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Para encerrar o ano…

Para encerrar o ano, nada melhor do que comemorar o lançamento, on line e totalmente gratuito, dos três volumes de “Histórias do Pós-abolição no Mundo Atlântico” (vol 1, vol 2, vol 3), organizado por Martha, Hebe, Carolina Vianna, Karl Monsma e Beatriz Loner. Fruto de um seminário com o mesmo nome, organizado em maio de 2012, a obra tem como objetivo aprofundar os estudos sobre experiências de ex-escravos e seus descendentes entre a abolição e os dias de hoje. Os textos procuram investigar os processos de racialização ligados à memória da escravidão em seus aspectos econômicos, políticos, sociais, identitários, culturais e educacionais. Complementarmente, buscam investigar as estratégias de recriação das práticas culturais e das formas de organização dos descendentes de africanos escravizados nas Américas.

O primeiro volume enfoca variados projetos políticos e questões de identidade; o segundo, as experiências ligadas ao mundo do trabalho e a luta pela liberdade, e o terceiro – cultura, relações raciais e cidadania – preocupa-se com dinâmica cultural em seus mais variados aspectos.

Os 3 volumes são um exemplo contundente da consolidação de um novo campo de estudos sobre o Pós-abolição no Brasil. Se pode ser relacionado diretamente com o período escravista nas Américas e seu legado, a prioridade para o Pós-abolição chama a atenção para novas questões, envolvidas diretamente nas disputas sobre as memórias do cativeiro e pela própria escrita da história da escravidão e abolição, sem deixar de levar em conta a reconstrução das hierarquias raciais e lutas antirracistas ao longo dos séculos XX e XXI.

Torna-se evidente ainda que as pesquisas agora reunidas em 3 volumes constituem uma importante contribuição para a revisão da história do negro no Brasil e, nesse sentido, fazem parte de ações de reparação, que visam contribuir para o fortalecimento das “Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana”.

Por fim, com essa obra, também fazemos uma homenagem à historiadora e amiga Ana Lugão Rios, que finaliza, com texto inédito e surpreendente, o volume 1. Ana foi pioneira e grande mestra nos estudos sobre o Pós-Abolição no Brasil. Aliás, a proposta de um seminário do porte que organizamos em 2012 havia sido ideia sua, ao lado de Karl Monsma e Beatriz Loner. Suas reflexões continuam bem vivas e abrindo novos caminhos para todos nós.

Neste final de 2014, encerramos hoje nosso blog, felizes por termos levado até o fim nossa iniciativa. De inicio, devemos confessar, as dúvidas eram grandes e o medo do cansaço também era significativo. Prometemos voltar em 2015, mas depois de renovarmos nossas energias, até depois do carnaval.

A todos que nos acompanharam, nossos votos de Boas Festas e de um feliz 2015!

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Jongo em três pontos e a língua nacional…

Saindo do forno:

 “História Social da Língua Nacional 2: diáspora africana”, organizado por Ivana Stolze Lima e Laura do Carmo. O livro é fruto do “II Seminário História Social da Língua Nacional”, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa. Apresenta questões da diáspora africana relacionadas ao processo histórico-social da língua nacional, considerando o tráfico de escravos e as redes do mundo atlântico como travessia de homens, culturas, línguas, modos de comunicação e vida social. Martha e Hebe participam com um artigo sobre a tradição oral do Quilombo do Bracuí.

“O Jongo em Três Pontos”, caixa de DVDs reunindo os últimos filmes realizados pelo Pontão da Cultura do Jongo e do Caxambu : “Saravá Jongueiro Novo”, “10º Encontro de Jongueiros” e “Pontão do Jongo: fazer com, em diferença”. Esses filmes narram importantes momentos da organização dos jongueiros nas ações de articulação com jovens , na própria construção da metodologia do pontão, que envolvem as ações de salvaguarda, e nas comemorações pelo recebimento do título de patrimônio cultural do Brasil, em 2005.  Lançamento na UFF nesta sexta, dia 28/11, no Campus do Gragoatá, Auditório da Pós-Grafuação da História (5º andar), Bloco O. Depois de cada filme haverá debate com os
jongueiros do sudeste, também presentes no evento! Começa às 14h e mais tarde, roda de Jongo, claro!

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A estranha liberdade dos africanos

Os africanos escravizados resgatados pelas autoridades brasileiras de navios que faziam o tráfico ilegal de escravos para o Brasil após a lei de extinção do tráfico negreiro de 1831 foram oficialmente chamados de “africanos livres”.

Foram algumas apreensões nos primeiros anos após a lei, antes que as autoridades finalmente desistissem de tentar aplicá-la e outras tantas após a segunda lei de 1850, que finalmente “pegou”. Segundo a lei de 1831, deveriam ser retornados a algum porto africano, mas não foi o que ocorreu. As autoridades brasileiras os colocaram como prestadores de trabalho compulsório a concessionários particulares, por um prazo de 14 anos, que na maior parte dos casos foi ultrapassado. Na prática, suas vidas pouco se diferenciavam da dos milhões de escravizados, também ilegalmente mas não reconhecidos como tais, que formavam a maior parte dos africanos escravizados no Brasil após a independência política em 1822.

Foram cerca de mil e quatrocentas pessoas com trajetórias bem documentadas pelo Estado brasileiro, até sua emancipação definitiva, respondendo a pressões inglesas, em 1864. Um registro visual da presença, na cidade do Rio de Janeiro, dos africanos resgatados dos patachos negreiros de nome Cezar e Brilhante, apreendidos no litoral da Província Fluminense, em pleno boom da cultura cafeeira, em  1838,  está disponível para consulta no Spatial History Project da Unversidade de Stanford, nos Estados Unidos, no subprojeto “The Broke Paths of Freedom”, coordenado pelo historiador Daryle Williams, da Universidade de Maryland.

Os “africanos livres” resgatados dos Patachos Cezar e Brilhante podem ser acompanhados individualmente ou por filtros diversos, como seus nomes étnicos ou de procedência no continente africano, seus locais de residência na cidade entre 1838 e 1865, bem como pelo gênero, nome ou ocupação de seus concessionários.

O Spacial History Project procura encontrar formas criativas e inovadoras de apresentar informações históricas relacionando espaço e tempo.   Em função disso, um domínio apenas instrumental do inglês é suficiente para explorar mais esta riquíssima ferramenta virtual disponível sobre a história da diáspora africana no Brasil. O mercado de escravos da cidade do Rio de Janeiro em 1869 e um localizador de endereços históricos do Rio de Janeiro oitocentista tabém se encontram disponíveis, em projetos coordenados, entre outros, pelo historiador Zepphyr Frank, da Universidade de Stanford.

Confiram!

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A “Velha Corrupção” (carta aberta aos jovens sobre as eleições)

Amigos, a uma semana do segundo turno da eleição presidencial, nosso post não poderia ser outro do que a carta aberta do nosso grande amigo Sidney Chalhoub, que já vem circulando na internet. Assim ela fica incorporada à biblioteca do BLOG. Chalhoub estará na UFF nos dias 27 e 28 de outubro, para participar do seminário “Escravidão e Cultura Afro-Brasileira: Temas e Problemas em torno da obra de Robert Slenes”.  No seminário, Robert Slenes, pioneiro na criacão do campo da história social da escravidão no Brasil,  será homenageado por seus muitos ex-orientandos e alunos.  Ele começou sua carreira na UFF, onde foi orientador de mestrado de Chalhoub e também de Martha.  Um evento absolutamentre imperdível.

* * *

A “Velha Corrupção” (carta aberta aos jovens sobre as eleições)

Sidney Chalhoub – historiador, professor da Unicamp

A violência do debate eleitoral no momento causa perplexidade aos jovens de idade semelhante aos que tenho em casa, que talvez acompanhem pela primeira vez, “ligados” de verdade, uma campanha eleitoral dessa importância para o país. Especialmente em São Paulo, a grande imprensa produziu um verdadeiro clima de guerra civil midiática em torno desta eleição, desinforma o quanto pode, confunde e manipula. São anos a fio de fogo cerrado contra o governo, em matérias jornalísticas cujos autores assumem o ar arrogante de ilibados defensores da ética e do interesse público.

A insistência no tema da corrupção, como se o atual governo tivesse inventado semelhante mostrengo, é uma combinação ácida de ignorância e hipocrisia. Vamos primeiramente à ignorância histórica, na qual a grande imprensa chafurda com grande desenvoltura. A corrupção está, por assim dizer, no código genético do Estado brasileiro. Nas primeiras décadas após a Independência, período de formação do Estado nacional, a fonte principal da corrupção foi o tráfico ilegal de africanos escravizados. Ao negociar o reconhecimento de nossa Independência no exterior, o Brasil contou com o apoio da Inglaterra em troca do compromisso de não continuar a capturar e escravizar africanos por meio do tráfico negreiro. Em respeito aos acordos internacionais firmados pelo país, o parlamento brasileiro aprovou uma lei de proibição do tráfico africano em 7 de novembro de 1831. Todavia, os africanos continuaram a chegar. Entre 1831 e o início da década de 1850, quando o tráfico realmente acabou por força da aplicação de uma nova lei, 750 mil africanos foram introduzidos no Brasil por contrabando e escravizados à revelia das leis do país.

O tráfico negreiro ilegal coincidiu com o desenvolvimento da cafeicultura no Vale do Paraíba fluminense e paulista. Em meados do século XIX, era comum que cerca de 80% dos trabalhadores das fazendas de café dessa região fossem africanos ilegalmente escravizados. Para dizer as coisas com clareza: a riqueza dos barões do café e a prosperidade das províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo foram construídas por meio da escravização em massa de africanos sequestrados em seu continente de origem e trazidos para o Brasil ilegalmente. O negócio contou com a prática de corrupção em todas as escalas do governo do país e envolveu amplos setores da sociedade, desde os empresários envolvidos no tráfico, outros empenhados em manter a clandestinidade das operações, até os intermediários e fazendeiros que adquiriam os escravizados.

Basta de informação, oferecida aqui apenas para contrabalançar a ignorância histórica de boa parte da mídia nativa. Em especial quanto aos jornalões do Estado de São Paulo, eles deviam enrubescer de vergonha cada vez que insinuassem a virtude própria para enfatizar a corrupção alheia. Um deles, àquela época chamado A Província de São Paulo, foi fiel defensor dos proprietários de gente criminosamente escravizada. Quanto a este assunto, desde a sua fundação, em 1875, foi conivente com a Velha Corrupção. Sim, “Velha Corrupção”, para marcar bem o tamanho histórico do problema que os jornalões cismam de atribuir ao atual governo, apenas no intuito de desinformar e tentar influir no resultado das eleições.

Portanto, chega de hipocrisia, de usar dois pesos e duas medidas. No país independente, a corrupção surgiu junto com o Estado em formação, nele se incrustou e é uma tragédia que aí continue. Assim como continua a grassar na sociedade, como parece óbvio, presente às vezes nas falas dos próprios sujeitos que, ao mesmo tempo, vociferam contra os corruptos no Estado e se dedicam com afinco a viciar concorrências públicas, a bolar estratégias para sonegar impostos diversos, até para ingressar nos aeroportos do país com muambas variadas e outras baixezas do gênero.

Chega de hipocrisia. Onde estava a disposição de investigação da grande mídia quando o governo do PSDB, segundo se dizia, comprava os votos de parlamentares para aprovar a lei que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso? O chamado “mensalão do PSDB mineiro”, origem do outro do qual tanto se falou, por onde anda? As denúncias de irregularidades nas privatizações tucanas de empresas públicas –algumas vendidas a preço de banana- mereceram a devoção investigativa da grande imprensa? Trens? Metrô? Tudo anda assim tão dentro dos conformes em São Paulo, a nossa Tucanolândia?

A corrupção é tema complexo e difícil. Não há governante, no Brasil, que dê cabo disso numa penada. Muita coisa se pode e deve fazer para livrar o país da Velha Corrupção. Para começar, o governo precisa ter disposição para enfrentar o problema e tem de garantir a eficácia e a independência dos órgãos encarregados de investigar, processar e punir os responsáveis. O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral.

ESTÁ AUTORIZADA A REPRODUÇÃO EM BLOGS E SITES DE NOTÍCIA

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A discussão sobre a História Pública se consolida no Brasil

Este blog é parte de uma discussão que tem crescido entre os historiadores, sobre a ampliação dos campos e espaços públicos de atuação do historiador profissional. Pedimos à nossa colega Juniele Rabêlo de Almeida, uma das organizadoras do “2º Simpósio Internacional de História Pública” , ocorrido na UFF entre 10 e 12 de setembro, para fazer aqui um balanço do evento. Com ela, a palavra: 

“Esta é a avaliação a que se chega após o “2º Simpósio Internacional de História Pública”. O evento, realizado pela Rede Brasileira de História Pública (RBHP) e pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI/UFF), aconteceu na Universidade Federal Fluminense (UFF) entre os dias 10 e 12 de setembro. O Simpósio contou com cerca de 500 participantes considerando todas as modalidades de participação (conferências, mesas redondas com debatedores convidados, oficinas, apresentações orais em Grupos de Trabalhos, sessões de comunicação de Experiências em História Pública e lançamentos de livros).

O tema aglutinador escolhido “Perspectivas da História Pública no Brasil” propiciou o cruzamento de fronteiras entre diversas áreas de conhecimento e atuação, acadêmicas e não acadêmicas. Tal intercâmbio, empreendido entre pesquisadores e profissionais de várias áreas, contribuiu para o fortalecimento da sistemática de realizações bienais de simpósios de História Pública. O encontro teve um perfil nitidamente interinstitucional, interdisciplinar e transnacional.

Profissionais e estudantes de múltiplas áreas, como historiadores, comunicólogos, cientistas sociais, professores, blogueiros estabeleceram os debates sobre o tema do simpósio. A historiadora Linda Shopes (Columbia University e Goucher College/EUA), responsável pela concorrida palestra de abertura, destacou o “parentesco radical” entre a história oral e história pública.

Após a abertura, duas mesas redondas ocorreram diariamente, versando sobre a relação entre História Pública e: mídias, tempo presente, comunidades e culturas populares, plataformas digitais, narrativas públicas. Mais de uma centena de comunicações foi inscrita nos 15 Grupos de Trabalho (Educação, Culturas Populares, Comunidades, História Oral, Biografia, Literatura, Cinema, Documentário, Artes, Fotografia, Rádio, Plataformas Digitais, Patrimônio, Jornalismo, Turismo e Produção cultural e Ciências da Saúde), reunindo profissionais de variadas formações e regiões com o intuito de discutir o modo de operação dessa prática de produção e divulgação do conhecimento histórico. Oficinas que abordaram temas da história e as mídias, o cinema, o videogame, a oralidade, completaram a programação.

A julgar pelos debates desenvolvidos pelos participantes, o evento cumpriu seu objetivo principal. Se o primeiro simpósio (USP, 2011) objetivava sensibilizar e mobilizar profissionais que se identificassem com a prática da História Pública, este segundo simpósio propôs refletir sobre o que se compreende ser a História Pública e avaliar as perspectivas de sua prática no Brasil. De fato, sobressaiu no momento inicial o entendimento da História Pública como a ampliação dos públicos para o conhecimento histórico, que se utiliza de outros meios para ser divulgado além da produção acadêmica; como revistas, televisão, cinema etc. Contudo, outro aspecto a ser destacado a partir dos debates do evento diz respeito à produção compartilhada do conhecimento histórico e as transformações sociais decorrentes (em especial, políticas públicas). A prática em História Pública considera passível de reflexão histórica trabalhos realizados por não-historiadores, como a atuação profissional de diversas áreas que abordam temas da história. Não se trata de hierarquizar os saberes/produções, mas reconhecer que um trabalho dialógico feito com responsabilidade no tratamento das fontes e na construção da narrativa histórica permite a problematização da história. Por essa perspectiva, valoriza-se o diálogo entre múltiplas áreas do conhecimento para a produção do saber histórico, reiterando-se a observação de Jill Liddington de que mais importante do que definir o que é a história pública, é compreender como se faz.

Refletir sobre a produção e a circulação do conhecimento histórico é um exercício antigo, especialmente entre historiadores. Mas, sua pertinência continua atual, sobretudo diante das novas tecnologias que tem modificado o tratamento das fontes de pesquisa, desde o seu arquivamento ao seu acesso, a própria pesquisa e, naturalmente, às formas de compartilhar o saber produzido. A Rede Brasileira de História Pública tem proposto olhares para essa reflexão, num esforço que tem encontrado interlocutores dispostos a qualificar e avançar nos debates. Sendo assim, foi estabelecido na Assembleia da RBPH os novos caminhos. O próximo Simpósio Internacional de História Pública ocorrerá em 2016 e será sediado na região nordeste, cuja coordenação inicial está a cargo da Universidade Federal do Ceará. Enquanto isso, ao longo de 2015, eventos pontuais nas cidades onde a RBHP está representada serão realizados para sensibilizar a comunidade acadêmica e os profissionais que trabalham com a História.”

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 Legenda das fotos:

Cartaz/ Abertura do simpósio internacional “Perspectivas da História Pública no Brasil”, composta por Ana Mauad, Juniele Rabêlo de Almeida, Ricardo Santhiago, Anita Lucchesi e Serge Noiret/Martha Abreu, Paulo Fontes, Lia Calabre, Hebe Mattos e Marta Rovai compuseram a mesa redonda História Pública, Comunidades e Culturas Populares/ Linda Shopes profere palestra de abertura, mediada por Ana Mauad/ Mesa de encerramento do Simpósio, composta por Benito Shimidt, Marieta Ferreira, Juniele Rabêlo de Almeida, Renata Schittino e Ricardo Santhiago

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Pós-Abolição no Mundo Atlântico

É o título do próximo dossiê da Revista Brasileira de História, da Associação Nacional de História (ANPUH).  O número contará com a transcrição em português da entrevista com Eric Foner, que realizamos em março de 2014 e divulgamos aqui no blog.

Reproduzimos abaixo a chamada de artigos. Até 31/1/2015.

O reconhecimento de escravos e libertos como sujeitos históricos acabou por influenciar os estudos sobre o destino dos escravizados e seus descendentes em antigas sociedades escravistas após a abolição legal da escravidão. No Brasil, se a década de 1980 representou um marco para historiografia da escravidão, podemos pensar que os anos 2000 foram decisivos para a historiografia sobre as formas, condições e concepções de liberdade no pós-abolição. A produção de livros, documentários, a realização de eventos nacionais e internacionais e a formação de grupos de pesquisa adjetivados pelos termos “pós-emancipação”  e  “pós-abolição”, de Norte a Sul do país, atestam a emergência de um destacado campo de investigação, comprometido em reconstituir trajetórias, processos e experiências de liberdade da população negra no Brasil e nas Américas após a proibição legal da escravidão.  Em vistas da amplitude do campo, surgem muitas questões. O que significa pensar o pós-abolição como problema histórico? Quais os significados e limites da revogação legal da escravidão nas antigas sociedades escravistas do Atlântico? É possível construir definições precisas sobre o que seria este pós-abolição? Quais os significados da abolição formal da escravidão? Pós-abolição e pós-emancipação são sinônimos ou representam formas distintas de enxergar e pesquisar as experiências de liberdade e os significados legais da abolição da escravidão? Quando começa e quando termina o pós-abolição? Qual o lugar das experiências de tornar-se livre e do abolicionismo do século XIX? Como a politização da memória da escravidão e o estudo do tempo presente contribuem para delimitação dos seus limites cronológicos? De que formas o trabalho com diversas concepções, fontes e metodologias do campo questionam a tese clássica de que os negros teriam ficados “abandonados à própria sorte”, trazendo para o centro da discussão debates relacionados aos direitos de cidadania, mundos do trabalho livre, racialização, racismo, mobilidade social, migrações, relações de gênero, gerações, acesso à terra, educação e movimentos sociais negros e indígenas em abordagens locais, transnacionais ou comparativas? Essas são algumas das indagações que convidamos autoras e autores a se debruçarem nos trabalhos que serão publicado na edição n. 69 no dossiê temático “Pós-abolição no Mundo Atlântico” da Revista Brasileira de História (junho de 2015)

As propostas de artigo devem ser enviadas até 31 de janeiro de 2015 para o endereço eletrônico rbh@anpuh.org, seguindo as orientações gerais e as normas de formatação disponíveis em: http://anpuh.org/conteudo/view?ID_CONTEUDO=58. Não é necessário realizar o envio de cópias impressas ou de mídias contendo os trabalhos.

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foto de José Medeiros/Acervo Instituto Moreira Salles.

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O batismo de Izidora, filha de Joana Angola

Igrejas e irmandades é uma das temáticas que organiza o Inventário  dos lugares de memória do tráfico de africanos escravizados no Brasil (LABHOI/UFF-UNESCO).

A presença dos africanos trazidos ao Brasil pelo tráfico atlântico de escravos também pode ser identificada na prática da religião católica. Africanos de diversas procedências converteram-se, fundaram irmandades, participaram de festas e construíram igrejas em devoção aos santos católicos negros, como Santo Elesbão, Santa Efigênia, São Benedito e Santo António do Categeró, mas, especialmente, à Nossa Senhora do Rosário. Por todo território, ao longo do período colonial e de todo o século XIX, o catolicismo tornou-se também africano. Para além do patrimônio arquitetônico, as inúmeras igrejas pertencentes a irmandades de “Homens Pretos”, como eram oficialmente chamadas, representam hoje marcos visíveis dos africanos no conjunto da população católica. O Inventário traz verbetes sobre irmandades de Pernambuco, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Para além das irmandades negras, grande parte da informação que temos sobre a presença de africanos escravizados e seus descendentes no Brasil encontra-se em arquivos eclesiásticos do período colonial e monárquico. Para saber mais sobre que informações são essas, convidamos o leitor a clicar na imagem abaixo, e tomar conhecimento do batismo de Izidora, filha de Joana Angola, em 1790, em mais um dos vídeos (1:21) do site Identidades do Rio.

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O roteiro Escravidão e Igreja Católica, organizado por Mariza de Carvalho Soares, Larissa Viana, Denise Vieira Demétrio e Jorge Victor de Araújo Souza, traz ainda informações sobre as irmandades de homens pretos do Rio de Janeiro e a transcrição integral de 7 “compromissos”, textos que fundavam e organizavam as irmandades negras. Estão online os compromissos das irmandades de Santo Elesbão e Santa Efigênia (1740), Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (1759), Nossa Senhora da Lampadosa (1767), Congregação dos Pretos minas Maki (1786), Nossa Senhora dos Remédios (1788), Santo Antônio da Mouraria (1812) e Santo Elesbão e Santa Efigênia (1910). Documentos raros e preciosos, acessíveis para pesquisadores e interessados no tema. Para o público mais amplo, o filme Devotos da Cor, de Mariza Soares, pode também ser acessado na íntegra. #ficaadica

 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Rio de Janeiro, Nave Central.

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Músicos Negros na História

A história da música brasileira e da presença de afrodescendentes em ambientes letrados, como as óperas e os teatros de revista, entre o final do século XIX e início do XX, vem sendo revisitada e reescrita por músicos e historiadores. Localizamos recentemente um site super interessante, o Acervo Digital Henrique Alves Mesquita (1830-1906), organizado por Alexandre Dias, que disponibiliza obras, discografia, imagens, letras e bibliografia sobre o personagem.

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Músico erudito, negro, com formação patrocinada pelo Imperador em Paris, Mesquita foi professor do Conservatório Imperial de Música.

Mas fez mesmo muito sucesso nos espetáculos teatrais de mágica e revista, das últimas décadas do século XIX, onde incorporava gêneros populares urbanos, como a polca, o lundu, o tango e o maxixe. O historiador da música Antônio Augusto desenvolve importante pesquisa sobre ele. Entre outros, o artigo “Da pérola mais luminosa à poeria do esquecimento”. sobre a trajetória do músico, está disponível no site.

Muito antes do chamado modernismo, músicos eruditos, do século XIX, já ouviam os sons das ruas e da música negra. Até mesmo jongos e batuques fizeram parte do repertório de Alves Mesquita e certamente atraíam grande público aos teatros em épocas de discussão sobre a abolição, como mostrou a pesquisadora Silvia Cristina Martins de Souza. Henrique Alves Mesquita foi professor de Chiquinha Gonzaga. Ambos são apontados como marcos da música urbana carioca e da formação do choro no Rio de Janeiro.

Sobre a história da formação do choro como gênero musical no Rio de Janeiro, vale a pena consultar o site Identidades do Rio, plataforma digital de divulgação científica, organizada por um pool de pesquisadores de diversas instituições de pesquisa do Rio, sob coordenação da UFF, com apoio da FAPERJ. O site disponibiliza informações e atividades sobre diversos temas da história política, social e cultural do Rio de Janeiro, voltadas para pesquisadores, professores, estudantes, agentes culturais e lideranças comunitárias. Nessa plataforma, Luiza Mara Martins, posdoutoranda no LABHOI/UFF, organizou a cronologia do choro no Rio de Janeiro.  Na forma de uma linha do tempo que se inicia em 1845 e termina em 2011 estão reunidos textos, imagens e vídeos.

“Atraente”, a primeira música de Chiquinha Gonzaga publicada, foi criada na casa de Henrique Alves Mesquita, em 1877. O encontro está registrado na Cronologia do Choro, em um pequeno vídeo de 1:03 que vale conferir antes de continuar a leitura. É só clicar na imagem.

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É importante esclarecer, porém, que a estruturação do choro como gênero musical na cidade só aconteceu nas primeiras décadas do século XX, com destacada atuação de Pixinguinha. Fechamos o post com mais um vídeo da cronologia de Luiza Mara, sobre o sucesso do conjunto Os Oito Batutas, dirigido por Pixinguinha, nas décadas de 1910 e 1920 (1:53). Com a participação de músicos negros, o conjunto viajou por todo o Brasil, gravou na Argentina e se apresentou em Paris.  Convidamos os nossos leitores a ver o vídeo, basta clicar na imagem abaixo.

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Há muito mais para ver, ler o ouvir na Cronologia do Choro e muito outros roteiros no site. Confiram!

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Escravidão, Pós-Abolição e a Política da Memória

Alguns trechos da resenha do antropólogo Luis Nicolau Parés para a Caixa de DVDs Passados Presentes (AfroAsia 49).

No campo da historiografia do negro no Brasil, a transição da escravidão para a emancipação e o período pós-Abolição talvez sejam das áreas que mais vitalidade adquiriram na última década. Uma expressão dessa tendência é a coletânea Passados presentes, uma série de quatro documentários sobre as trajetórias, memórias e práticas culturais dos descendentes dos escravizados na região da antiga província do Rio de Janeiro. Os quatro filmes, intitulados Memórias do cativeiro: família, trabalho e cidadania no pós-Abolição (2005), Jongos, calangos e folias: música negra, memória e poesia (2007), Versos e Cacetes: o jogo do pau na cultura afro-fluminense (2009) e Passados presentes: memória negra no sul fluminense (2011), foram produzidos pelo Laboratório de História Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense (LABHOI/UFF), sob a direção geral das historiadoras Hebe Mattos e Martha Abreu.

Lançada em 2012, a coletânea reúne trabalhos produzidos ao longo de mais de seis anos, a partir do acervo audiovisual do LABHOI, que hoje conta com cerca de 300 horas de gravações. O primeiro filme, Memórias do cativeiro, utiliza, entre outros, registros de entrevistas com descendentes de escravos africanos gravadas em São Paulo, em 1987, e no Rio de Janeiro e Espírito Santo nos anos de 1994 e 1995. Porém, o conteúdo substancial da série está baseado em registros videográficos mais recentes, produzidos, na sua maioria, na primeira década deste século, no estado do Rio de Janeiro, e constitutivos do Acervo UFF Petrobrás Cultural – Memória e Música Negra, principal base documental da série.

Para além [do] foco na política da memória, consoante com o espírito do LABHOI, a coletânea é inovadora na sua tentativa de desenvolver formas de narrativa historiográfica a partir de uma escrita audiovisual.

Como os quatro documentários têm por base o mesmo acervo documental, várias personagens aparecem de forma reiterada, conferindo ao conjunto uma relativa unidade. Por exemplo, o entranhável senhor Manoel Seabra, nascido em 1919, liderança da comunidade da antiga Fazenda São José da Serra, no município de Valença, no Vale do Paraíba — hoje Quilombo de São José — aparece, no primeiro filme, rememorando seus ancestrais africanos, vindos da Bahia; no segundo, dançando o jongo; e, no terceiro, praticando o jogo do pau. O senhor Manuel Morais, líder da comunidade do Quilombo de Santa Rita do Bracuí, aparece também em diversos momentos. Assim, embora os documentários tenham sua autonomia, acabam por oferecer uma visão multifacetada e polifônica de uma mesma realidade sociocultural.

Como se sabe, a presença contemporânea de famílias afrodescendentes na região sudeste do estado do Rio de Janeiro é, em grande medida, resultado histórico do recrutamento massivo de mão de obra escravizada, em meados do século XIX, para satisfazer a demanda da economia do café. No Vale do Paraíba, concretamente, nesse período, os africanos chegaram a constituir 90% da população. As falas, recordações, práticas culturais e ação política dos descendentes desses escravizados são o alvo prioritário de reflexão historiográfica da coletânea em questão.

[confira a resenha integral, com abordagem em separado de cada um dos filmes]

… A estrutura narrativa, nos dois primeiros filmes, impõe a cronologia linear do tempo historiográfico, partindo da África, passando pelo cativeiro, a Abolição, até o presente. Porém, o tempo da memória negra não acompanha necessariamente essa linearidade, ao contrário, funciona como uma reverberação que se move em múltiplas direções e sentidos. Trata-se de uma memória de luzes e sombras, de silêncios, de interrupções e vazios. Há uma consciência da perda, com a insistência na ideia de que os velhos não falavam, não passavam para os mais novos, mas também uma tenaz reconstrução da cadeia de transmissão: meu pai contava, meu pai me falou, os antigos contavam… O registro videográfico tem a capacidade de mostrar esse esforço vacilante da recordação, ora com o trunfo impiedoso do esquecimento que submerge, ora com a vitória da lembrança que, puxando o fio do primeiro verso, traz o seguinte e, no final, a cantiga toda reemerge. O maior desafio da escrita videográfica seria construir uma narrativa que evocasse ou refletisse a dinâmica errática e imprevisível dessa memória espectral.

Refletindo sobre a memória da escravidão em Serra Leoa, Rosalind Shaw distingue entre a memória discursiva, expressa por meio das falas, e a memória prática, que se perpetua inscrita nos comportamentos, nos gestos, nas danças e nos rituais. Se o primeiro e o último documentários lidam, predominantemente, com a voz dos entrevistados e, portanto, com a memória discursiva, o segundo, Jongos, calangos, e folias, embora continue a privilegiar o busto falante, focaliza também o papel da palavra no contexto ritual, apresentando, assim, um caso de articulação desses dois tipos de memória. Já o terceiro filme, com seu foco no jogo do pau, abriria espaço para uma reflexão sobre o papel do corpo na experiência da dança e do ritual e, portanto, para as formas de memória prática. Porém, como já foi dito, a performance ritual recebe uma atenção discreta no documentário. A possibilidade do “dar a ver” ao espectador, própria do filme etnográfico, é aqui minimizada em favor do “dar a ouvir”, ou seu correlato, o “dar a voz”.

Os quatro filmes combinam de forma proporcionada o primeiro plano das vozes afrodescendentes com a informação contextual fornecida por cartazes, voz em off  e, sobretudo, o diálogo e contraponto dos comentários dos historiadores e pesquisadores. Nesse sentido, cabe destacar o seleto grupo de consultores com que o projeto contou e a participação de vários bolsistas de produção científica. Porém, o espaço conferido à reflexividade, ou seja, à visibilidade dos produtores do filme no próprio filme, é pouco. Só na metade do primeiro filme se escuta, brevemente, a voz dos entrevistadores, e nos créditos aparecem imagens dos cineastas. O segundo filme incorpora entrevistas com historiadores, e aparecem tangencialmente imagens das diretoras do filme. No terceiro, a voz do entrevistador é mais audível, e Assunção interage com os entrevistados, inclusive se engajando com eles no jogo do pau. No quarto filme, as diretoras Mattos e Abreu aparecem brevemente e, talvez num dos momentos mais etnográficos da coletânea, Geraldo Romão, membro da comunidade do Bracuí, acompanha a equipe de filmagem, apresentando o quilombo e visitando o antigo engenho da fazenda. Essa sequência registra a interação entre filmmakers e filmado e, nela, o filmado é quem dirige e comanda a cena.

Concluindo, cabe destacar o valor historiográfico e o interesse didático de uma coletânea que deve contribuir de forma significativa para a difusão e valorização da memória e do patrimônio cultural dos afrodescendentes nas salas de aulas, tanto do ensino secundário, no contexto das diretrizes nacionais para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, como no ensino superior. Nesse sentido, vale lembrar a riqueza dos “Extras” dos DVDs, com registros documentais de performances rituais, informações sobre as regiões visitadas e sobre os participantes do filme, assim como entrevistas com pesquisadores e referências de documentos históricos. Junto à seriedade historiográfica e a sua vocação didática, Passados presentes apresenta um elevado índice militante, com uma aguçada consciência do papel que a representação do passado e a representação da memória têm na política do presente e na luta pelos direitos de cidadania das populações afrodescendentes. A rica polifonia de vozes desses documentários, aliada à persuasão comunicativa inerente à linguagem cinematográfica, capaz de atingir um público amplo e variado, com certeza deverá contribuir para essa reafirmação política e cultural.

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Atlântico Negro na ANPHLAC e na ANPUH!

Nesta semana nosso post é para divulgar dois encontros acadêmicos muito importantes no Rio de Janeiro. O XI Encontro Internacional da ANPHLAC (Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas), entre os dias 29 e 1º. de agosto, na UFF (bloco F), e o XVI Encontro Regional de História, entre os dias 28 e 1º. de agosto, na Fiocruz e Universidade Santa Úrsula.
Para os interessados nas discussões sobre Atlântico Negro, há ótimas conferências na Anphlac, todos os dias, 18 horas. No dia 29/7, Paradoxos do poder governamental nos EUA, como o Prof. Gary Gerstle da Vanderbilt University (no museu do Ingá). No dia 30/7, Periferias críticas: Raça, Guerra e Império Americano no Século XX, com o Prof. Paul Kramer – Vanderbilt University (no auditório da economia da UFF, bloco F). Dia 31/7, Africanos y afrodescendientes en la sociedad novohispana: fuentes y tema para su estudio, com a Profa. Maria Elisa Velázquez Gutiérrez – Instituto Nacional de Antropologia e História do México (no auditório do bloco F). Na sexta feira, manhã e tarde, também no bloco F, acontecem as melhores mesas sobre diáspora, intelectuais, mestiçagem, pós-abolição e cultura negra, em Cuba, Estados Unidos e Brasil, na parte da manhã e tarde. Confiram a programação completa.
Já na Anpuh, os simpósios ligados aos estudos de escravidão, abolição, pós-abolição, cultura negra e ensino de história também estão com ótima programação. Em geral, as mesas acontecem nas terças, quintas e sextas feiras. O Simpósio 1, coordenado por Mariana Muaze e Ricardo Salles, é sobre a Segunda Escravidão e a Civilização Imperial, na Bacia do Paraíba; o Simpósio 18, coordenado por Warley da Costa e Martha Abreu, é sobre Ensino de História, Culturas Africanas, Afro-brasileiras e Indígenas; o Simpósio 60, coordenado por Carlos Eduardo Costa e Larissa Viana, terá apresentações sobre Pós-Abolição nas Américas: Trabalho, Racialização e Memória; o Simpósio 67, coordenado por Jonis Freire, Marcia Eliane de Souza e Mello, terá trabalhos sobre Sociedades Escravistas nas Américas (identidades e sociabilidades no mundo ibérico séculos XVI-XIX).

#ficaadica

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