Arquivo da categoria: história e memória

Eu quero passar com a minha dor

Recentemente, tivemos a boa notícia de que a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade foi aceita pela UNESCO. Para receber o título e ser incluída na lista, ainda falta a avaliação do sítio arqueológico pelos técnicos especializados e o parecer final do Comitê; mas, um passo importante foi dado nessa direção. Caso se tenha um resultado positivo, esse será o primeiro local a ser reconhecido como patrimônio da humanidade no Brasil tendo como núcleo central da sua justificativa a história da escravização de africanos e da população negra. Outros sítios que fazem parte da lista de patrimônio mundial no nosso país guardam profundas relações com essa história, como por exemplo o conjunto arquitetônico do Pelourinho em Salvador e a cidade histórica de Ouro Preto, mas ela não aparece com destaque nas suas apresentações. O Cais do Valongo tem a candidatura defendida a partir de seu reconhecimento como lugar de memória do tráfico atlântico de africanos escravizados e da resistência cultural e política da população negra a uma longa história de violência e exclusão. Situado no Rio de Janeiro, o cais é o testemunho material do local de desembarque do maior número de africanos escravizados que chegaram vivos às Américas. Em nenhuma outra parte do mundo chegaram tantos cativos trazidos da África.

Não são apenas as pedras pisadas no local de desembarque de tanta gente trazida à força do lado de lá do oceano, durante o mais longo processo de migração forçada da história da humanidade. É o Cais do Valongo e seu entorno. Estamos falando também do cemitério dos pretos novos, do quilombo da Pedra do Sal, das esquinas e ruas por onde circularam João Alabá e Prata Preta, da fundação do Ile Ase Opo Afonja no Rio de Janeiro, do sindicato dos trabalhadores portuários, e de tantos outros personagens, movimentos e fatos históricos que fazem da região parte fundamental da Pequena África na cidade – como nomeou Heitor dos Prazeres. E aos vestígios e construções se agrega a tradição viva – tal como a chamava o grande historiador africano Amadou Hampaté-Bâ – que dá sentido e mantém acesa a chama que arde nas rodas de samba e de capoeira, nos tambores e afoxés.

No entanto, aqui nesse texto eu venho trazer a dor e a violência como parte dessa história. E não se trata simplesmente de uma dor diluída numa história de um passado remoto, num tempo em que submeter o outro a uma situação de desumanização era natural. Quero recordar a dor que existia apesar do fato das pessoas de outra época acreditarem ter o direito de escravizar alguém. E lembrar, da parte dos que sofreram, o medo, a incompreensão e o espanto frente a uma realidade que mais parecia um pesadelo. Esse conjunto de sensações aos quais me reporto também definem, junto com a força da criação de tantas coisas belas, a atmosfera do Valongo. Tudo isso faz desse lugar onde tanto se celebra – com toda a razão – a presença africana e negra na cidade do Rio de Janeiro e no país, um sítio de memória sensível. Um lugar em que durantes anos desaguava um mar de gente depois de uma travessia em que não morrer poderia ser esperar sobreviver dolorosamente.

Mas, por que lembrar de tantas coisas ruins frente a uma notícia que é tão boa; afinal, podemos celebrar as heranças africanas com (re)conhecimento do mundo de que somos o país mais negro fora da África, e que mais do que isso, fazermos dessa história monumento e marco de nossa identidade?

Quero escrever sobre a dor e a violência por que é importante lembrar que o tráfico atlântico de africanos escravizados é um crime contra humanidade e o Brasil ainda não o reconheceu oficialmente como tal. Num crime, há vítimas. Nem de longe estou me referindo a sujeitos-objetos, transformados em mercadorias e submetidos sem reação. Não é essa qualidade de vítima. Estou dizendo dos que sofreram, e nos legaram essa memória. O ser vítima não significa perder a capacidade de agir, e mesmo de transformar.  Devo lembrar que assim como toda a beleza e poder da criação, a dor é parte da herança deixada por nossos antepassados africanos. Essa dor que atravessa a memória sensível dos descendentes faz do trauma da escravidão um processo cultural de base na formação de identidades no pós-abolição. Sem nenhum exagero, e com todo o drama, não há como encarar o Cais do Valongo e permitir que essa dimensão da história se dissolva no tempo. Até porque, como a tradição oral africana, ela está viva, e esbarramos com ela nas nossas ruas e quebradas hoje. O trauma coletivo não foi superado, ainda que em alguns casos se consiga aprender de alguma forma a lidar com ele.

Hoje o Cais do Valongo e a região que o cerca se tornaram roteiros frequentes de aulas de campo de muitos professores da Educação Básica, sobretudo os de História. Cursos de formação de professores que incluem a educação patrimonial entre seus temas fazem da visita à região portuária do Rio de Janeiro uma etapa necessária. Oficinas e roteiros guiados conduzem educadores, profissionais do turismo e interessados de diferentes origens a conhecer os logradouros de referência na área. Além de estudantes e educadores, turistas e moradores da cidade descobrem a região motivados por uma valorização da mesma pelas obras de reforma urbana e a presença de museus.

Acompanho algumas experiências no campo do ensino de História que transitam nos caminhos do Valongo, e me interessa entender como lidam com a história da dor e da violência. Como se pode fazer estratégias de aprendizagem a partir do contato com esses aspectos da experiência dos nossos antepassados contribuindo para desnaturalizar a violência da escravidão, pensada sob o ponto de vista de quem a sofria? Fico procurando perceber como os professores encontram meios de articular o conhecimento sobre as diferentes maneiras de se celebrar a vida, de se tecer solidariedades, de afirmar-se em suas práticas religiosas e artísticas, à enorme carga de sofrimento físico e psíquico daquelas pessoa e as suas marcas na história de seus descendentes.

Aprendo com os professores e estudantes e percebo que as dimensões não se opõem, se completam, e se tornam mais compreensíveis quando vistas em conjunto. O samba na Pedra do Sal se mostra por inteiro quando se situa historicamente a perseguição aos terreiros, a luta dos trabalhadores portuários e a dureza da repressão. A emoção sentida ao visitar o lugar onde os corpos dos africanos recém-chegados eram deixados à flor da terra , humaniza o conhecimento que se adquire. E permite ver com outros olhos a luta quilombola hoje.

Tudo isso, se não explica o que acontece em nossos dias, sem dúvida ajuda a exercitar a sensibilidade. E é fundamental não a perder de vista. Estamos num tempo em que as estatísticas de mortalidade de jovens negros e de violência contra mulheres, e em especial mulheres negras, soam como lugar-comum. O racismo segue vivo e presente, rasgando a pele da nossa realidade. Aproximar-nos dessas histórias como numa visita a um lugar de memória talvez nos lembre de nossa dimensão humana. Como na maioria dos processos traumáticos, o silêncio é cúmplice, e rompê-lo é um caminho para não deixar que o medo nos paralise.

________________

A Pequena África, coração da cidade negra do Rio de Janeiro no século XIX e início do século XX, onde se insere o Cais do Valongo, tornou-se cenário para um roteiro em forma de aplicativo que será lançado no próximo dia 2 de abril, dentro do projeto Passados Presentes 

Mais sobre o Cais do Valongo nesse blog:

https://conversadehistoriadoras.com/complexo-do-valongo/

https://conversadehistoriadoras.com/2014/05/25/memoria-e-cidadania-no-complexo-do-valongo/

placa quilombo pedra do sal

1 comentário

Arquivado em cultura negra, história e memória

#Dia13EuNãoVou

Captura de Tela 2016-03-12 às 17.36.09Captura de Tela 2016-03-12 às 17.36.09

2 Comentários

Arquivado em história e memória

Feliz Ano Novo

O Conversa de Historiadoras completa seu segundo ano no ar. Inauguramos o blog, em 15 de março de 2014, com um texto que chamamos de O Novo Caso do Bracuí. Hebe estava então como professora visitante em Nova York. Martha, no Rio, tinha acompanhado de perto o carnaval da Império Serrano, com enredo sobre Angra dos Reis, baseado em nosso filme Jongos, Calangos e Folias. O Quilombo do Bracuí tinha destaque no enredo, belamente defendido pela escola de samba da Serrinha, mas os quilombolas não puderam estar na avenida. Para completar sua decepção, as chuvas daquele fevereiro fizeram cair o teto da sede da associação quilombola. A situação de fragilidade social do grupo nos afligia e queríamos que o Projeto Passados Presentes, aprovado no edital de patrimônio imaterial da Petrobras do ano anterior e que tinha no Quilombo do Bracuí um de seus proponentes, se tornasse uma ferramenta para modificar isso. Nosso primeiro artigo e o próprio blog surgiram da vontade de construir um veiculo para divulgar o trabalho que então se iniciava.

Local de memória dos últimos desembarques ilegais de africanos no Rio de Janeiro, a história do quilombo do Bracuí e sua poderosa tradição oral são a matéria prima da exposição memorial inaugurada em 14 de novembro deste ano de 2015 na casa da quilombola Marilda de Souza. Ponto 1 do circuito de memória Passados Presentes no Rio de Janeiro, o Projeto reflete e divulga a experiência da última geração de africanos, sequestrados em África ainda meninos e trazidos para portos clandestinos da costa do Sudeste, como a antiga fazenda do Bracuí.

Enquanto montávamos a exposição no Bracuí, o terreno de Marilda foi invadido e três das placas do circuito de memória sinalizado foram arrancadas e destruídas. Ainda que a festa de inauguração tenha sido um grande sucesso e as visitas tenham se avolumado desde então, a fragilidade social dos quilombolas do Bracuí continuava a nos afligir, quase dois anos depois de iniciados o Blog e o Projeto.

Mas o ano de 2015 termina com uma ótima notícia para os quilombolas. Dia 23 de dezembro, foi finalmente publicado, no Diário Oficial da União, o edital que trata da regularização fundiária do território do Bracuí. A comunidade esperava desde o final dos anos 1990 por esse dia. Quase um presente de Natal. Claro que o caminho para a titulação definitiva ainda é longo, mas 2016 se anuncia com alguma esperança.

No Brasil e no mundo, 2015 foi um ano desafiador, ainda assim o Blog tem muito a agradecer e a comemorar. Em 30 de abril de 2015, o Quilombo de São José da Serra, segundo ponto do circuito de memória do projeto Passados Presentes, depois de 20 anos de luta, recebeu oficialmente a posse integral de seu território! Formado pelos descendentes de dois casais de africanos que moraram na antiga fazenda cafeeira que se metamorfoseou em quilombo abolicionista, a memória do jongo e de suas raízes na África Central estão na base do memorial erguido no Quilombo e no circuito de visitação desenvolvido pelos quilombolas.

Também em 2015, o Quilombo São José e o Jongo de Pinheiral, grupo que encabeçou o projeto Passados Presentes para o edital Petrobras Cultural, foram ganhadores do Prêmio de Cultura Afro-Fluminense. A cerimônia de premiação aconteceu no dia 19 de dezembro, na Casa do Jongo, em Madureira.

O memorial Passados Presentes erguido na cidade de Pinheiral celebra as migrações negras do século 20, que fizeram do jongo patrimônio imaterial do Rio de Janeiro. Ele foi inaugurado juntamente com o Parque das Ruinas da Fazenda de São José do Pinheiro, no último 26 de julho, dia estadual do Jongo. A parceria que surgiu daí, entre o Grupo de Jongo de Pinheiral, a Prefeitura da Cidade e o projeto Passados Presentes, tornou Pinheiral, oficialmente, Cidade do Jongo.

Fechamos o ano com a sensação de dever cumprido e isto é sempre muito bom. E ainda conseguimos guardar uma surpresa para março de 2016, quando iremos inaugurar o circuito dos lugares de memória em torno da Capoeira e da Pequena Africa no centro da cidade do Rio de Janeiro.

O Blog entra em recesso até fevereiro de 2016, quando voltaremos ampliando ainda mais nossas conversas sobre história, gênero, escravidão atlântica e políticas de memória.

Bom Ano Bom Para Tod@s!

Baixe o aplicativo Passados Presentes!

4 Comentários

Arquivado em cultura negra, história e memória, história pública, remanescente de quilombo

Passados Presentes na Semana da Consciência Negra

A festa de inauguração da terceira exposição do projeto Passados Presentes aconteceu no último domingo, 14 de novembro, no Quilombo do Bracuí. A celebração foi memorável. Reuniu mais de 400 pessoas, organizada com brilho pela comunidade quilombola, que luta há mais de cem anos pelo território coletivo ocupado por seu antepassados, desde antes de o receberem oficialmente, em 1878, em doação no testamento de José de Souza Breves, que ali desenvolvia atividades negreiras na primeira metade do século 19.

As fazendas negreiras se desenvolveram no litoral das principais áreas escravistas do Império do Brasil, sobretudo depois da primeira proibição formal do comércio negreiro no então jovem país independente, em 1831. Elas substituíram as antigas áreas oficiais voltadas para este tipo de atividade, como o complexo do Valongo, no Rio de Janeiro.

Clique na figura abaixo para ouvir a narrativa dos griôs do Quilombo do Bracuí, sobre o funcionamento da antiga fazenda.

Captura de Tela 2015-11-20 às 19.36.45

Os griôs do Quilombo do Bracuí são guardiões da memória dos horrores cometidos contra os recém chegados e da sua recuperação para serem enviados serra acima, para as áreas cafeicultoras do Vale do Paraíba,

A tradição oral guardou até mesmo o naufrágio criminoso em águas próximas à fazenda, do Brigue negreiro Camargo, perseguido pela marinha brasileira após a segunda lei de extinção do tráfico atlântico, em 1850.

Confira a narrativa de Manoel Moraes, clicando na imagem abaixo.

Captura de Tela 2015-11-20 às 19.38.53

O naufrágio deixou documentos históricos na auditoria da marinha e no ministério da justiça brasileiros. O memorial do Quilombo do Bracuí homenageia os africanos sobreviventes resgatados pelas autoridades. Na imagem abaixo, vemos a griô quilombola Marilda de Souza contar esta história para estudantes que participaram da festa de inauguração.

bracui14-11-marilda e camargo

São, porém, os jovens do quilombo que transformam a tradição oral em bandeira de luta por novos e melhores tempos, simbolizados na imagem da Santa Rita Black, do artista Lee27.

bracui14-11-painel-presente

A Exposição Memorial do Quilombo do Bracuí conta a história de como funcionavam as antigas fazendas negreiras do litoral sul fluminense e de como elas se tornaram improdutivas após o fim do tráfico atlântico de escravos para o Brasil. De fato, os trabalhadores africanos ali residentes eram testemunhas de um crime contra as leis do Brasil, que apenas após 1850 passou a ser efetivamente reprimido pelas autoridades imperiais. O proprietário da antiga fazenda do Bracuí, José de Souza Breves, os deixou com o usofruto das terras após o encerramento das atividades negreiras. Em seu testamento, eles foram depois alforriados e transformados em herdeiros do território ocupado. A tradição oral de seus descendentes, no século 21, tornou-se testemunho, não de um crime contra as leis do Império do Brasil, mas de um crime contra a humanidade.

expo bracui 1

A roda expositiva conta também a história da luta da comunidade pela terra coletiva ao longo do século 20. Na década de 1970, a construção da Rio Santos lhes tirou, não sem luta, toda a terra que ocupavam da estrada até o mar. Ainda hoje, o território comunitário continua ameaçado apesar da certificação da Fundação Palmares como comunidade quilombola. Três da placas do projeto Passados Presentes foram arrancadas poucas horas após terem sido colocadas. Tais locais de memória continuam sinalizados no roteiro do aplicativo e, felizmente, encontram-se fora da área que vem sendo negociada com o INCRA para demarcação definitiva. Esperamos que isso aconteça o mais rápido possível. Enquanto não acontece, a sinalização do projeto Passados Presentes atualiza a memória do território histórico ocupado pela comunidade e a fortalece para a futura titulação de acordo com a Constituição de 1988.

mapa_bracui_ap (2)

O racismo é o mais terrível legado da sociedade escravista para a experiência nacional brasileira. Nessa semana da consciência negra, o conversa de historiadoras vem mais uma vez celebrar a riqueza e a especificidade do legado cultural da última geração de africanos no Rio de Janeiro. Trazidos à força ao país a menos de 150 anos, seus descendentes hoje compõem a maior parte das comunidades remanescentes de quilombo e dos grupos detentores do patrimônio cultural brasileiro de matriz africana oficialmente reconhecido.

“O Gente presta atenção na história que eu vou contar//Deitei minha cabeça na cabeceira do rio mas o pé está lá no mar” (Ponto de jongo sobre a extensão das terras do Quilombo do Bracuí – Marilda de Souza)

Assista o teaser atualizado do projeto Passados Presentes.

 

Bracui14-11-mesa de aberturabracui14-11-Arodacombobemarildabracui14-11-marilda e escolabracui14-11-afesta2IMG_roda_publicobracui14-11-QRIMG_varalIMG_jongo_marildaIMG_jongobracui14 -11-tiomanenarodabracui14-11-afestacombob

1 comentário

Arquivado em cultura negra, história e memória, história pública, remanescente de quilombo, Uncategorized

Luiz Gama, o Prêmio APERJ de Monografias e o Quilombo do Bracuí

Na última terça-feira, 3 de novembro, 133 anos depois da sua morte, Luiz Gama (1830-1882) foi finalmente reconhecido como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil, em cerimônia inédita. O menino escravizado ilegalmente pelo próprio pai, que se tornou poeta e escritor, também atuou ativamente como rábula, como eram chamados, no século 19, os que exerciam a advocacia sem terem feito a faculdade de direito. Perante a lei do Império do Brasil, Gama especializou-se em libertar homens e mulheres que, como ele, puderam provar que estavam ilegalmente escravizados. De fato, desde a proibição do tráfico negreiro com a África, todos os cativos que entraram no Brasil o fizeram ilegalmente, ainda que a justiça insistisse em ignorar o fato. Gama ajudou a libertar mais de 500 escravos nos tribunais, mas sua militância teve repercussão política muito maior e abriu caminhos para o movimento abolicionista.

No mesmo dia 3 de novembro, foi revelada a identidade de um outro Luiz Gama, que assinou, como pseudônimo, o manuscrito vencedor do Prêmio Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro de monografias, “O complexo Breves: a força da escravidão no vale do café (Rio de Janeiro, c. 1850 – c. 1888)”. Parabenizamos aqui Thiago Campos Pessoa, professor de história e pesquisador no LABHOI/UFF, que terá o livro brevemente publicado.tiago

O texto foi originalmente tese de doutorado, orientada por Hebe, e dá a ver, de forma inédita, a ligação litoral / vale no complexo cafeeiro escravista do Vale do Paraíba. Sem as propriedades voltadas para o desembarque e quarentena dos “pretos novos” ilegais, o principal produto de exportação do Império do Brasil não teria se desenvolvido. Luiz Gama foi pioneiro em revelar isso, mesmo que ainda hoje sua mensagem esteja em grande parte silenciada nas narrativas da história do Brasil oitocentista.Captura de Tela 2015-11-04 às 17.46.16

Uma dessas fazendas do litoral, em que chegavam, em cada navio, centenas de crianças de 8 a 12 anos, ilegalmente escravizadas, deu origem ao atual Quilombo do Bracuí, em Angra dos Reis, que recebe um dos roteiros turísticos e abriga a terceira exposição memorial do projeto Passados Presentes. A narrativa expositiva conta a história e luta dos quilombolas, que nos inspirou a criar este Blog,

expo bracui 4e também a história do naufrágio do Brigue Camargo nas praias da antiga Fazenda, com mais de 500 africanos de Moçambique, registrada nos arquivos e incorporada na tradição oral da comunidade. expo bracui 2

Convidamos todos para a festa de inauguração, no próximo dia 14 de novembro! Para boa leitura do convite e do texto do folder, cliquem nas imagens para ampliar

Captura de Tela 2015-11-04 às 18.17.56

Salve Luiz Gama!

_Convite_Bracuí

 

1 comentário

Arquivado em história e memória, história pública, politicas de reparação

Livros imperdíveis!

A diva do teatro brasileiro, Ruth de Souza, ganhou uma biografia que faz diferença, escrita por Júlio Cláudio Silva, professor da Universidade Estadual do Amazonas e historiador apaixonado pela profissão: Uma estrela negra no teatro brasileiro. Relacões raciais e de gênero nas memórias de Ruth de Souza (1945-1952).

Captura de Tela 2015-10-16 às 13.24.56

No livro, o autor nos apresenta a trajetória de Ruth de Souza, uma das maiores atrizes do teatro brasileiro, suas memórias e possibilidades de ascensão num dos mais difíceis campos profissionais para mulheres negras. O lançamento do livro no Rio foi uma festa de estrelas negras, para não ser esquecida na cidade. Clique na imagem acima para acompanhar a reportagem de Fernando Reski sobre o lançamento.

Felisberta, matriarca de quilombolas gaúchos do século 21, também inspirou um livro que ajuda a mudar o lugar das mulheres negras na historiografia brasileira, em um texto que nos oferece também um profundo mergulho sobre as complexas relações entre historia e memória: Felisberta e sua gente. Consciencia história e racializacão em uma família negra no pós-emancipacão rio-grandense, de Rodrigo de Azevedo Weimer. O livro de Rodrigo nos brinda com a história de Felizberta Severina Marques, a partir da memória de seus filhos e netos, que fizeram questão de não esquecer suas conquistas numa sociedade que oferecia poucas possibilidades para mulheres libertas no pós-abolição. Ele irá discutir e lançar o trabalho em encotro do CULTNA, na sala 508 do Bloco P do Campus do Gragoatá na UFF, no próximo dia 22 de outubro, às 15 horas.

felisberta e sua gente (1)

Ambos os textos são frutos de teses de doutorado, orientadas por Hebe e defendidas na UFF, com total apoio de Martha. Felisberta e sua gente ganhou o Prêmio PRONEX Culturas Políticas e Usos do Passado de teses e dissertações. Os livros de Julio e Rodrigo tratam da experiência de duas mulheres negras, que, cada uma a seu modo, marcaram a vida de todos que as conheceram e acompanharam suas vitórias. Transformados em livros, os dois trabalhos também são ótimos exemplos de como a pesquisa histórica recente dialoga profundamente com as lutas atuais de combate ao racismo e ao sexismo, ainda tão presentes na sociedade brasileira.

Para concluir o post, registramos também o lançamento do livro de Matthias Assunção, professor da Universidade de Essex, na Inglaterra, nosso colega e parceiro de muitos trabalhos e projetos. Finalmente a premiada tese de Matthias, defendida na Alemanhã no final dos anos 1980, com o título De Caboclos a Bem-te-vis. Formação do campesinato numa sociedade escravista: Maranhão 1800-1850,  vem a público em português.

De cablocos a bem - te -vis (2)

O trabalho é um clássico para as discussões sobre campesinato e escravidão no Brasil e também uma obra essencial para compreender a Balaiada, verdadeira guerra civil ocorrida no Maranhão, na primeira metade do século 19, que deixou intensas marcas na memória local. Num intenso diálogo entre o local, o regional, o nacional e o atlântico, o livro de Matthias nos faz entender como caboclos, escravos e libertos africanos ou seus descendentes tornaram-se protagonistas da grande rebelião.

Captura de Tela 2015-10-16 às 14.40.40

 

1 comentário

Arquivado em história e memória, historiografia

Notícias da inauguracão no Quilombo São José

Foi com muita emoção que inauguramos a exposição memorial Passados Presentes no Quilombo São José. Como os que acompanham regularmente o Blog já sabem, é o segundo memorial/exposição do Projeto Passados Presentes com objetivo de promover ações de pesquisa e divulgação da história e do patrimônio imaterial relacionado ao legado do tráfico de africanos escravizados no estado do Rio de Janeiro, que coordenamos em colaboração com a historiadora Keila Grinberg, da UNIRIO. O primeiro memorial foi inaugurado em julho na cidade de Pinheiral e o terceiro terá sua abertura oficial em 14 de novembro próximo, no Quilombo do Bracui. Ao lado do memorial, faz parte do projeto a criação do aplicativo para celulares que indica os lugares de memória do tráfico, da escravidão e do pós-abolição, abertos à visitação pública, assim como do patrimônio cultural construído pelos descendentes da última geração de africanos escravizados no Rio de Janeiro.

Um grupo de colegas historiadores foram conosco em caravana conferir a festa no Quilombo São José, visitando no caminho o memorial do Parque das Ruínas da cidade de Pinheiral. Uma boa sugestão de roteiro de visitação.IMG_4133IMG_4171

Muitos já foram com o app passados presentes instalado. IMG_4247IMG_4248

Como indicado no roteiro, ao chegarmos ao Quilombo São José, visitamos primeiramente o Terreiro  do Jongo e, em especial, o  emocionante Museu da Casa Quilombola. IMG_4233IMG_4177IMG_4179

Na sequência do roteiro sugerido, nos dirigimos para a sede, onde foi servida a feijoada que antecedeu a solenidade de inauguração da exposição memorial. A inauguração de ontem contou com a participação de muitos jongueiros, alunos da graduação e da pós-graduação, assim como de muitos professores de História e moradores da região.blogsaojose1IMG_4217
IMG_4174

Compartilhamos com vocês, algumas fotos da festa e a alegria e emoção das nossas falas (Hebe Mattos, Martha Abreu, Keila Grinberg) durante a inauguração na roda expositiva do projeto.IMG_4225IMG_4228IMG_4224IMG_4192

.

4 Comentários

Arquivado em cultura negra, história e memória, história pública

Memorial Passados Presentes no Quilombo São José

No próximo sábado, 19 de setembro, convidamos todos os amigos do Blog a celebrarem conosco no Quilombo São José, com feijoada e roda de jongo, a inauguração da exposição permanente e do memorial Passados Presentes. Contrataremos um ônibus para os que quiserem aderir à festa, saindo do Rio de Janeiro na parte da manhã e retornando no final da tarde. No caminho, o ônibus visitará o memorial do projeto na cidade de Pinheiral. O grupo de jongo de Pinheiral, os quilombolas do Bracuí e outros jongueiros do Pontão do Jongo e do Caxambu estarão presentes à festa. Para reservar seu lugar ou ter mais informações, basta entrar em contato através do e-mail contatopassadospresentes@gmail.com, até a próxima quarta feira, 16 de setembro.

Como os que acompanham regularmente o Blog já sabem, no Quilombo São José, localizado no município de Valença, no Rio de Janeiro, encontra-se um dos roteiros pilotos do projeto de turismo de memória Passados Presentes – Memória da Escravidão no Brasil. O memorial do Quilombo São José conta a saga de Tertuliano e Miquelina e de Pedro e Militana, antepassados dos atuais moradores, desde a África até o Brasil. Narra também a luta de seus descendentes pelo território quilombola ocupado ainda no século 19 e a força da tradição cultural do Jongo, que tem origem na África Central.

A exposição permanente e os pontos de memória ali sinalizados foram identificados pelos moradores mais antigos do local, em diálogo com a equipe do projeto e com a pesquisa sobre a história e a memória do grupo, desenvolvida por Hebe há mais de 20 anos. São os moradores, porém, que contam a história local a partir do que ouviram de seus pais e avós.

Em 30 de abril de 2015, os quilombolas tomaram oficialmente posse do território onde viveram seus antepassados e onde continuam a celebrar a herança cultural deles recebida. O jongo do Quilombo São José é um dos mais tradicionais do estado do Rio de Janeiro e a festa de maio ali realizada é hoje referência para todo o país. A sinalização do local para o turismo de memória permite aos visitantes ouvir diversos pontos de jongo e ter acesso às narrativas dos quilombolas mais antigos. Através de visitas guiadas, é possível também realizar percursos mais longos, de grande interesse histórico e ecológico, que incluem o centenário pé de jequitibá, a cachoeira saudada nos pontos de jongo e as ruínas do engenho velho.

A intensidade dos trabalhos para finalizar o projeto Passados Presentes afetou a periodicidade do Blog. Até novembro, quando pretendemos fazer o lançamento dos roteiros históricos do Centro do Rio de Janeiro e a festa de inauguração do memorial do Quilombo do Bracuí, vamos aparecer por aqui sempre que tivermos uma notícia nova de mais uma etapa cumprida.

Adoraremos encontrar vocês no sábado no Quilombo São José!

blog sao jose 11blog sao jose 2blog sao jose 3blog sao jose4blog sao jose 7blog sao jose 6blog sao jose 8blog sao jose 12blog saonjose 9blog sao jose 10

3 Comentários

Arquivado em cultura negra, história e memória, história pública, remanescente de quilombo

Pinheiral, Cidade do Jongo

Etapa cumprida. No domingo 26 de julho, dia estadual do Jongo, foram inaugurados o primeiro roteiro, com sua sinalização, e a primeira das exposições memoriais do projeto Passsados Presentes, juntamente com o Parque das Ruínas da Fazenda São José do Pinheiro, na cidade de Pinheiral, Estado do Rio de Janeiro. Nossas orações à Santana e aos Pretos Velhos foram atendidas. Imagens e textos idealizados dentro de um computador materializaram-se nas placas de sinalização e nos grandes painéis da exposição. Ruinas cobertas de vegetação foram limpas e iluminadas pela Prefeitura da cidade para receber o Memorial, dando origem a um belo parque, onde pode ser visto, feito de pau a pique, madeira, história, memória e arte, o primeiro memorial Passados Presentes.

Como no jongo cantado por Mestre Cabiúna, que pode ser ouvido no audio da exposição, esse projeto “vem de longe, caminhando devagar”, em mais de vinte anos de pesquisa sobre a escravidão e o pós-abolição no Rio de Janeiro. Com textos e coordenação geral das historiadoras desse blog, juntamente com Keila Grinberg, a equipe do projeto se organiza a partir de um tripé de iniciativas: a pesquisa de campo, coordenada por Daniela Yabeta, com o apoio de Guilherme Hoffmann para o registro audiovisual, realizada ao longo de dois anos e inúmeras viagens, em estreito diálogo com a curadoria das três comunidades (Maria de Fátima Santos, Antônio Nascimento Fernandes e Marilda Souza); o desenvolvimento tecnológico para o banco de dados e o app de turismo de memória, em fase de implementacão, sob coordenação de Ruben Zonenschein; e a concepção artística e de design das exposições, sinalizações e app, sob direcão geral de André de Castro.

Após intenso trabalho da equipe de design, foi com emoção que vimos os arquivos das placas e painéis serem enviados para impressão. Com os textos e as narrativas finalizados, o braço de arte e design do projeto comandou os trabalhos, para que a festa de domingo fosse possível. André passou a semana na cidade, com uma super equipe, parcialmente formada por artesãos jongueiros e quilombolas, para fazer a sinalização do roteiro e erguer a primeira exposição. Publicamos aqui sua fala de apresentação na inauguração do Memorial e fazemos, em seguida, uma pequena reportagem visual do resultado.

Boa noite, quero aproveitar essa oportunidade para agradecer e ressaltar a felicidade que é participar desse projeto. Vou tentar também explicar rapidamente a sua estrutura visual. Em termos visuais, Passados Presentes pode ser dividido em três pilares: a exposição, o design e a parte artística.  

Em termos d​o projeto expográfico, o conceito é ​a roda de Jongo, que preserva a memória e a história. Quero agradecer a colaboração de Jorge Estevão, Antônio de Padua Estevão, Sebastião Seabra e Carlos Alberto, do Quilombo São José, que junto com Walmir​ de Souza Francisco​, do Quilombo do Bracuí, ajudaram a definir e levantar a estrutura de pau-a-pique, bambu e cipó, base do Memorial. ​Agradeço também as equipes de montagem de André Salles e Carlos Alberto Ribeiro Andrade, que vieram do Rio de Janeiro para cuidar do acabamento e do caráter permanente da exposição. No Quilombo São José, agradeço também à D. Joana D’Arc, que bordou os títulos dos painéis expositivos. Agradeço ainda, especialmente, a Isabel Pacheco, produtora que esteve presente todo o tempo, e foi o braço direito dos trabalhos. E claro, a todos os participantes do Jongo de Pinheiral, por sua hospitalidade e suporte durante a semana de montagem.

Em termos de design, gostaria de agradecer a equipe que me ajudou a definir as placas, a sinalização, o design do app e das peças gráficas, especialmente a Julia Haiad, designer dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016,​​ que trabalhou ilustrando o mapa e ​todo​ sistema de ícones ​e submarcas​ do projeto, além dos designers João Roma e Vitor Lifsitch, que trabalham com a gente.

Por fim, a parte artística, que permite a visualização do conceito da roda de jongo, possui uma linguagem visual mais pessoal. A base das serigrafias foram as fotos realizadas pelo Guilherme Hoffmann com os jongueiros de Pinheiral. O resultado, com uma linguagem menos figurativa e mais gestual, representa não só a individualidade dos jongueiros retratados, mas a energia e o movimento do jongo. Simboliza não só Pinheiral, mas também toda comunidade jongueira. Eu espero que vocês gostem.

Para compartilhar fotos, a hashtag do projeto é #passadospresentes. Obrigado!

foto_capa_blogfoto_montagem_blog11779855_10152971887023062_5505427659021381133_o11728809_10152971889698062_6696693525344202579_o11411956_886661514704220_2648254145479334549_o11802586_886940344676337_1968795905101257049_o (1)11696608_886940338009671_7377618826896213517_o11741174_886661518037553_2197751268587444907_o11728822_886661524704219_197104627674038554_o11751774_10152975405428062_6850022967868622094_n11216489_886657118037993_7486897385644119070_o11755108_886658248037880_2968268757584297969_n11741229_886940341343004_8150060746107409357_o11220907_886657391371299_3253892464804836264_n11753663_886657388037966_1031297324822883880_n11800155_886657384704633_5076214639099869046_n11802713_886658251371213_6669474184420612732_oFullSizeRender (4)54463662ce82bd424a53818bdd65e4b9 (1)FullSizeRender (2)

3 Comentários

Arquivado em cultura negra, história e memória, história pública

O Dia Estadual do Jongo e o Pós-abolição no Rio de Janeiro

Muita gente nos tem perguntado sobre como será o evento do projeto Passados Presentes em Pinheiral no próximo domingo. Nele, aproveitando as boas energias da festa de Santana da cidade de Pinheiral e a presença dos quilombolas do Bracuí e de São José da Serra nas comemorações do dia estadual do jongo, vamos inaugurar nossa primeira exposição e uma versão, de teste, do aplicativo de turismo de memória. Em Pinheiral, a exposição e o roteiro de memória abordam a história do jongo e do pós-abolição no estado do Rio de Janeiro através da experiência dos jongueiros da cidade.

O CREASF_Jongo de Pinheiral foi o proponente comunitário do projeto Passados Presentes junto ao edital de Patrimônio Imaterial. Desde que a proposta foi aprovada, a prefeitura de Pinheiral também se tornou um parceiro importante, inclusive com a criação do Parque das Ruínas da Fazenda São José do Pinheiro, onde ficará a exposição. Do nosso lado, uma equipe maravilhosa, de artistas, designers, artesãos e magos da tecnologia, vai aos poucos trazendo a exposição e o aplicativo do sonho para a realidade. A semana será de muita expectativa, especialmente para essas duas historiadoras, a quem só resta torcer. Rogamos todo apoio à Santana, já que dia 26 é o dia dela e do jongo no estado do Rio de Janeiro!

Sem dúvida, é hora de agradecer e de lembrar todo o trabalho coletivo que começou em 2013, quando tivemos o projeto aprovado com Keila Grinberg, em parceria com o Jongo de Pinheiral e as comunidades quilombolas de São José da Serra e do Bracui. O planejamento do que seria exposto, dos pontos de visitação e da própria concepção e narrativa das exposições memoriais foi realizado sempre coletivamente, depois de muitas reuniões, viagens e visitas das historiadoras e da equipe artística às comunidades. Os textos de história do projeto e sua concepção estética, ainda que autorais, foram construídos em dialogo com as histórias e desejos que os quilombolas e jongueiros nos confiaram. Já dissemos, há um tempo, o quanto o trabalho coletivo e em parceria mudou nossas vidas. Não dá mais para pensar a pesquisa acadêmica de outra forma.

De todo modo, o lançamento em Pinheiral é apenas o início de um processo. As exposições memoriais no Quilombo do Bracuí e no Quilombo de São José têm, cada uma, narrativas próprias, evocando o tráfico negreiro clandestino e a as raízes africanas do jongo, além de roteiros turísticos originais nos territórios quilombolas. Os roteiros serão sinalizados e a exposições montadas nas semanas seguintes à festa em Pinheiral e seus lançamentos específicos dependerão do calendário festivo das comunidades.

O roteiro da história da capoeira no Centro do Rio e os demais pontos do inventário dos lugares de memória UFF/UNESCO no estado do Rio de Janeiro serão incorporados ao aplicativo até setembro, quando pretendemos fazer um lançamento final na cidade do Rio de Janeiro, com a apresentação de um vídeo sobre o making off das três exposições memoriais.

Convite_Pinheiral

Para finalizar a postagem de hoje, fazemos votos de que toda a energia positiva em torno da exposição de Pinheiral e do protótipo do aplicativo possa também ajudar a mobilizar para a campanha de arrecadação de fundos em apoio à mestre jongueira Eva Lúcia de Moraes Faria Rosa, parceira antiga, da época dos Jongos, Calangos e Folias, que precisa realizar com urgência uma cirurgia na vista. Quem quiser ajudar, basta entrar em contato, por email, com o Pontão do Jongo e do Caxambu. A ela, nossa homenagem e total apoio!

eva

Deixe um comentário

Arquivado em história e memória, história pública