tema transversal Saúde e Racismo contou com onze pessoas ao vivo, incluindo a companheira de blog, Keila Grinberg, que tratou do tema da perspectiva da história atlântica, entre palestrantes, debatedores e intérpretes de libras.

Apesar de alguns problemas técnicos, rendeu depoimentos e discussões iluminadoras sobre interdisciplinaridade, interseccionalidade, ativismo, memória e história, com tradução simultânea em libras. Está arquivado com uma linda edição corrigindo os sobressaltos do ao vivo no canal LABHOI UFJF no youtube.

Por fim, convidamos a todos para a próxima mesa, na terça feira, 25 de agosto, 17:30. Memória e história dos movimentos negros na cidade e suas interfaces nacionais e transnacionais estarão no centro do debate. Não percam. A divulgacão da UFJF tem dado excelente cobertura à iniciativa. Os amigos do BLOG podem saber mais sobre o evento da próxima terça na reportagem disponível neste link.

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Aula 2 está no Blog! Na próxima semana: Cultura e Diáspora Negras na Escola de História da UNIRIO

Querides todes que seguem o blog,

O post da semana é louvação da nossa incrível parceria com o canal da Escola de História da UNIRIO durante este tempo de infinita quarentena.

Nesta segunda, o Quarentena com a Escola de História – Unirio contou com a presença de Martha Abreu, fundadora do Blog e professora visitante naquele programa de pós-graduação nos últimos dois anos. A palestra está gravada no canal da Escola de História. Quem perdeu, não deixe de conferir Martha falando sobre seu último livro, “Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930” (Unicamp). O Quarentena com a Escola de História acontece toda segunda feira às 17h no YouTube da Escola de História da UNIRIO. — em UNIRIO.

Na quarta, 19/08, também às 17 horas, a terceira aula do nosso curso Emancipações e Pós abolição: por uma outra história do Brasil, coma Profa. Ynaê Lopes dos Santos (UFF) e o tema Cidades escravistas e diáspora negra no Atlântico.

Segundo Ynaê Lopes dos Santos, professora de história da América da Universidade Federal Fluminense,

Ynaê Lopes dos Santos

“as cidades escravistas são espaços privilegiados para analisar as dinâmicas e complexidades da escravidão negra nas Américas. Nessa aula pretendo examinar como as grandes cidades escravistas das Américas, com foco nas duas maiores (Rio de Janeiro e Havana) foram espaços nos quais era possível observar a força e a escolha pela escravidão, mas também espaços de luta e resistência cotidianas, nas quais os sentidos da escravidão e da liberdade eram ressignificados pelos diferentes sujeitos históricos.”

Por fim, deixamos aqui registrada a segunda aula, de Keila Grinberg, com sua bibliografia, acompanhada por mais de 1300 pessoas ao vivo.

Aula de Keila Grinberg – UNIRIO

Cada uma de nós adorou a aula, tristemente atual em um dia em que uma autoridade do judiciário brasileiro havia condenado alguém fazendo considerações sobre “sua raça”. Foi um excelente debate, saímos todas com a sensação de missão cumprida:

A proibição do tráfico atlântico de africanos escravizados e o pacto pela escravidão

Profa: Keila Grinberg

Referencias:

Banco de dados: Voyages: The Trans-Atlantic Slave Trade Database, https://www.slavevoyages.org/. (banco de dados sobre o tráfico de africanos escravizados; disponível também em português).

Bibliografia:

– Alencastro, Luiz Felipe. “Cotas: parecer de Luiz Felipe Alencastro ao Supremo Tribunal Federal, em 04 de março de 2010”. Disponível em https://fpabramo.org.br/2010/03/24/co…

– Alencastro, Luiz Felipe, “O pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira”, Novos Estudos Cebrap, no 87, São Paulo, Julho 2010. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002…. Disponível em https://www.scielo.br/scielo.php?scri….

– Berbel, Marcia; Marquese, Rafael e Parron, Tamis. Escravidão e Política. Brasil e Cuba, 1790-1850. São Paulo: FAPESP/HUCITEC, 2010.  

– Bethell, Leslie. A abolição do comércio brasileiro de escravos. Brasília, Senado Federal, 2002. Disponível em https://www2.senado.leg.br/bdsf/handl…

– Chalhoub, Sidney. A Força da Escravidão: ilegalidade e costume no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. – Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824). Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/…

– Dantas, Monica Duarte (org.). Revoltas, Motins, Revoluções: homens livres e libertos no Brasil do século XIX. São Paulo. Alameda, 2011.

– Ferreira, Frederico Antonio, “O tráfico brasileiro de cativos na foz do rio Congo 1780 a 1930: entre velhos e novos paradigmas”, Revista Territórios e Fronteiras, vol. 10, no 1 (jan-ju 2017), 25-46.

– Fischer, B; Grinberg, K. ; Mattos, H. Direito, Silêncio e Racialização das Desigualdades nas História Afro-Brasileira. In: Alejandro de la Fuente; George Reid Andrews. (Org.). Estudos Afro-Latino-Americanos: Uma Introdução. Buenos Aires, CLACSO: 2018. http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacs…

– Grinberg, Keila. O Fiador dos Brasileiros: cidadania, escravidão e direito civil no tempo de Antonio Pereira Rebouças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. – Grinberg, Keila. Liberata, a lei da ambiguidade: as ações de liberdade da Corte de Apelação no Rio de Janeiro no século XIX. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1994. Disponível online em http://www.bvce.org.br/DownloadArquiv….

– Grinberg, Keila. “Slavery and International Relations in 19th century Brazil”. Oxford Research Encyclopedia of Latin American History, Julho 2020. DOI: 10.1093/acrefore/9780199366439.013.814 . Disponível em https://oxfordre.com/latinamericanhis…

– Grinberg, Keila. “The Two Enslavements of Rufina: Slavery and International Relations on the Southern Border of Nineteenth-Century Brazil.” The Hispanic American Historical Review, 96, vol. 2 (2016): p. 259-290. https://doi.org/10.1215/00182168-3484173

– Lima, Ivana Stolze. Cores, marcas e falas. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003. – Mamigonian, Beatriz G. Africanos Livres: a abolição do tráfico de escravos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

– Mattos, Hebe. Escravidão e Cidadania no Brasil Monárquico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

– Mattos, Hebe. Das Cores do Silêncio. Campinas: Editora da UNICAMP, 2013.

– Mattos, Hebe. “Identidade camponesa, racialização e cidadania no Brasil monárquico”. Revista Almanack USP 3, 2006, doi: https://doi.org/10.11606/issn.1808-81…. Disponível em http://www.revistas.usp.br/alb/articl…

– Mattos, Ilmar Rohloff de. O Tempo Saquarema: a Formação do Estado Imperial. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 2004.

– Nabuco, Joaquim, O Abolicionismo (1883). Petrópolis, Vozes, Petrópolis, 1977.

– Oliveira, Maria Luiza Ferreira de. “O Ronco da Abelha: resistência popular e conflito na consolidação do Estado nacional, 1851-1852”, Almanack USP 1, 2005, foi https://doi.org/10.11606/issn.1808-81… . Disponível em http://www.revistas.usp.br/alb/articl….

– Parron, Tamis. A política da escravidão no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

– Rodrigues, Jaime. O infame comércio: propostas e experiências no final do tráfico de africanos para o Brasil (1800-1850). Campinas: Editora da Unicamp / CECULT, 2000.

– Rodrigues, Jaime, “O tráfico de escravos e a experiência diplomática afro-luso-brasileira: transformações ante a presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro”, Anos 90, v. 15, n. 27 (2008), 107-23.

– Salles, Ricardo. Nostalgia imperial. Escravidão e formação da identidade nacional no Brasil do Segundo Reinado. Rio de Janeiro: Ponteio, 2013.

– Souza, Adriana Barreto de Souza e alii. “Pacificar” o Brasil: das guerras justas às UPPs. São Paulo, Alameda, 2017.

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A aula 1 está no Blog! Na próxima: o contrabando de gente na origem do país

Quase 2000 pessoas assistiram ao vivo e mais de 10 mil já acompanharam no canal da Escola de História da UNIRIO, a primeira aula do nosso curso de extensão Escravidão, racismo e os sentidos da cidadania no processo de independência , com a professora Hebe Mattos.

Aula de Hebe Mattos (LABHOI/UFF/UFJF)

A aula fica registrada também aqui no Blog, com sua bibliografia.

Não percam a aula de Keila Grinberg, na próxima quarta feira, 12/8, no mesmo horário (17 às 19) com o tema: A proibição do tráfico atlântico de africanos escravizados e o pacto pela escravidão. Com ela, vamos conversar sobre como e por que o contrabando de gente esteve na origem do Brasil. A mediação será de Wlamyra Albuquerque.

Escravidão, racismo e os sentidos da cidadania no processo de independência

Hebe Mattos

Textos e Documentos de referência para a construção da aula:

Mattos, Hebe. “Slavery, Race and the Construction of the Imperial Order.” In Oxford Research Encyclopedia of Latin American History. Oxford University Press. Forthcoming. doi: 10.1093/acrefore/9780199366439.013.ORE_LAH-00861.

Barth, Fredrik. “Etnicidade e o Conceito de Cultura”. Antropolítica (n. 1). Niterói: EDUFF, 1995.

Bloch, Marc. Apologia da História ou O Ofício do Historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001. 

Varnhagen, Francisco Adolfo. Francisco Adolfo de Varnhagen, “Discurso preliminar. Os índios perante a nacionalidade brasileira”. In: Francisco Adolfo de Varnhagen. Historia Geral do Brazil isto é do descobrimento, colonisação, legislação e desenvolvimento deste Estado, hoje Império independente, escripta em presença de muitos documentos autênticos recolhidos nos archivos do Brazil, de Portugal, da Hespanha e da Hollanda. Tomo Segundo. Rio de Janeiro: Laemmert,, 1857, p. XIV-XXVIII.

Mott, Luís. “Um documento inédito para a história da independência”. In Carlos Guilherme Motta (org). 1822: Dimensões. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972, p. 482.

Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824)

Filme:

Hebe Mattos e Martha Abreu. Passados Presentes. Memória Negra no Sul Fluminense. LABHOI/UFF, 2011.

Bibliografia:

Albuquerque, Wlamyra. O Jogo da Dissimulação. São Paulo: Civilização Brasileira, 2009.

Belton, Lloyd. “Emiliano F.B. Mundrucu: Inter-American revolutionary and abolitionist (1791–1863)”, Atlantic Studies, 15:1, 62- 82, 2018.  DOI: 10.1080/14788810.2017.1336609

Berbel, Marcia; Marquese, Rafael e Parron, Tamis. Escravidão e Política. Brasil e Cuba, 1790-1850. São Paulo: FAPESP/HUCITEC, 2010 

Fabian, Johanes. O Tempo e o Outro: como a antropologia estabelece seu objeto. Trad. Denise Jardim Duarte. Petrópolis, Vozes, 2013.

Fischer, B. ; Grinberg, K. ; Mattos, H. Direito, Silêncio e Racialização das Desigualdades na História Afro-Brasileira.  In: Alejandro de la Fuente; George Reid Andrews. (Org.). Estudos Afro-Latino-Americanos: Uma Introdução. Buenos Aires, CLACSO: 2018.

Grinberg, Keila. O Fiador dos Brasileiros. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

Jancsó, István. Na Bahia, contra o império: história do ensaio de sedição de 1798. São Paulo e Salvador: Hucitec, 1996.

Lara, Silvia H. Fragmentos Setecentistas. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

Mattos, Hebe. Escravidão e Cidadania no Brasil Monárquico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

___________. “Prefácio” IN: Frederick Cooper; Thomas Holt; Rebecca Scott. Além da escravidão: explorações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós-emancipação. Trad. Maria Beatriz de Medina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004

____________. Ao Sul da História. Rio de Janeiro. FGV Ed., 2009.

____________. Das Cores do Silêncio. Campinas: Editora da UNICAMP, 2013.

____________. Colonização e Escravidão. In: Fragoso, Joao e Gouvea, Maria de Fatima. (Org.). O Brasil Colonial Volume I (1443-1580). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014

Mendes, Antonio de Almeida. “Escravidão e raça em Portugal: uma experiência de longa duração In: Hebe Mattos e Myriam Cottias (org). Escravidão e subjetividades: no Atlântico luso-brasileiro e francês (Séculos xvii-xx) [online].

Motta, Carlos Guilherme (org). 1822: Dimensões. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972.

Ribeiro, Gladys S. A liberdade em construção: identidade nacional e conflitos antilusitanos no Primeiro Reinado. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002.

Trouillot, Michel-Rolph. Silenciando o Passado: Poder e a Produção da História. Trad.  Sebastião Nascimento. Curitiba: Huya, 2016.

Silva, José Bonifácio de Andrada e. Representação à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a Escravatura, Paris, 1825.

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Por uma outra história do Brasil (1808-2020)

Em 2019, a Mangueira conquistou o primeiro lugar do carnaval carioca com o enredo “Histórias para ninar gente grande” e um samba memorável — “A Mangueira chegou/ Com versos que o livro apagou/Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento/Tem sangue retinto pisado/Atrás do herói emoldurado/Mulheres, tamoios, mulatos/Eu quero um país que não está no retrato” — que homenageava personagens anônimos, os verdadeiros heróis da história do Brasil: mulheres, indígenas, escravizados, trabalhadores.

O enredo contrariava frontalmente a glorificação do período imperial e a minimização dos conflitos sociais que caracterizam a versão conservadora da história brasileira, revivida hoje por adeptos do bolsonarismo, como bem assinalaram os historiadores Thiago Krause e Paulo Pachá em artigo recente na Folha de São Paulo.

O interessante é que “a história que a história [oficial] não conta” dialoga justamente com a vigorosa produção acadêmica que, desde pelo menos os anos 1980, dedica-se a estudar indivíduos historicamente silenciados, principalmente os africanos e seus descendentes, em suas lutas centenárias pela liberdade e por direitos de cidadania, contra a escravização e o racismo, e com as mudanças nas universidades brasileiras e currículos acadêmicos, fruto das conquistas dos movimentos sociais negros nos anos 2000.

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Foi a partir desta perspectiva que o Conversa de Historiadoras planejou o curso de extensão “Emancipações e Pós-Abolição: por uma outra história do Brasil (1808-2020)”. Em oito encontros, que abordam do período da independência aos dias de hoje, discutiremos temas como escravidão, racismo, cidadania, luta por direitos, feminismo e reparação. As aulas serão ministradas pelas seis integrantes do blog e por nossas duas queridas convidadas: Ynaê Lopes dos Santos e Wlamyra Albuquerque. 

O curso começa na próxima quarta, 5 de agosto, de 17h às 19h, e será transmitido no canal do YouTube da Escola de História da UNIRIO. Os ouvintes que assistirem a 75% das aulas terão direito a certificado de participação conferido pela UNIRIO. Para isso, basta preencher o formulário disponibilizado durante as aulas. Para dúvidas, utilize o email cursoextensaohistoria@gmail.com.

Programa:    

05/08: Hebe Mattos (UFJF): Escravidão, racismo e os sentidos da cidadania no processo de independência

12/08: Keila Grinberg (UNIRIO): A proibição do tráfico atlântico de africanos escravizados e o pacto pela escravidão

19/08: Ynaê Lopes dos Santos (UFF): Cidades escravistas e diáspora negra no Atlântico

26/08: Ana Flavia Magalhães Pinto (UnB) – Liberdade negra e abolicionismos

02/09: Wlamyra Albuquerque (UFBA) – Racialização e cidadania negra

09/09: Martha Abreu (UFF) –  O pós abolição e a luta antirracista no campo cultural

16/09: Giovana Xavier (UFRJ) – Intelectuais Negras e história do pós-abolição no tempo presente

23/09: Mônica Lima (UFRJ) – Direitos, reparação e a história africana e afro-brasileira no campo da história pública

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Conversa de Historiadoras, Diversidade e o 13 de Maio de 2020

Neste 13 de maio de 2020, a conversa das historiadoras do Blog foi muito além do nosso público habitual. A plataforma Celina, de O Globo, sobre Mulheres e Diversidade, nos convidou, através de Giovana Xavier, para publicar nossos textos.  No próprio dia 13 de maio saiu o de Giovana, Carolina Maria de Jesus intérprete do Brasil. 

Na sexta feira, dia 15 de maio, o de Hebe Mattos, O 13 de maio é um dia de luta! e O 13 de maio de 2020: a tal da felicidade guerreira em meio ao caos de Ana Flávia Magalhães Pinto com Mariléa Almeida.

No sábado, dia 16 de maio, Afinal, o que de fato fez a Princesa Isabel no 13 de maio? ,de Keila Grinberg.

No domingo, 17 de maio, A História viva de nossos mortos no 13 de maio, de Mônica Lima.

E nesta segunda, O Protagonismo negro nos 13 de maio, de Martha Abreu com Carolina Dantas.

São nossas conversas atingindo públicos maiores. Registramos aqui o papo completo, em mais um dossiê 13 de maio.

Vida longa às conversas do Blog!

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A história viva e os nossos mortos no 13 de maio

 

“A morte não emite som de trombeta” (ditado do Congo)

 

O que mais pode nos trazer como matéria de reflexão uma data como essa, o 13 de Maio, em meio a uma pandemia assustadora, que nos mantém reféns de um medo que vai da ameaça do vírus a negacionismos de autoridades governamentais que reforçam um discurso anticientífico, e que desconhecem a relevância dos mortos pela covid19? O que temos a lembrar sobre o dia da abolição da escravidão, nos nossos dias, pensando a História como um conhecimento que atravessa o passado e chega ao presente, levantando véus e reconhecendo voz e vida também naqueles que faleceram?

Há outros 13 de maios a serem lembrados, e um deles com especial razão no atual momento. Há quinze anos, nessa data, era fundado o Instituto de Pretos Novos – IPN, instituição que abriga e preserva o Cemitério Pretos Novos, situado na zona portuária da cidade do Rio de Janeiro. A história desse cemitério está ligada ao complexo escravagista criado na região do entorno do Cais do Valongo entre fins do século XVIII e 1831, na qual centenas de milhares de africanos escravizados foram desembarcados e de onde os cativos recém-chegados não poderiam sair “nem depois de mortos”. Neste local, os escravizados que haviam chegado adoecidos pela terrível travessia atlântica e que, não conseguindo se recuperar, vinham a falecer, eram enterrados numa vala comum, de um modo tão precário que muitas vezes seus restos mortais ficavam “à flor da terra” .  E tudo isso sem direito à choro nem vela, o que, para suas culturas de origem, era mais do que um profundo desrespeito, uma maldição.

A lei de proibição do tráfico escravista de 1831 fez com que o desembarque de africanos   escravizados deixasse de ser feito na região central da cidade, esvaziando dessa função o Cais do Valongo e desativando o Cemitério de Pretos Novos. Sua história, assim como a do cais, é enterrada de forma material, em obras sucessivas que remodelam a região portuária e, de forma simbólica, com a mudança de nomes – a antiga Rua do Cemitério passa a ser Rua Pedro Ernesto – e, sobretudo, o silenciamento dessa memória de uma história que se escreveu querendo apagar as marcas da escravidão.

Em 1996, uma família carioca encontra pedaços de ossos realizando uma obra em sua casa, nesta mesma rua, que fica no bairro da Saúde, zona portuária do Rio. A princípio não sabiam do que se tratava, mas logo descobriram: era o Cemitério de Pretos Novos. Merced Guimarães e sua família passam então a se responsabilizar por cuidar e gerir um sítio histórico de valor incomensurável: nele se encontram restos mortais de milhares de africanos e africanas que, transportados à força de sua terra natal, atravessaram o oceano e vieram ter como última morada o solo brasileiro. A guarda desse lugar de memória sensível, testemunho material da crueldade da escravidão, depois de muita luta e do enfrentamento do descaso de autoridades, num 13 de maio de há quinze anos, passou a ser exercida pelo Instituto de Pretos Novos, que ainda sobrevive com muitas dificuldades.

E o que tem esse 13 de maio do IPN a ver com nossos dias? Muito. O Cemitério de Pretos Novos nos faz lembrar da abolição, que é incompleta porque não reparou as incontáveis perdas da população negra e africana de seu tempo, bem como a de seus descendentes, marcados pelo sofrimento do racismo, além da profunda desigualdade social. E nos recorda que não deve existir vala comum simbólica para nenhum dos nossos falecidos, que todos importam, e que o respeito à morte é respeito à vida. Que os corpos dos nossos antepassados africanos guardados pelo IPN possam ser reconhecidos como parte de nossa História, assim como os nossos bem-amados de hoje que se foram nesse mar da pandemia venham a ser resgatados pela nossa memória. Como diz o ditado congolês, a morte não emite som de trombeta. Cabe a nós fazê-la soar.

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Protagonismo negro nos 13 de maio!

Martha Abreu e Carolina  Dantas

Os historiadores têm mostrado, já há algum tempo, o quanto o 13 de maio de 1888 dependeu principalmente das lutas dos movimentos abolicionistas, das ações da população negra e das fugas em massa dos últimos escravizados. A abolição foi fruto de um movimento social vitorioso que celebrava a igualdade de todos perante a lei. Sem dúvida, a conquista ficou incompleta e a igualdade é até hoje uma bandeira de luta de todos os brasileiros que percebem o racismo como uma das maiores tragédias de nosso país.

Mas os movimentos sociais negros nunca abriram mão das expectativas geradas em maio de 1888 e fizeram do dia 13, a longo dos séculos XX e XXI, uma oportunidade para rememorar as conquistas, denunciar a liberdade incompleta, criar novas pautas de luta e fortalecer a autoestima da população negra com encontros políticos festivos. Professores, escritores, músicos e festeiros negros continuaram protagonizando a luta pela igualdade nas comemorações de maio em vários lugares do Brasil, como têm deixado evidente a produção recente de historiadores sobre o pós-abolição.

Em 1909, por exemplo, vinte e um anos depois da data da abolição, foram intensas as comemorações no Rio de Janeiro, pois também se festejava a entrada na Câmara dos Deputados do primeiro político que assumia, em público e com orgulho, ser negro: Manoel da Motta Monteiro Lopes.  Nas festividades programadas, ficaria evidente que o passado em comum, marcado por memórias do cativeiro e pela campanha abolicionista na década de 1880, era sistematicamente acionado nas ações políticas do presente pela igualdade e cidadania plena.

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Manoel da Motta Monteiro Lopes

Entre as inúmeras atividades, destacou-se a romaria ao túmulo de José do Patrocínio no Cemitério do Caju.  Diante de um dos maiores heróis negros da abolição, o deputado eleito Monteiro Lopes jurou defender sua “[…] raça fraca e oprimida diante dos insubmissos que ainda não compreenderam que a lei do 13 de maio de 1888 firmou a igualdade dos brasileiros”.

Bem próximo, o músico negro Eduardo das Neves apresentava-se, no bairro do Méier, no subúrbio, onde executou suas modinhas ao violão.  O irreverente crioulo Dudu, como gostava de ser chamado, declamou a poesia “Lucia, a escrava”, de Castro Alves, poeta que combateu a escravidão.   Com tintas muito fortes, a poesia mostrava um dos aspectos mais dramáticos da escravidão, a venda de uma mulher escravizada.  Ao mesmo tempo, tudo indica que também para as comemorações de maio de 1909, Eduardo das Neves teria gravado, pela internacional Odeon, o que considero ter sido o hino popular da abolição da escravidão, “A Canoa Virada”.

A canção registrava musicalmente as conquistas e as alegrias de 1888, lembradas ao menos vinte anos depois! As palavras e expressões utilizadas eram fortes e desconcertantes: havia chegado “a ocasião da negrada bumbar”; “o preto já é livre, já que não tem senhor”.  A canção refere-se ao 13 de maio, “o dia da liberdade”, como um grande momento, de reais mudanças e de sonhos pela igualdade. A escravidão parece estar representada por uma frágil embarcação, uma canoa, que, literalmente, havia virado.

“A Canoa Virada” circulou pelo Brasil todo, como tenho encontrado notícias em diversos registros de folcloristas e cantadores, ao longo do século XX!!

IMG_7272Eduardo das Neves.

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Carolina Maria de Jesus: intérprete do Brasil

 

Começou ontem o ciclo de debates da FLUP, Festa Literária das Periferias Urbanas, que, sob a impecável curadoria de Julio Ludenir, este ano homenageia Carolina Maria de Jesus e o aniversário de sessenta anos de seu brilhante livro Quarto de despejo: diário de uma favelada. Com uma programação virtual inovadora, além das discussões abertas ao público, o evento conta com o curso de formação “Uma revolução chamada Carolina”, ministrado por quarenta ilustres professoras. Entre elas: Ana Maria Gonçalves, Ana Paula Lisboa, Eliana Alves Cruz, Mirian Santos, que compartilharão seus conhecimentos com 210 jovens escritoras, selecionadas através de cartas de próprio punho remetidas a Carolina. Tal ideia, por sinal belíssima, foi eternizada pela mestra em Educação  Hildália Fernandes em 2014, quando na obra Onde estaes felicidade? , lançando mão da escrita criativa, enviou sua missiva à autora.  

Sobre ontem, que momento! Na atual vibe a vida é uma live, durante duas horas milhares de pessoas acompanharam animadas o painel digital “Uma revolução em instantes”, onde se deu o diálogo entre a escritora Conceição Evaristo e a professora Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina. A “noite de gala”, expressão escolhida pela jornalista e mediadora Flavia Oliveira para definir o acontecimento, foi marcada por antídotos aos “perigos da história única”. Aplicados através das narrativas das duas educadoras que, emocionadas, conversaram com o público sobre as muitas versões de Carolina. Mulher. Mãe. Escritora. Migrante. Favelada.

Mantendo a tradição, as mineiras refletiram sobre temas centrais no pensamento feminista negro – cuidado, educação, maternagem, sororidade – sob seus pontos de vista específicos. Oportunidade ainda raríssima, se lembrarmos que apesar de muitos avanços, o pensamento de Carolina Maria de Jesus e da maioria das intelectuais negras brasileiras permanece desconhecido para a maioria do público. Hoje, 13 de maio, quando completam-se 132 anos da assinatura da Lei Áurea, em uma pandemia global que afeta drasticamente a população negra mundial, é oportuno perguntar: por que a história e a obra de Carolina Maria de Jesus permanecem desconhecidas fora dos circuitos acadêmicos e ativistas? O que nos ensina o fato de que um dos últimos registros fotográficos da escritora é como catadora de papel na rodoviária de São Paulo nos anos 1970?

Há muitos anos dedicando-me às dores e delícias da escrita acadêmica da história de intelectuais negras, para responder  essas questões, em vez de silêncio ou apagamento, penso em desvalorização. Palavra chave que nos instrumentaliza para analisar a inadequação e falta de tato das elites e ciências hegemônicas para lidar com a autenticidade, o talento e a criatividade das classes trabalhadoras. Ou, na expressão de Conceição Evaristo, para compreender a “linguagem culta-oculta” de Carolina. A mesma gramática reinventada por milhões de mulheres que nutrem a tradição intelectual negra chefiando sozinhas lares. Educando crianças, cultuando diários, preenchendo cadernos de receitas e, claro, pagando boletos. Quando a fome de comida é saciada no papel de pão recheado com palavras, uma tarefa se coloca para as novas gerações: aprender a diferenciar – cientificamente – jeitinho de inventividade:

“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade”.

Carolina Maria de Jesus – Intérprete do Brasil.

Por que não?

Carolina Maria de Jesus - 13 maio 2020 escritora

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Afinal… o que de fato fez a princesa Isabel no 13 de maio? 

Num dia como hoje, em que informações sem qualquer base científica são espalhadas como se fossem verdades históricas pela Fundação Palmares, é importante deixar claro o papel da princesa Isabel na abolição da escravidão. Afinal, o que de fato ela fez pela abolição da escravidão?

Segue um trecho do posfácio do livro “O 15 de Novembro e a Queda da Monarquia” ( Chão Editora, 2019), escrito por Mariana Muaze e por mim:

“Ao voltar de viagem, em junho de 1887, Isabel se viu dividida entre as preocupações para garantir a continuidade do Império, as rivalidades com o sobrinho — que, animado com a desconfiança pública com os nomes de Isabel e do conde d’Eu, disputava uma possível vaga de imperador — e as idas à igreja. Parecia não ter a mínima ideia do que se passava nas ruas: ‘Na ausência do imperador, a política naturalmente cochila’, escreveu ela à condessa de Barral, sintomaticamente, em 14 de julho de 1887, enquanto republicanos celebravam em praça publica o aniversário da Revolução Francesa. Ao mesmo tempo, nas fazendas da região cafeeira, continuavam as revoltas e as fugas de escravos, bem como a repressão contra eles. A pressão sobre a princesa era grande. Seu pai, no exterior, havia recebido a extrema-unção (ele ainda viveria por pouco mais de três anos). Sem grande popularidade nem tino político, ela hesitava em colocar a abolição na agenda do Governo, decepcionando os abolicionistas monarquistas, principalmente André Rebouças, amigo de longa data, que tentava persuadi-la a abraçar a causa.

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Fotografia de Marc Ferrez/Coleção Dom João de Orléans e Bragança, sob guarda do Acervo do Instituto Moreira Salles (in “O 15 de Novembro e a Queda da Monarquia, p. 96)

 

Demorou a fazer isso. Só no início de 1888, quando a abolição já era dada como certa e inevitável, e até escravistas empedernidos começavam a libertar seus escravos incondicionalmente, na esperança de que continuassem trabalhando em suas fazendas, a princesa deu ouvidos a Rebouças e promoveu sua famosa Batalha das Flores, inspirada no Carnaval francês, percorrendo as ruas de Petrópolis com o marido e os filhos, pedindo donativos em prol dos escravos. Poucos dias depois, em nova carta à condessa de Barral, declarou ser a abolição “uma caridade grande”, “que parecia estar no ânimo de todos”. (…)

Em maio de 1888, a abolição da escravidão foi votada em regime de urgência. O Parlamento aprovou, por 83 votos a favor e 9 contra, o projeto de lei que extinguia, sem indenização, a escravidão no Brasil. Já em clima de festa, Isabel ofereceu banquete a catorze escravos. No dia 13, desceu de Petrópolis para assinar a lei. Estava extinta a escravidão no Brasil.” (p. 104/5).

Foi isso. Depois de décadas e décadas de lutas da população escravizada, só em fevereiro de 1888 a princesa Isabel foi, a duras penas, convencida pelo engenheiro abolicionista negro André Rebouças a apoiar a causa. Sua atuação não chegou a quatro meses, e só teve início quando a abolição já “parecia estar no ânimo de todos”. O resto é lenda.

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#13deMaio é Dia de Luta

As batalhas em torno da memória do 13 de maio de 1888 começaram imediatamente após a aprovação da lei que tornou ilegal a instituição da escravidão no Brasil.  Este 13 de maio de 2020 não está sendo diferente.  Por conta disso, é importante lembrar algumas lições da pesquisa histórica dos últimos 30 anos.

O #TrezedeMaio de 1888 só foi possível por causa da luta negra. Foram as fugas em massa dos últimos escravizados e a radicalização crescente da luta abolicionista que tornou a liberdade dos últimos cativos uma realidade antes da lei. Com a massificação das fugas coletivas, sobretudo nas áreas mais prósperas da lavoura do café, a partir de fevereiro de 1888 fazendeiros começaram a assinar cartas de alforria em massa para seus trabalhadores escravizados, na esperança de mantê-los no serviço. Nem todos se conformaram com esta solução. Muitos se agarraram à esperança de serem indenizados por sua “propriedade”. Apesar disso, diante do abandono das fazendas às vésperas da colheita do café, a lei foi aprovada praticamente por unanimidade por um parlamento que meses antes era fortemente anti-abolicionista. A abolição foi o primeiro grande movimento social da história do Brasil. Um movimento social vitorioso. A lei foi assinada pela princesa regente em um domingo em que as multidões tomaram as ruas da capital. Durante semanas, festas se estenderam por todo o país.

A conquista ficou, entretanto, incompleta. Não foi aprovada uma reforma agrária garantindo acesso à terra aos últimos libertos, como queria o líder abolicionista André Rebouças, negro, intelectual e o maior engenheiro do país.  Não houve qualquer reparação aos libertandos, cerca de 5% da população afrodescendente do Brasil, como exigia o abolicionista José Patrocínio, jornalista, um dos maiores intelectuais públicos do seu tempo e um dos pioneiros da Academia Brasileira de Letras, junto ao grande Machado de Assis.  Ambos homens negros nascidos livres.

Concluída a abolição, rapidamente, porém, o racismo estendeu à imensa maioria negra que formava a população brasileira em 1888, nascida livre muito antes da lei, a falsa ideia de que uma princesa branca libertara todos os negros do país. Uma memória coletiva estruturalmentre racista tornou invisível, até recentemente, intelectuais e abolicionistas negros, bem como a contínua luta por liberdade e igualdade de direitos dos cidadãos pretos e pardos do Brasil imperial. Rui Barbosa, abolicionista branco republicano, falava em raça emancipadora e raça emancipada. Esta abolição construída por uma memória coletiva estruturalmente racista, predominante na monarquia e na república que a sucedeu, foi uma #FalsaAbolição.

Foi/É preciso que o movimento negro do século XX afirmasse/afirme repetidamente #FaremosPalmaresDeNovo para que os significados políticos de luta pela cidadania do #13deMaio não sejam esquecidos. #AboliçãoIncompleta #13DeMaioÉDiaDeLuta.

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